Torneio da Consolação no Torero

O texto da postagem anterior, sobre o Torneio da Consolação, foi publicado pelo José Roberto Torero em seu blog (http://blogdotorero.blog.uol.com.br/).

Autor, entre outros, do ótimo O Chalaça, Torero achou adequada a ideia do Torneio da Consolação para lidar com problemas de abstinência como os que vêm sendo sentidos por mim e por um conhecido, o Sr. Alaor, cujo caso está devidamente relatado no Blog do Torero.

Torero torna-se assim o primeiro famoso a entrar na campanha Torneio da Consolação Brasil 2014 e concede mais uma grande honra ao Coisas Mais.

Anúncios

Leiam!

Ler faz bem. Mais para a alma do que para o corpo. E o mundo está com muito corpo para pouca alma ultimamente. Treinemos, pois, ela, a alma.

A seguir, três dicas de leitura. Nenhum lançamento, nenhum best-seller, nenhum que reescreve a história da humanidade, nenhuma auto-ajuda. Simplesmente obras que merecem ser lidas em algum momento da vida.

O Chalaça (1999)

Com uma escrita criativa, despojada, engraçada e cativante, José Roberto Torero consegue manter a atenção do leitor ao longo de todo o romance, que narra as aventuras e desventuras de Francisco Gomes da Silva, o Chalaça, conselheiro do imperador D. Pedro I.  Misturando fatos históricos com passagens ficcionais que, em se tratando de Brasil, bem que poderiam ser todas verdades, o livro utiliza as personagens, destacadamente D. Pedro e o próprio Chalaça, para explorar traços marcantes do nosso povo, como o famoso jeitinho brasileiro. Se deveríamos nos orgulhar ou nos envergonhar dessas características é outra história. Fato é que elas estão lá e garantem boa diversão ao longo de 228 páginas.

A volta do poderoso chefão (2006)

Para aqueles que, como eu, são fãs incondicionais do Poderoso Chefão, este livro do norte-americano Mark Winegardner é obrigatório. As lacunas temporais deixadas por Mario Puzo na obra original, de 1969, são preenchidas com um estilo detalhista e muito bem tramado, por meio do qual Winegardner desvenda fatos importantes sobretudo para o entendimento da trajetória e das atitudes de Michael Corleone (Al Pacino no cinema). Como foi sua infância e a relação com Don Vito? O que o levou a sangrar aquilo que mais prezava, a família, atingindo o irmão Fredo? Até onde chegavam os seus contatos com o alto escalão político dos Estados Unidos e quais as estratégias para, oculto, se fazer prevalecer? Todos os valores e a essência maquiavélica de Michael, que encontra um rival à altura ao longo do enredo, desenvolvem um grande romance, que se destaca ainda por explorar as ligações dos Kennedy e de Frank Sinatra com a máfia.

Teatro Completo – Nelson Rodrigues (2004)

Esta série em quatro volumes reúne as 17 peças compostas por Nelson Rodrigues em sua carreira, divididas de acordo com a temática das peças (psicológicas, míticas e tragédias cariocas I e II). O estilo rodriguiano, visceral e polêmico por natureza, aparece em carne viva e torna a leitura dinâmica, contagiando o leitor com aquele espírito de “como será que termina?” que, na maioria das vezes, o leva a ler toda a peça num mergulho só. Na maioria porque, em algumas peças, como “Dorotéia”, os devaneios do anjo pornográfico vão um pouco além, exigindo atenção redobrada ao seu mundo fantástico. As críticas à sociedade carioca (microcosmo da brasileira) de seu tempo recheiam as obras, com uma profusão de casos de adultério e incesto que, via de regra, contrapõem a força feminina (pólo dominante) à fragilidade masculina (pólo dominado). Não bastasse, a série ainda apresenta fotos das montagens realizadas para cada uma das peças, com grandes atores brasileiros, o que enobrece um pouco mais os volumes.

Boa leitura!