Leiam!

Ler faz bem. Mais para a alma do que para o corpo. E o mundo está com muito corpo para pouca alma ultimamente. Treinemos, pois, ela, a alma.

A seguir, três dicas de leitura. Nenhum lançamento, nenhum best-seller, nenhum que reescreve a história da humanidade, nenhuma auto-ajuda. Simplesmente obras que merecem ser lidas em algum momento da vida.

O Chalaça (1999)

Com uma escrita criativa, despojada, engraçada e cativante, José Roberto Torero consegue manter a atenção do leitor ao longo de todo o romance, que narra as aventuras e desventuras de Francisco Gomes da Silva, o Chalaça, conselheiro do imperador D. Pedro I.  Misturando fatos históricos com passagens ficcionais que, em se tratando de Brasil, bem que poderiam ser todas verdades, o livro utiliza as personagens, destacadamente D. Pedro e o próprio Chalaça, para explorar traços marcantes do nosso povo, como o famoso jeitinho brasileiro. Se deveríamos nos orgulhar ou nos envergonhar dessas características é outra história. Fato é que elas estão lá e garantem boa diversão ao longo de 228 páginas.

A volta do poderoso chefão (2006)

Para aqueles que, como eu, são fãs incondicionais do Poderoso Chefão, este livro do norte-americano Mark Winegardner é obrigatório. As lacunas temporais deixadas por Mario Puzo na obra original, de 1969, são preenchidas com um estilo detalhista e muito bem tramado, por meio do qual Winegardner desvenda fatos importantes sobretudo para o entendimento da trajetória e das atitudes de Michael Corleone (Al Pacino no cinema). Como foi sua infância e a relação com Don Vito? O que o levou a sangrar aquilo que mais prezava, a família, atingindo o irmão Fredo? Até onde chegavam os seus contatos com o alto escalão político dos Estados Unidos e quais as estratégias para, oculto, se fazer prevalecer? Todos os valores e a essência maquiavélica de Michael, que encontra um rival à altura ao longo do enredo, desenvolvem um grande romance, que se destaca ainda por explorar as ligações dos Kennedy e de Frank Sinatra com a máfia.

Teatro Completo – Nelson Rodrigues (2004)

Esta série em quatro volumes reúne as 17 peças compostas por Nelson Rodrigues em sua carreira, divididas de acordo com a temática das peças (psicológicas, míticas e tragédias cariocas I e II). O estilo rodriguiano, visceral e polêmico por natureza, aparece em carne viva e torna a leitura dinâmica, contagiando o leitor com aquele espírito de “como será que termina?” que, na maioria das vezes, o leva a ler toda a peça num mergulho só. Na maioria porque, em algumas peças, como “Dorotéia”, os devaneios do anjo pornográfico vão um pouco além, exigindo atenção redobrada ao seu mundo fantástico. As críticas à sociedade carioca (microcosmo da brasileira) de seu tempo recheiam as obras, com uma profusão de casos de adultério e incesto que, via de regra, contrapõem a força feminina (pólo dominante) à fragilidade masculina (pólo dominado). Não bastasse, a série ainda apresenta fotos das montagens realizadas para cada uma das peças, com grandes atores brasileiros, o que enobrece um pouco mais os volumes.

Boa leitura!

Nelson Rodrigues, Hamlet e coisas mais…

O “Coisas mais…” foi criado para falar sobre tudo o que se possa imaginar. Sobre as coisas mais vis e as mais sofisticadas. Sobre o rotineiro e o inesperado. Sobre o acaso e o destino. Às vezes tudo ao mesmo tempo. A única regra neste espaço será buscar sempre aquilo que normalmente não é falado sobre as coisas. Buscar as coisas mais…

Porque em tudo o que lemos, em tudo o que fazemos, em tudo o que vivemos, sempre há um lado que fica oculto, com ou sem intenção. Sempre há algo mais no “etc.”

A palavra engasgada que impediu a conquista, o lado não investigado que distorceu a notícia, os interesses ocultos que direcionam as palavras e as atitudes na política, na mídia, em cada um de nós. É mais ou menos isso que será encontrado no Coisas Mais.

Polêmicas são bem-vindas! Afinal, o mundo “real” é feito de menos verdades e de mais preconceitos do que se imagina e o consenso, na maioria das vezes, é sinônimo de falta de informação de pelo menos uma das partes.

Nelson Rodrigues num momento inspirado declarou que “toda unanimidade é burra”. Shakespeare, pela boca de Hamlet, o louco herdeiro do reino da Dinamarca, proferiu que “há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha nossa vã filosofia”. Bela dupla de autores para serem os patronos deste espaço e conjunção perfeita de frases para guiar o caminho que será percorrido daqui em frente.

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