Fórmula (3 em) 1

Dick Vigarista e a nossa Penélope

por Marcelo Cerri

Finalmente a F1 chega  na Europa. Após belas provas na Ásia e Austrália, tivemos um GP dentro da normalidade: o circuito de Barcelona é o mais conhecido entre os pilotos e fez sol, muito sol. Não que tenha sido propriamente uma corrida chata. Apesar das poucas ultrapassagens, houve momentos emocionantes, como a briga entre o renascido Schumacher e Button, a ultrapassagem perigosa do sempre agressivo Hamilton sobre o futuro campeão Vettel e o pneu furado do mesmo inglês ao final da corrida. A vitória de Webber foi merecida, com uma belíssima classificação e uma corrida redonda, limpa, perfeita. Mas o grande destaque do final de semana foi Alonso, mesmo sem fazer grandes malabarismos durante a prova.

O asturiano fez quase um milagre no treino classificatório e conseguiu largar à frente de Jenson Button, que claramente tinha um carro mais rápido. Mas isso é o suficiente para fazer dele o nome do GP de Barcelona? Não, não só isso. Existem vários fatores que fazem um piloto campeão e que não aparecem nas imagens. Um exemplo é o trato com os pneus. Por que Alonso é mais veloz que Massa? Porque consegue manter a borracha numa temperatura ideal. Por que foi o pneu de Hamilton que furou e não o de Alonso? Sorte de campeão, como diria Galvão? Não, não. O estilo de pilotagem agressivo de Lewis consome mais pneus. Não existe sorte ou azar.

Ainda em referência ao espanhol, volto a me perguntar: qual o limite do ufanismo de Galvão? É lógico que o narrador oficial não diz as besteiras que diz por amor à Pátria, mas porque é alimentando o ufanismo nos telespectadores que ele mantém boa parte do público ligado em suas transmissões. Infelizmente parte significativa dos seguidores da F1 é torcedora de brasileiros e não admiradores de automobilismo. Então como fazer para os consumidores continuarem torcendo para Massa mesmo sendo ele constantemente meio segundo mais lento que seu companheiro de equipe? Basta fazer os brasileiros acreditarem que essa diferença existe por um motivo pontual que não será vista na próxima corrida ou que Alonso é o Dick Vigarista enquanto o brasileiro é a indefesa Penélope Charmosa. No entanto, todos os limites do bom senso foram ultrapassados durante a transmissão do treino classificatório. Galvão fez várias insinuações sobre a índole do bicampeão, dizendo que ele era “sem dúvida” antiético e somente por isso está na frente de Massa no campeonato.

Termino lembrando de algo que passa desapercebido por muitos: no ano passado Alonso  colocava sobre Nelsinho Piquet os mesmos seis décimos de vantagem. A superioridade é a mesma deste ano. Mas não vejo ninguém dizendo que Massa é um desastre, como fizeram com Piquet. Ou um não era tão ruim quanto parecia ou o outro não é tão forte quanto acreditávamos. Só uma constatação é indiscutível: o asturiano é muito superior aos dois.

Rapidinhas:

Qual será a próxima reclamação de Rubinho?

Kubica continua fazendo milagres com seu carro. O Polonês tem excelente relacionamento com os italianos em geral, domina a língua e é querido por todos na terra da bota. Ou Massa reage ou…

Schummy está ressurgindo com um carro novo. Belíssima corrida!

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O destruidor de carros

por Thiago Barros Ribeiro

Depois de uma série de corridas recheadas de água e emoção, o GP da Espanha trouxe-nos de volta a um cenário mais próximo da realidade na Fórmula 1. Melhor e mais disputada do que a de anos anteriores – lembremos que a disputa em Barcelona caracteriza-se por ser um convite ao sono matinal e hoje nem foi tanto assim, com o duelo entre Button e Schumacher, os problemas de Vettel e Hamilton -,  mas longe do show que vinha nos deixando mal acostumados.

O fim-de-semana começou com um abismo separando uma equipe, a RedBull, que colocou mais de um segundo sobre todos os rivais no classificatório de sábado. Mas o domingo mostrou que em corrida a superioridade ainda não é nem tão grande nem tão constante como nos treinamentos.

Mostrou mais do que isso. Já não há mais dúvida de que há alguma coisa no jeito de Vettel pilotar que tende a destruir o carro. Talvez seja uma pitada a mais de arrojo, um jeito diferente de pisar no freio, mas o fato é que esse quê ainda indecifrável tirou de Vettel um título bastante provável em 2009 e tem tudo para fazer o mesmo neste ano, com a diferença de que a perspectiva de conquista é agora ainda mais latente. O pior para Vettel, e o melhor para os outros, é que esse problema parece afetar a cabeça do germânico. Reconhecidamente mais talentoso do que Webber, Vettel andou atrás do companheiro na Espanha, quiçá preocupado em corrigir o enigma da pilotagem destruidora. Não corrigiu e viu o parceiro vencer a prova.

Enquanto isso…

Massa passou mais um fim-de-semana tomando em média meio segundo por volta de Fernando Alonso. Está já a 18 pontos do espanhol e prestes a assumir (ou já assumiu?) oficialmente o papel de segundo piloto. Para mim uma grande decepção. Esperava uma disputa acirradíssima entre ambos e não um passeio de um dos lados.

E Rosberg, coitado, começou finalmente a sentir o gosto amargo de ser companheiro de Schumacher. Cansado do baile que vinha tomando desde o começo do ano, o heptacampeão usou de seu poder e fez um carro sob medida para si. O problema é que esse carro foi repassado também a Rosberg, que não tinha nada a ver com isso e estava muito feliz com a Mercedes de antes. Resultado: Schumacher melhorou um pouco, ainda a anos-luz de qualquer brilhantismo, e Rosberg despencou, passando em branco pela primeira vez no ano. Se fosse uma dupla de pilotos normal, seria o caso de a Mercedes, em tendo de optar por uma das especificações, voltar à antiga, posto que a mudança claramente prejudicou o seu piloto mais competitivo, que está na disputa do campeonato. Como Schumacher faz parte da dupla, pobre Rosberg… estava na disputa do campeonato.

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Homens do ramo e homens sem rumo

por Daniel Marchi

Tudo muito normal na Espanha. Como as equipes ainda têm pouca quilometragem em condições de piso seco nessa temporada, elas permanecem em processo de learning by doing. Mas certamente já têm uma carga de informações suficientes para explorar mais os pneus e correr menos riscos. Acredito que na segunda metade do campeonato estarão mais confortáveis nesse quesito.

Temos até aqui um campeonato de construtores bem apertado. E isso me faz tirar uma conclusão, reconheço, arriscada. A Red Bull ainda não merece ser chamada de “equipe grande”. O time ainda não consegue converter a superioridade de seus carros em vitórias (dobradinhas, no caso) tranqüilas. É o preço do noviciado. Não vamos esquecer que é a primeira vez que a equipe está efetivamente disputando títulos, situação bem diferente de McLaren e Ferrari, verdadeiras raposas do deserto. Mas homens competentes e do ramo, como Horner e Newey, sabem o caminho das pedras.

Por fim falemos do trio parada-dura, FIA, FOM e FOTA. Eles, cada um a seu modo, ainda vão conseguir acabar por completo com a F-1. A brilhante decisão de proibir os testes durante a temporada terá em Mônaco o seu ponto alto. Já está se discutindo abertamente a divisão dos treinos, de modo que as equipes novas não causem transtornos em demasia para as mais estruturadas. É uma piada, só pode ser. Deve ser algum brasileiro que, por trás das cortinas, dirige a F-1. É aquela típica medida para fingir que está tudo bem. Nós sabemos bem como é isso…

E não é só. Os pilotos da Virgin foram punidos, perderam algumas posições no grid espanhol. Mas por que a equipe foi punida? Será que ela usou querosene de aviação? Um pacote com suspensão ativa, controle de tração e freios ABS? Não. A equipe não comunicou a tempo as informações sobre as relações de marchas à FIA. Tem babaquice burocrática maior do que essa? Antes de arrasar a categoria, os sábios vão implantar o comunismo na F-1, se é que já não o fizeram.

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Fórmula (3 em) 1

Dia negro para os irmãos Schumacher e Massa

Por Marcelo Cerri

Mais uma belíssima corrida impulsionada pela chuva e sobretudo pelo grande talento da nova geração. Corrida quase perfeita de Button. Destaque para as inúmeras ultrapassagens realizadas pelo sempre agressivo Hamilton e para aquelas sofridas pelo constrangedor Schumacher. Não acredito que o maior vencedor de todos os tempos tenha já passado por uma situação tão difícil em toda sua carreira. É claro que ele não precisa provar mais nada a ninguém, está lá para se divertir. Mas, pelo que conhecemos do alemão, diversão e vitórias para ele são duas coisas indissociáveis, o que coloca em dúvida sua permanência na categoria por mais de um ano. Aposto que haverá uma troca entre Schummy e Raikkonen na próxima temporada, já que o Iceman não vem fazendo nada de muito produtivo no mundial de rally.

Como a maioria dos brasileiros que viram o GP, não gostei nada de ver a ultrapassagem de Alonso sobre Massa que, no primeiro momento, me pareceu desleal e excessivamente agressiva, considerando que são companheiros de equipe, mesmo que tenha ocorrido dentro da regularidade. No entanto, analisando friamente, vemos que a Ferrari se beneficiou muito com aquela manobra. O fato é que o espanhol é mais rápido que o “nosso” Felipe. Além de ter sido superior ao brasileiro em todo o final de semana, Alonso é nitidamente mais eficiente nas ultrapassagens. Caso Massa tivesse entrado primeiro nos boxes, sua inferioridade em efetuar ultrapassagens faria com que a Ferrari perdesse pontos importantíssimos. Alonso fez o que tinha que ter feito e Massa não tem nada o que reclamar. Apesar de muitos de nós termos colocado em Felipe nossas esperanças de ver um brasileiro campeão novamente, temos que ser realistas e reconhecer a superioridade de seu companheiro de equipe. Muitos, no entanto, podem replicar explicando que o problema do brasileiro é pontual: seu modo de pilotagem não permite que os pneus se aqueçam do modo adequado. Ok. Concordo. Mas isso só confirma que Alonso é mais completo e, portanto, superior. A consequência dessa constatação deverá ser, em breve, um claro e justo favorecimento da equipe a Fernando Alonso. Qualquer outra atitude da Scuderia seria um tiro no pé.

Mais uma excelente atuação de Kubica, ainda que discreta. Parece que a Renault não está para brincadeira, mesmo com toda sua indefinição quanto ao futuro. Já a decepção do dia vai para as Red Bull, que pareciam mais uma vez imbatíveis e acabaram fazendo provas medíocres.

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O melhor e o pior

Por Thiago Barros Ribeiro

Durante a fraca chuva que dominou o GP da China, o desempenho de alguns pilotos me obrigou a concentrar a coluna de hoje em duas questões: quem foi o melhor e o pior da pista. Para a primeira disputa, classificaram-se Jenson Button e Lewis Hamilton. Para a segunda, bem menos honrosa, Felipe Massa e Michael Schumacher.

Já foi dito mais de uma vez aqui que Hamilton é mais espetacular do que Button, o que não significa ser melhor piloto. Hoje, o queridinho da Inglaterra protagonizou as imagens durante a transmissão. Ficar para trás após a decisão de trocar os pneus por conta de uma chuva que não se confirmou, logo no início, permitiu a Hamilton fazer mais uma de suas já conhecidas corridas de recuperação, ultrapassando com arrojo e habilidade. Deu gosto de ver.

Enquanto isso, Button também fez o que vamos nos acostumando a ver dele. Professoral na estratégia de se manter na pista, apostando que esta não molharia o suficiente com o chuvisco do começo, foi sóbrio e eficaz. Não apareceu para as câmeras, mas ganhou sem reais ameaças dos adversários. Chegou a 60 pontos na merecidíssima dianteira do campeonato e, não fosse a discutível entrada do carro de segurança no meio da prova, teria aberto mais do que os 11 pontos que ostenta de frente sobre Hamilton, que, sem o reagrupamento dos carros, não passaria de um quarto lugar.

Button foi o melhor.

No extremo oposto, Massa, para variar um pouco, foi péssimo sob chuva. Mesmo com a punição a Alonso, por queimar a largada, não conseguiu em momento algum abrir boa vantagem sobre o espanhol. E, quando ultrapassado, viu o companheiro sumir à frente. Aliás, o único elogio a Massa fica para sua declaração logo após a corrida, quando reconheceu ter errado na última curva antes da entrada para os boxes, permitindo a Alonso se emparelhar e realizar a polêmica ultrapassagem. De fato, ao analisarmos as imagens, percebemos que ambos já vêm dividindo a reta antes da entrada dos boxes – Massa com meio carro à frente, Alonso por dentro. Se ficassem na pista, muito provavelmente o espanhol ganharia a posição. Por isso, não vejo nada de errado em sua atitude, em acordo com o regulamento e que ainda teve o mérito de ir contra a chatice politicamente correta que domina hoje a Fórmula 1.

Pior que Massa, só mesmo Michael Schumacher, que parece ter uma espécie de compulsão pelo protagonismo. Se não consegue ser o melhor, como antes, tem de ser então o pior, papel que vem monopolizando em 2010. Coadjuvante, nem pensar. Hoje, lembrou muito Morgan Freeman, como o calmo chofer de Jessica Tandy em Conduzindo Miss Daisy. Com sua Mercedes que mais parecia uma banheira prateada, conseguiu desperdiçar por completo as duas sacadas estratégicas em que Ross Brawn lhe deu a chance de galgar posições. Viu ainda Nico Rosberg chegar a 50 pontos, contra seus parcos 10, maior diferença entre todos os companheiros de equipe.

Para os adoradores do alemão, deve ser das piores sensações. Para mim, que nunca vi nele todo o brilhantismo que sempre pintaram, está, confesso, bastante divertido.

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Dois mil e trinta

Por Daniel Marchi

E aí Thiago, tudo bem? Tudo tranqüilo com a família? E o Júnior, foi bem no vestibular? Cara… estava aqui vendo algumas imagens do GP da China de 2010. Que corrida! Lembro-me que o GP da Austrália daquele ano, não sei ao certo se foi o GP anterior, também fora sensacional, mas acho que o chinês foi melhor. Foi um chove-e-pára muito parecido com Donington-93.

Button foi soberbo naquele dia. O cara tinha a calma de um enxadrista e a coragem de um operador de bolsa de valores. Será que hoje as pessoas dão o devido valor a ele? Eu não botava muita fé nele não. Recordo que ninguém entendeu ao certo por que ele trocara uma posição confortável na Brawn/Mercedes para dividir equipe com o multi-campeão Hamilton.

Hamilton… putz, esse foi outro que deu show – mais um – naquela corrida. Lembra que o Lewis tinha um capacete parecido com o de Senna? Pois é… eu acho que não era só o capacete que era parecido não. Como era agressivo aquele sujeito.

Nossa! Já tinha esquecido que foi naquele dia que azedou de vez a relação Alonso-Massa. O que o espanhol tinha de talentoso tinha também de encrenqueiro. Mas tenha dó, né? Precisava fazer aquilo na entrada dos boxes com o próprio companheiro de equipe? Fico imaginando se fosse o contrário. Os dois teriam saído no braço ali mesmo.

Outra coisa. O que foi aquela exibição do Alemão? Será que era ele mesmo dentro do carro? Tomou ultrapassagem de todo mundo, de uns caras que não viraram nada depois. Incrível. Não foi à toa que o filho do Keke deu um baile nele em 2010.

Esse GP está no meu hall da fama até hoje. E esse ano, o que você acha que vai acontecer?

Fórmula (3 em) 1

Na segunda prova da temporada, ganhamos um reforço de peso para a coluna. O terceiro elemento da agora “Fórmula (3 em) 1”. Seja bem-vindo, Marcelo Cerri!

A Fórmula 1 agradece

Por Thiago Barros Ribeiro

CORRIDAÇA. O GP da Austrália teve tudo o que uma grande corrida, em qualquer categoria, precisa ter: uma pista que permite ultrapassagens, a estratégia como um dos fatores na receita para a vitória e grandes atuações individuais.

É necessário lembrar que a Oceania há anos se notabiliza por, ao lado de Montreal, Spa e Interlagos, oferecer aos fãs da velocidade as melhores provas da temporada quando se fala em emoção. Mas a deste domingo não foi apenas emoção. Falemos dela por meio dos atores principais.

Jenson Button: o inglês repetiu as atuações brilhantes do início de 2009, que lhe garantiram a taça. Pouco espetáculo, muita eficácia. A decisão de trocar os pneus antes de todo mundo assumiu o risco que apenas os grandes encaram e que os “sábios” de plantão, como Galvão Bueno, não entendem de pronto – aliás, o global destoou do nível da prova, com uma péssima narração. Coloca um monte de interrogações em afirmações como a minha na última coluna, de que é menos piloto do que seu companheiro Hamilton. Certo está que o campeão de 2008 é mais espetacular, mas todas as vezes em que foi chamado a mostrar seu talento  – como hoje, quando tomou olé de Alonso – sucumbiu. Como ser piloto não é apenas dar espetáculo, teremos de esperar mais um pouco para pontificar quem é o melhor entre ambos.

Robert Kubica: o polaco também andou muito. Favorecido pelo ótimo trabalho da Renault no momento das trocas de pneus, manteve-se até o fim à frente das melhores Ferrari, McLaren e Red Bull. Merecia mais carro, talvez a Red Bull de Weber.

Felipe Massa: fez duas corridas. Uma correta, que começou com a belíssima largada e continuou a partir do momento em que a pista secou. Outra abaixo da crítica, enquanto a chuva umedecia o terreno. Ficam duas considerações, que o pachequismo não pode esconder: o brasileiro mais uma vez mostrou ser dos piores quando o assunto é pista molhada e, passadas duas corridas, tomou tempo de Alonso durante praticamente todo o tempo. Se não melhorar rapidamente, o título vai sumir do mapa.

Fernando Alonso: dá toda a pinta de sobrar no grupo. Foi de uma rapidez assombrosa quando teve de se recuperar do incidente com Button e Schumacher no início e, se quisesse ver o circo pegar fogo, poderia ter sido mais Alonso contra Massa. No fim, brindou-nos ao fazer Hamilton e Weber, quase dois segundos mais velozes, dançarem e beijarem-se atrás de si.

Michael Schumacher: pra terminar, o hepta confirmou: não voltou no mesmo nível dos melhores alunos da turma. Hoje, é apenas um daqueles esforçados que passam raspando. Ficou quase toda a corrida atrás de Alguersuari.  Se continuar assim, vai obrigar os adoradores que o colocam indiscutível como o maior de todos a reverem seus conceitos ou a deitarem na cama da incoerência.

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Só pra contrariar

Por Daniel Marchi

Diferentemente de uns e outros que querem transformar a F-1 num circo, não reclamo de GPs (supostamente) entediantes como o do Bahrein. Eles são importantes para valorizarmos provas tão interessantes e repletas de variações como a australiana. Sinceramente não me lembro de outra prova com tantos pilotos “virando a mesa”, no bom sentido obviamente.

Button foi corajoso ao apostar no pneu slick num momento de dúvida para a maioria dos outros pilotos. Mostrou equilíbrio emocional digno de um campeão e fez uma prova impecável. Kubica, correndo por uma equipe que na prática é semi-oficial, livrou-se da confusão na largada e foi consistente o tempo todo. Pode pleitear uma vitória nalguma corrida maluca em 2010. Massa tinha tudo para contabilizar outro resultado inferior ao seu companheiro de equipe. Sustentou o terceiro posto de forma quase milagrosa.

Alonso: muito, muito forte até aqui. Caiu para a rabeira e recuperou-se incrivelmente rápido. Ao contrário de Schumacher – que vem comendo o pão que o tempo amassou – não levou 40 voltas para ultrapassar os carros mais lentos. Se não fosse a queda de rendimento no final, por conta dos pneus, poderia beliscar um segundo posto. GPs assim o fazem credor de mais confiança e apoio da equipe. Felipe arrumou uma sarna enorme pra se coçar… Vettel, coitado, relatou problemas no freio dianteiro esquerdo, o que pôde ser evidenciado pelas imagens da TV. Acreditemos nele. Monza 2008 provou que ele é bom demais na chuva para cometer aquele tipo de erro.

E assim o campeonato começa a acontecer. Claramente as equipes ainda estão desvendando os mistérios da nova dinâmica imposta pelo fim do reabastecimento. Um exemplo disso foi o ritmo forte que Hamilton e Weber desenvolveram ao optarem por uma segunda parada. Se não fossem afoitos na hora errada, teriam superado as Ferrari.

Quem avançar um pouco mais na compreensão do consumo de combustível e desempenho dos pneus colherá bom resultado na Malásia, prova marcada na maioria das vezes por intenso calor e uso extremo da borracha. Provavelmente veremos uma prova mais convencional… só pra contrariar.

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Detalhes de um show

Por Marcelo Cerri

Como nosso estimado blog se propõe, também o obediente colaborador que vos escreve se propõe a discutir sobre coisas mais do belo GP da Austrália. A corrida foi memorável, daquelas que contarei aos meus filhos e netos com muito orgulho. Vivemos um período de grandes pilotos, temos que nos dar conta disso e ficar felizes por termos esse privilégio. Não vejo os ídolos de nossa infância, como Senna, Piquet, Prost e Mansell, como mais geniais que Alonso, Hamilton, Kubica, Massa etc. Mas não pretendo me prender a essas obviedades, há coisas mais a serem discutidas.

O retorno de Schumacher nos deixou eufóricos, mesmo sabendo de todas as dificuldades que encontraria pela sua idade e pelos três anos parados. No entanto estamos tomando a ducha de água fria que já esperávamos. O maior vencedor da história da F1 está evoluindo, no GP da Austrália seu rendimento foi muito semelhante ao de seu companheiro de equipe em termos de tempos. Poderia até mesmo ter se classificado à frente de Rosberg , não fossem os infortúnios em sua volta rápida (o Alemão tem moral para tirar satisfações com Alonso sobre ser atrapalhado em treino classificatório?). Mas ficar 46 voltas atrás de Alguersuari, enquanto aconteciam dezenas de ultrapassagens entre os outros pilotos é algo decepcionante. Esperamos de um heptacampeão ao menos um pouco de agressividade e espírito de luta.

Também chamou a atenção o rendimento no mínimo desastroso de Kobayashi. O japonês da BMW Sauber Ferrari, que nos impressionou em sua estréia na Toyota nas últimas etapas do ano passado, além de não andar à frente de Pedro de La Rosa, sofreu vários acidentes durante o final de semana, culminando com a forte batida nos inocentes Hulkenberg e Buemi, ainda na primeira volta da corrida. O detalhe que me deixa com a pulga atrás da orelha é que nos treinos da manhã de sexta-feira, a asa dianteira da Sauber de Kobayashi simplesmente se espatifou sem qualquer motivo aparente. No acidente de hoje, as imagens que precedem o vôo do japonês sobre os monopostos da Williams e da Toro Rosso mostram que sua asa dianteira já estava embaixo do carro mesmo antes de bater no muro. Asas que se desintegram, molas que voam… será que essas falhas não são frutos da falta de testes?

Falando na proibição dos testes, a FIA e a FOTA terão que resolver o impasse das equipes novas. Simplesmente preencher o grid com monopostos da GP2 não resolve o problema da escassez de equipes. Se eles não testam, não podem evoluir e ficarão o ano inteiro atrapalhando os carros de F1. Mas aí vem aquele raciocínio incômodo: a proibição dos testes teve como objetivo a redução dos custos, que teve como conseqüência a entrada de novos times. Será que os novos times teriam condições financeira de fazerem testes extras?

Marcelo Aguiar Cerri é economista e filósofo, cristão católico, sampaulino, entusiasta de automobilismo e um grande pescador. Nas horas vagas é servidor público.

Fórmula (2 em) 1

Com prazer, acompanhei o início de mais uma temporada de Fórmula 1. Com prazer, anuncio que, em todos os domingos de corrida ao longo da temporada, pintará por aqui a “Fórmula (2 em) 1”, coluna que terei o prazer de dividir com o amigo, também louco de pedra por automobilismo, Daniel Marchi.

A proposta da coluna, por óbvio, será analisar a temporada de Fórmula 1, a evolução do campeonato corrida a corrida. De inovador, o fato de apresentar duas mini-colunas em uma, em que cada autor terá suas linhas para expor idéias e pontos de vista, sejam eles convergentes ou divergentes. Ao final, as duas visões independentes formam um quadro e ampliam as possibilidades de interpretação dos leitores, sob a lógica de que duas mentes pensam mais e melhor do que uma.

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Cara de tri, pinta de tri, jeito de tri

Por Thiago Barros Ribeiro

Muitas coisas podem ser ditas sobre a corrida inaugural da temporada de Fórmula 1 em 2010. Como se previa, o peso das paradas de boxe para a definição de uma prova voltou ao lugar que deve ocupar numa corrida de carros, de coadjuvante por eventuais erros cometidos pelas equipes, ao invés do descabido protagonismo que reinou anos a fio, desde a Era Schumacher. Por falar no alemão, a dificuldade não será apenas para chegar a vitórias, mas também para chegar em seu rival de equipe, o compatriota Nico Rosberg. Chamou a atenção também o tamanho da diferença entre os ingleses Lewis Hamilton e Jenson Button na McLaren, mostra de que o campeão de 2008, a despeito de já ter se mostrado demais vulnerável psicologicamente, é muito mais piloto do que o campeão de 2009.

Isso e muito mais poderia ser dito, como o mérito de a nova pontuação valorizar mais a vitória. Mas meu foco será Fernando Alonso, o qual, para fugir da mesmice do “ainda é cedo” e deitando minha língua levemente sobre as brasas, sai da primeira corrida como favorito destacado ao título, virtual tricampeão mundial.

Explico. Na pista, ficou demonstrado que o equilíbrio dos testes de pré-temporada pode se confirmar nos treinos classificatórios, mas durante as corridas a Ferrari é mais constante do que as rivais. Se a diferença não é absurda, também não é pequena a ponto de se diluir nas primeiras etapas do ano. E a Ferrari não é propriamente uma equipe pequena que corra o risco de ser engolida pelas de trás com o passar dos dias.

Isso coloca a Ferrari como favorita, mas não necessariamente Alonso. O que me faz acreditar que o espanhol vai levar passa por dois outros aspectos, um técnico e outro nem tanto. O técnico: apesar de sair atrás no grid, Alonso foi mais rápido e regular do que Felipe Massa durante a maior parte do fim-de-semana, isso num dos circuitos – ao lado da Turquia e de Interlagos – em que o brasileiro mais se sente em casa, onde reinou em 2007 e 2008 – em 2009, não tinha carro para disputar com a Brawn.

O nem tanto: nas últimas 10 temporadas, desde 2000, em apenas duas o vencedor da primeira etapa não ficou com o título. Em 2003 e 2005, David Coulthard e Giancarlo Fisichella venceram a abertura, na Austrália, mas viram Schumacher e Alonso, respectivamente, ficarem com a taça ao final do ano. Duvido que Alonso permita que o mesmo aconteça em 2010.

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Admirável mundo novo

Por Daniel Marchi

Até as luzes vermelhas se apagarem hoje no Bahrein, a quantidade de dúvidas era enorme. Os testes chuvosos na Espanha revelaram alguma tendência? Com o fim do reabastecimento – Graças a Deus! – como será a dinâmica da corrida? Os pneus terão durabilidade para quantas paradas? Como se comportarão as duplas de Ferrari e McLaren? E Schumacher, como voltará? Essas e mais outras tantas questões.

Entendo que respostas definitivas ainda não vieram, mas os palpites já começam a ficar mais embasados. A corrida mostrou sim as projeções da pré-temporada. Semana passada, diziam que Fernando mostrava um entusiasmo exagerado. Venceu a parada. Hamilton e Button, “temos muito o que progredir”. Verdade. Norbert Haug não contava com pódio na primeira prova. Provavelmente terá de aguardar um pouco mais.

O fim do reabastecimento – Graças a Deus! Não me canso – fez retornar à pista a real e efetiva ação da prova. Não espero corridas mais emocionantes, mas certamente teremos provas mais inteligíveis para o grande público e a certeza de que diminuirão muito aquelas falsas disputas envolvendo carros com ritmos de paradas diferentes. O desafio de acelerar poupando pneus e combustível, bem como pilotar um carro com sensível diferença de peso em cada segmento da corrida, é algo bem interessante. Sem falar na volta das clássicas disputas envolvendo a troca de pneus. Ainda é cedo para uma conclusão definitiva, mas os compostos da Bridgestone mostraram boa durabilidade e aparentemente nenhum piloto teve grandes problemas com eles.

Fernando é Alonso, não é à toa que o cara é bicampeão. Com os problemas de Vettel, ele estava, desculpem o clichê, na hora certa e no lugar certo. A camisa vermelha não pesou nem um pouco. Massa, apesar de fortemente gripado, acompanhou o ritmo do espanhol. Mas… se quer mesmo ser laureado, acompanhar o companheiro de equipe é insuficiente. Na McLaren nenhuma surpresa, Hamilton é mais piloto e ponto final. Pelos resultados dos treinos, pensou-se que Nico iria arrasar Miguel, o que não aconteceu. Mais uma vez, prefiro esperar o fim dessa fase asiática.

De qualquer forma, a expectativa de um grande campeonato permanece. O GP da Austrália, daqui a duas semanas, é tradicionalmente cheio de alternativas.

Por fim, um absurdo. A proibição de testes entre as corridas é uma completa insanidade. Impede, principalmente, que as novas equipes tenham vida digna na pista. Sem falar no risco de acidentes (toc-toc-toc na madeira). Não esqueçamos que o acidente de Massa ano passado foi provocado por uma mola de amortecedor que simplesmente se desconectou de um carro.

Daniel Marchi, 29 anos, é natural de Tabapuã/SP. Economista, fã da Escola Austríaca, funcionário público e residente em Brasília/DF, jura ser inocente de todos esses pecados. Entusiasta de automobilismo e jogador de gamão (alguém mais?), interessa-se especialmente pelos pequenos detalhes que geram grandes histórias.