Beber o defunto

Por Daniel Marchi

Conforme uma antiga tradição interiorana, praticamente já extinta, para se suportar uma longa madrugada de velório as pessoas consumiam pequenas doses de aguardente, sempre cabisbaixas e sem algazarra. Dizia-se que os presentes estavam velando e “bebendo” o defunto. Este era, mais ou menos, o clima do pódio do GP da Alemanha. As champanhes jorravam e os sorrisos amarelos se abriam apenas para cumprir um protocolo. E só.

De fato, a prova não merecia o dito velório. Uma largada bem interessante e disputas apertadas  vinham compondo um bom roteiro. De modo entusiasmado discutíamos o consumo de pneus, a técnica de pilotagem de acada um, etc etc. Dada a dificuldade do campeonato e a intensidade da corrida, já aguardávamos o verdadeiro carnaval que o vencedor faria depois da quadriculada.

Mas não houve carnaval. Não aconteceu porque a Ferrari resolveu, de novo, apequenar-se. A dobradinha aconteceu e os pontos estão no bolso, a despeito de os admiradores do automobilismo (e pior, da equipe também!) vislumbrarem aquele pódio e sussurrarem ao término de uma profunda respiração: que merda.

Ah… mas e o defunto, quem é? Escolham.
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