Rankings Estaduais dos Clubes Brasileiros – I

Os rankings estaduais são a grande novidade do sistema de classificação dos clubes brasileiros que vem sendo apresentado neste espaço nos últimos dias. Isso porque, em vez de fazer a contabilização absoluta dos pontos conseguidos pelas equipes nos torneios estaduais, relativiza a soma de cada uma, o que traz dois principais benefícios.

O primeiro é evitar que a pontuação conseguida por determinada equipe em seu respectivo torneio estadual, com pouca disputa interna, coloque-a numa falsa posição de destaque no ranking geral, à frente de times com maior tradição nacional, mas também maiores dificuldades para colecionar vitórias em torneios estaduais mais disputados.

O segundo é levar em consideração a taxa de produtividade alcançada pelas equipes ao longo de suas histórias de participação em torneios estaduais, algo totalmente negligenciado pelos rankings tradicionais. De fato, muitas das disputas estaduais começaram antes do início das atividades de alguns clubes, o que, nos rankings usuais, dá uma vantagem aos times mais antigos que nada tem a ver com maior competência perante os rivais.

Como exemplos, o Campeonato Paulista foi disputado pela primeira vez em 1902, mas o São Paulo só entrou em campo pela primeira vez em 1930; o Carioca começou em 1906, mas o Vasco estreou nos gramados em 1916; o primeiro Campeonato Mineiro data de 1915, seis anos antes da estreia cruzeireinse; e o Bahia iniciou suas atividades em 1931, 26 anos depois do primeiro estadual da boa terra.

A forma de elaboração da classificação estadual relativizada pode ser sumarizada em três passos:

1. Calcula-se dois coeficientes de produtividade para cada equipe, o coeficiente de campeão (total de conquistas estaduais multiplicado pela pontuação relativa ao campeonato e dividido pela idade da equipe) e o coeficiente de vice (total de vices estaduais multiplicado pela pontuação relativa ao vice e dividido pela idade da equipe). Via de regra, considera-se como marco zero para a idade das equipes o início de suas atividades futebolísticas. Todavia, caso o clube tenha começado no futebol antes do início de seu respectivo estadual, o primeiro ano de disputa do torneio se transforma no marco zero;

2. Multiplica-se o coeficiente de campeão pelo número de conquistas estaduais e o coeficiente de vice pelo número de vices estaduais;

3. Soma-se o resultado dos dois produtos anteriores, chegando-se à pontuação total da equipe em torneios estaduais.

A pontuação para os estaduais leva em conta dois fatores: a dificuldade de conquista, representada pelo número de equipes em condições reais de serem campeãs; e o desempenho nacional e internacional das equipes participantes dos torneios, representado pela soma de seus títulos. Com isso, o estadual de São Paulo é o que oferece maior pontuação (20 pontos para o campeão, 10 para o vice), seguido pelo do Rio de Janeiro (17 pontos para o campeão, 8 para o vice), e pelos de Minas Gerais e Rio Grande do Sul (14 pontos para o campeão, 6 para o vice).

Todos os demais premiam o campeão com 10 pontos e o vice com 4. Vale frisar que a pontuação de cada estadual não necessariamente é fixa. Se os times de um estado aumentam suas conquistas nacionais e/ou internacionais, o respectivo estadual pode passar a valer mais pontos, acontecendo o contrário caso as equipes sofram períodos de estiagem de títulos.

O Corinthians, time com mais conquistas paulistas (25), lidera a classificação estadual de São Paulo, com 173,03 pontos e pequena vantagem sobre São Paulo (21 títulos, 165,38 pontos) e Palmeiras (22 títulos, 157,58 pontos). Depois do Trio de Ferro, em vez do Santos, aparece o Paulistano (126,67 pontos), que encerrou suas atividades futebolísticas em 1929, depois de 27 anos arrasadores, com 11 campeonatos estaduais. Ao privilegiar a produtividade, o sistema de classificação coloca o clube, que teve em suas fileiras o lendário Friedenreich, em merecido lugar de destaque. Em quinto, o Santos (18 títulos, 75,15 pontos) fecha a classificação paulista – o sistema classifica apenas equipes com pelo menos cinco conquistas estaduais.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O rei do Rio de Janeiro é o Flamengo, com suas 31 conquistas e 235,36 pontos, mais de 50 de vantagem sobre o Fluminense (181,04). Embora com apenas um título a menos, o Tricolor das Laranjeiras fica para trás por ter menos vices e ter disputado mais campeonatos. Vasco (22 títulos, 132,55 pontos), Botafogo (18 títulos, 81,24 pontos) e América (7 títulos, 11,78 pontos) completam a classificação.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Galo manda no terreiro das Minas Gerais. Com 40 títulos e 33 vices, tem 304,57 pontos, quase 60 de vantagem sobre o Cruzeiro (35 títulos, 245,55 pontos), apesar de ter disputado mais campeonatos. América, com seus 15 títulos e 45,54 pontos, e Villa Nova (5 títulos, 5,26 pontos) fecham a lista.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No Rio Grande do Sul, o Internacional mantém uma vantagem relativamente pequena sobre o Grêmio (39 a 36 em conquistas, 260,37 a 237,36 em pontos). Para alegria dos colorados, a realidade estadual incrivelmente se repete em todos os segmentos do ranking. Tanto no Geral quanto no Nacional e no Internacional, o Inter sempre aparece imediatamente à frente do Grêmio, ainda que sempre por uma margem pequena. Outro fator interessante da classificação gaúcha é que apenas no campeonato farroupilha nenhum outro time tem conquistas suficientes para ser classificado. Domínio total da dupla GreNal.

 

 

 

 

 

 

 

Amanhã, os estaduais restantes: Bahia, Paraná, Ceará, Pernambuco, Goiás, Santa Catarina, Alagoas e Pará.

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