Balanço das oitavas

Antes tarde do que nunca. A Copa finalmente começou a ter cara de Copa nas oitavas-de-final. Das oito partidas, pelo menos seis foram bastante agradáveis e certamente uma, Alemanha x Inglaterra, entrou para a galeria dos maiores duelos da história dos Mundiais.

Pelo jogo desenvolvido em campo pelos alemães e, principalmente, pelas pataquadas do trio de arbitragem uruguaio, capitaneado pelo lastimável Jorge Larrionda, contra os ingleses. Pataquadas que atingiram o ápice com a não validação de um gol em que a bola ultrapassou clamorosamente a linha.

De toda forma, as falhas da arbitragem não apagam o papelão do English Team na África, menor apenas que os de Itália e França. O comando do sempre elogiado Capello passou longe, muito longe, de revestir os ingleses com o tradicional espírito de luta e de conquista dos italianos. A não ser que estejamos falando do espírito mostrado pela Itália nos gramados africanos. Este sim muito próximo do britânico. Fiasco.

No mais, Argentina, Holanda e Brasil tiveram jogos relativamente tranquilos. Nenhum deles precisou de muito esforço para superar, respectivamente, México, Eslováquia e Chile, embora os hermanos tenham contado com uma ajuda extra, e desnecessária, de Roberto Rossetti e seus auxiliares, que vieram para coroar a passagem vergonhosa dos italianos pela Copa.

Uruguai e sobretudo Gana e Paraguai se viram obrigados a suar muito mais para mandarem, pela ordem, Coreia do Sul, Estados Unidos e Japão de volta aos seus lares. Uruguai e Gana poderiam ter passado com maior folga, mas um inexplicável defensivismo alimentou os adversários e dificultou o caminho. Já o Paraguai foi incapaz de furar o eficaz sistema de destruição nipônico. O sofrimento foi até os pênaltis.

Por fim, a Espanha, contra Portugal, continuou melhorando o nível do seu jogo. O meio-campo da Fúria consegue fazer os adversários de bobos, correndo atrás de uma bola que parece fugir dos seus pés, enamorada pelo bom tratamento oferecido a ela pelos espanhois.

Nas quartas, a Espanha tem diante do Paraguai um caminho que parece mais fácil. Os outros três jogos primam pelo equilíbrio e são de prognóstico muitíssimo complicado. Holanda e Brasil terão um no outro o primeiro grande teste no Mundial. Argentina e Alemanha têm boas chances de protagonizarem outro confronto para a história das Copas. Uruguai e Gana decidem quem será a surpresa das semis.

Um último ponto merece menção, em meio ao clima de glorificação ao futebol sulamericano, com quatro representantes entre os oito melhores da Copa. Os elogios são sim plenamente justos, afinal houve até agora um único revés do subcontinente americano diante de outras regiões do globo, do Chile para a Espanha. Porém, a verdade é que o desempenho demonstrado até aqui não significa nada para o futuro do torneio.

Não significa, por exemplo e como alguns andam dizendo, que o campeão será sulamericano nem muito menos que as semifinais serão uma mini Copa América. Prova disso são os Mundiais de 1994 e 2002, nos quais o único sulamericano nas quartas era o Brasil – em 94, os outros sete eram europeus e, em 2002, eram quatro europeus, Estados Unidos, Coreia do Sul e Senegal – e o resultado todos sabemos qual foi.

Brasil e Argentina, claro, têm plenas condições de conquistarem a Copa. Assim como têm Alemanha, Espanha e até Holanda. Portanto, pés no chão.

Seleção Coisas Mais das oitavas: Kingson (GAN); Ramos (ESP), Juan (BRA), Fucile (URU); Ramires (BRA), Xavi (ESP), Prince Boateng (GAN); Ozil (ALE); Villa (ESP), Klose (ALE), Suarez (URU). Técnico: Joachim Loew (ALE).

Jogador Coisas Mais: Villa (ESP)

Melhor seleção: Alemanha

Seleção Coisas Menos das oitavas: James (ING); Osorio (MEX), Fuentes (CHI), Yong Hyung Cho (COR); Ricardo Costa (POR), Mensah (GAN), Clark (EUA), Van der Wiel (HOL); Benitez (PAR), Dong Gook Lee (COR), Rooney (ING). Técnico: Fabio Capello (ING).

Jogador Coisas Menos: Clark (EUA)

Pior seleção: Chile

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