A intervenção, o comunismo… quantas saudades da Copa!

Lembram-se da história da proibição das coxinhas nas escolas, que rendeu a postagem mais polêmica da curta existência deste blog, em que se defendia o direito de cada um saber o que é melhor para si próprio e arcar com as consequências de seus próprios atos?

Pois é, a cada dia fica mais latente a falta de espaço para pessoas com esse tipo de pensamento no Brasil. O espaço para o livre arbítrio diminui à medida que senhores da razão sabem o melhor para toda a sociedade, até mesmo em assuntos puramente individuais. São, afinal, oniscientes.

A última da escalada intervencionista, dominante nos quatro cantos governamentais do país, é o projeto de lei encaminhado hoje pelo presidente Lula ao Congresso, que proíbe os pais de castigarem fisicamente os seus filhos. Em outras palavras, coloca na ilegalidade a boa e velha palmada.

Antes que surjam os defensores dos direitos humanos, da criança e do adolescente com um porrete na mão, saliento que não se é aqui favorável à crueldade, seja em filhos, seja em avós, seja em animais.  Apenas seres pouco favorecidos mentalmente aplicam esse tipo de tratamento a alguém e devem ser punidos.

Daí a proibir aquele tapinha na mão da criança que, no clima da Copa, resolve seguir o exemplo do técnico alemão Joachim Löw e coloca o inocente dedinho dentro do nariz e depois na boca, vai uma distância continental.

O mais triste de tudo isso é que, travestidas das famosas boas intenções, que existem aos montes no inferno, regulamentações desse tipo vão pipocando aqui e acolá quase sempre sob o aplauso da grande massa. E o espaço para a liberdade vai, ao mesmo tempo, direcionando-se a passos cada vez maiores e mais rápidos à bandeirinha de escanteio.

Não é demais, posto que oportuno, relembrar passagem do Manifesto Comunista a respeito do tema educação familiar. Em defesa da abolição da família, eis que surge:

Acusai-nos de querer abolir a exploração das crianças por seu próprios pais? Confessamos este crime.  Dizeis também que destruímos os vínculos mais íntimos, substituindo a educação doméstica pela educação social.

Qualquer semelhança com a lei anti-palmadas não deve ser mera coincidência. É exatamente este o “edificante e desapegado” ideal por trás da tara intervencionista: “vamos guiar toda a sua vida, mas não se preocupe, é por uma boa causa, é para o seu bem.” E ainda com a sempre presente pitada de sentimentalismo barato: “podem nos crucificar por esse crime, vamos ao calvário pela felicidade e pela libertação de nosso povo.”

O mais intrigante é como esse tipo de coisa ainda ganha e comanda tantas mentes pretensamente pensantes mundo afora. Que permeie os pensamentos dos donos do poder e de determinados grupos políticos é até bastante razoável, levando-se em consideração que a força-motriz por trás da maioria de suas atitudes é justamente a busca por mais e mais poder.

Agora, que agrade e convença pessoas meramente bem-intencionadas é realmente um bom caso para estudo. Sociológico, talvez. De marketing, certamente.

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Estranho país

Estranho o país em que se luta mais pelos direitos dos outros do que pelos próprios direitos.

Estranho o país em que se engaja mais numa votação de reality show do que na votação para presidente da República.

Estranho o país em que se julga mais pela aparência do que pelo conteúdo.

Estranho o país em que é mais vantajoso ser um ator bonito e sem talento do que talentoso e sem beleza.

Estranho o país em que José, cantor famoso, é excêntrico, e José, pedreiro pobre, é louco.

Estranho o país em que se joga lixo na rua e se reclama dos bueiros entupidos.

Estranho o país em que se elogia o Bolsa-Família mas não se adota uma criança.

Estranho o país que critica a eutanásia, mas defende o aborto e o sacrifício de animais.

Estranho o país que ajuda estrangeiros e se mantém necessitado.

Estranho o país que ri da própria desgraça e se contenta com a própria miséria.

Estranho país.