Alemanha x Espanha: prévia

Uma análise baseada pura e simplesmente nos dois últimos jogos de Alemanha e Espanha daria um favoritismo até destacado aos alemães na semifinal de hoje. Sobre a Inglaterra e, sobretudo, sobre a Argentina, os comandados de Joachim Löw se impuseram com uma autoridade que contrasta com a dificuldade dos espanhóis frente a portugueses e, principalmente, paraguaios.

Mas a análise deve ser um pouco mais profunda do que isso. Se, por um lado, o jeito espanhol de tomar as rédeas do jogo parece se encaixar perfeitamente àquilo que os germânicos mais gostam – fecharem-se para dar o bote mortal em rápidos e eficazes contra-ataques -, por outro há algumas diferenças fundamentais entre a Espanha e os rivais da Alemanha nas fases anteriores.

A mais sobressalente está no domínio de bola. Os ibéricos têm uma capacidade muito maior do que ingleses e argentinos se manterem com el balón. É muito mais difícil roubar a bola da Espanha do que da previsível Inglaterra ou da insegura Argentina. Não que seja impossível, por óbvio. Mas apenas isso já deverá aumentar em boa medida as dificuldades alemãs em Durban.

Além disso, a defesa tricolor ainda me parece frágil e não suficientemente testada. Acreditava-se que esse teste ocorreria com a Argentina, mas o baile não permitiu. Baile, aliás, que encontra explicação principal no brutal desequilíbrio entre Joachim Löw e Maradona, que certamente não existe entre Löw e del Bosque.

Para se ter uma medida da fragilidade de que se fala, as estatísticas da FIFA colocam Neuer, o goleiro alemão, como o mais exigido entre os semifinalistas. Até agora, porém, as exigências foram os chutes mal saídos dos pés de Rooney e Higuaín. Os de Villa parecem estar um pouco melhores.

Ademais, o banco de reservas da Espanha é o melhor da Copa. Em caso de situação adversa, Vicente del Bosque olha para ele com esperança enquanto Capello e Maradona, em boa parte por culpa deles próprios, miravam os seus com desânimo.

Por fim, a ausência de Thomas Müller deverá ser bastante sofrida pela Alemanha, justamente por não ter ela o banco que tem o seu adversário de hoje. Seja quem for o substituto, é difícil imaginar que consiga desenvolver como Müller os golpes e contragolpes germânicos. Desenvolvimento tanto maior à medida que Müller, Klose e Schweinsteiger se conhecem de outros carnavais, leia-se, dos treinos diários no Bayern de Munique.

Tudo isso para mostrar que o jogo não será tão fácil para a Alemanha como alguns andam pintando. Mas não para colocar a Espanha como favorita. A Fúria também apresenta uma defesa que ainda dá calafrios em seus torcedores e um ataque que sobrevive até agora unicamente dos lampejos de Villa. Precisa, e tem potencial, para mais do que isso.

Um último fato, desconhecido para mim até ontem e cujo significado não pode ser menosprezado. Gerd Wenzel informou no Fora de Jogo, da ESPN, que a Jabulani foi utilizada em todo o segundo turno do Campeonato Alemão. Considerando que todos os jogadores da Alemanha atuam em casa e a dificuldade que todos na África têm tido com a indefesa pelota, a importância desse aparente detalhe pode sim ter tamanho suficiente para desequilibrar em favor dos germânicos um torneio tão equilibrado. Será que assim tem sido? Será que assim será até o fim?

De tudo, resta uma certeza: jogo equilibradíssimo. O palpite, mais na intuição, é Espanha classificada.

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