Uruguai 2 x 3 Holanda

A análise feita hoje mais cedo para Uruguai x Holanda confirmava-se plenamente até os 30 minutos do primeiro tempo. A Holanda, com relativa tranquilidade, dominava o jogo e já vencia os uruguaios com um golaço de Van Bronckhorst.

A partir daí, os rumos da partida passaram por uma espécie de tornado. Talvez premidos pela tal confiança excessiva, os holandeses se deixaram submeter à marcação sulamericana e o Uruguai passou a conseguir fazer algo não propriamente típico de seu jogo: trocar passes. Numa saída pelo meio, Forlán aprontou mais uma das suas e empatou, entornando ainda mais o caldo laranja.

No segundo tempo, os celestes voltaram melhor. Chegaram a alimentar fortes expectativas de classificação à final, mas, num lance aparentemente sem futuro, Sneijder recebeu na entrada da grande área e mandou para o gol. A bola seria defendida por Muslera, mas desviou num defensor uruguaio e se tornou inalcançável. Ainda houve os que reclamassem um possível impedimento de Van Persie, que, em posição irregular, teria atrapalhado a tentativa de defesa do arqueiro celeste. Discordo do argumento. Primeiro, porque a posição de Van Persie era duvidosa e, na dúvida, deve prevalecer o ataque. Segundo, porque a presença do atacante holandês ali não alterou em nada o comportamento de Muslera no lance. Nada teria mudado se ele ali não estivesse. Muslera não chegaria na bola. Portanto, gol legal.

Os uruguaios ainda se recuperavam do baque quando veio o terceiro, em cabeçada de Robben. Tudo totalmente definido, certo? Nem tanto. Num último e honroso esforço, o Uruguai descontou com Maxi Pereira aos 46 e ainda impôs uma surpreendente pressão nos minutos finais. Quase deu.

A Holanda voltou a apresentar o jogo apenas para o gasto que a tem caracterizado na Copa. Exceção feita ao segundo tempo contra o Brasil, foi este o jogo que a garantiu numa posição que não alcançava desde 1978. Chega com pinta de azarão na final, seja quem for o rival, mas está de parabéns. Com todos os méritos.

O Uruguai ainda tem a disputa de terceiro lugar no sábado, mas desde já marca sua passagem pela África com inegáveis brilhantismo e superação. Quem poderia enxergar na pouco celebrada seleção a melhor da América do Sul na Copa? Ensinou ao Brasil como se perde bonito, se é que isso é possível. Como disse o competente Oscar Tabarez após o jogo, “se existisse uma forma de se escolher como perder, provavelmente escolheríamos o que aconteceu hoje”. Poderia Dunga dizer o mesmo?

No bolão, poucos haviam apostado na semifinal entre Holanda e Uruguai e também poucos vislumbrado a seleção laranja na final. Com isso, e em linha com a proposta idealizada pelo jogo, não muitos pontuaram com a partida de hoje, mas os que o fizeram conseguiram um bom salto na tabela de classificação. A disputa segue acirrada, mas cada vez com menos combatentes. Como a Copa.

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Uruguai x Holanda: prévia

De um lado, um time que já chegou mais longe até do que os mais otimistas poderiam apostar. Este é o Uruguai, que planejava como ponto máximo de sua passagem pela África uma honrosa aparição nas quartas. E chegou às semifinais. Claro, em sonhos nunca se deixa de acreditar no impossível, mas, com os pés fincados na realidade, chegar entre os quatro melhores era muita areia para o caminhãozinho celeste.

Do outro, uma equipe que não se cansou de afirmar, antes da Copa, que não poderia haver outro objetivo para uma seleção que ostenta a maior invencibilidade do mundo atual que não o título mundial. Esta é a Holanda. Vista com desconfiança pela maioria, menosprezada no duelo diante do Brasil, a Laranja passou quatro jogos e meio com um jogo não além do medíocre suficiente. Apenas na etapa derradeira do confronto com os brasileiros, quando foi preciso, mostrou o futebol ainda guardado. As garrafas vazias para vender de que se falara aqui, as quais poucos acreditaram que pudessem existir. Existiam.

O contexto indica, pois, que o confronto de logo mais deverá opor um Uruguai satisfeito com sua campanha a uma Holanda sedenta pela glória que sempre bateu na trave. Some-se a isso o fato de que os dois desfalques uruguaios, Suárez e Lugano, fazem uma falta imensamente maior ao time sulamericano do que De Jong e, principalmente, Van der Wiel, as ausências holandesas, fazem aos europeus. Sem Suárez, o ótimo Forlán não deverá ter com quem desenvolver suas jogadas decisivas e, sem Lugano, a defesa uruguaia perde o seu xerife, que comanda e mantém aos berros os soldados sempre a postos.

Por fim, é sempre importante destacar o moral que se conquista ao se eliminar o Brasil de uma Copa. Bem ou mal, a seleção brasileira é sempre vista como um gigante do futebol. Quando um time consegue prostrá-la, como fez a Holanda, a confiança vai às alturas e tende a ajudar nos próximos degraus.

O único risco é a confiança crescer tanto a ponto de se tornar excessiva, transformando-se num salto 15. Não acredito. A aposta é em vitória holandesa no tempo normal.

Bolão e balanço das quartas

Pronto! Demorou, mas cá estou de volta. A viagem a BH teve lá seus percalços, é verdade, mas isso não vem ao caso. Vamos logo ao que interessa: O BOLÃO!

Dada a descomunal expectativa de todos os apostadores pelos resultados atualizados, vou inverter a ordem habitual das postagens da Copa. Primeiro passarei a evolução da classificação do bolão e depois farei um breve balanço das quartas, com pitacos sobre os jogos e as seleções.

Nenhum de nossos apostadores acertou os quatro classificados para as semifinais. Pouquíssimos acreditaram que a Holanda passaria pelo Brasil e com isso, já ao fim do primeiro jogo das quartas, eram poucos os que poderiam fazer 100%. Poucos que sucumbiram no dia seguinte, quando a Alemanha eliminou a Argentina, que praticamente monopolizava os palpites.

Cinco jogadores acertaram três dos quatro semifinalistas e subiram bastante depois de encerradas as quartas. Além disso, saem em vantagem para a reta final, com maiores possibilidades de avançar ainda mais até o dia do julgamento final: o próximo domingo.

Confiram a classificação ao final da postagem e passemos ao balanço dos jogos das quartas.

Holanda 2 x 1 Brasil

O escrete canarinho fez um primeiro tempo próximo ao ideal. Saiu na frente e poderia ter aberto mais, embora não tenha desperdiçado reais chances. No início do segundo tempo, o “melhor do mundo” Júlio César falhou e o gol não mais que fortuito da Holanda deixou, inexplicavelmente, o time brasileiro em frangalhos. Parecia haver não um empate mas sim uma goleada a ser revertida. Dali em diante o que se viu foi um baile holandês, facilitado pelo desespero de peças como Felipe Melo e Robinho. Com lances dignos daquelas peladas em que o jogo está tão fácil, mas tão fácil, que um time fica brincando diante do goleiro em vez de chutar ao gol, a Holanda poderia ter imposto ao Brasil uma humilhação nunca antes vista em Copa. O 2 a 1 ficou baratinho, baratinho.

O resultado deixa lições. 1. Comprova a opinião, entre elas a deste blog, de que a convocação de Dunga foi péssima, deixando o time absolutamente sem opções de gabarito para lutar contra um resultado adverso; 2. Deixa latente a total falta de preparo psicológico da equipe, algo não muito surpreendente para um time comandado por alguém que, quando levantou a taça do mundo, em vez de celebrar a conquista mandou todos àquele lugar. A mim ficou a nítida impressão de que todos ali estavam tão certos de que seriam campeões que, à primeira ameaça de revés, perderam o chão por completo. Inadmissível; 3. Mostra que não é o fato de fazer da preparação um circo, como em 2006, ou um quartel general, como agora, que faz um time ser campeão. Isso é o de menos. O que importa é ser o mais preparado para vencer. E isso a seleção brasileira não era; 4. Pela enésima vez, joga na cara dos pachecos que não existe lugar para afirmações levianas em Copas. A da vez era que a Holanda era fueguesa do Brasil em Mundiais. Nada mais surreal. Nos três jogos anteriores ao da última sexta, era uma vitória holandesa, uma brasileira com a ajuda da arbitragem e uma decisão nos pênaltis, mais uma vez graças ao apito amigo do Brasil, com vitória brasileira. Que freguesia é essa?

Uruguai 1 (4) x (2) 1 Gana

Jogo mais emocionante da Copa. Disparado. O modo como o duelo se desenvolveu foi curioso. Um time dominava por completo as ações durante uns 20 minutos e, de repente, sem mais nem menos, o domínio passava na mesma proporção para o outro lado. Desse jeito, o resultado só poderia ser mesmo o justo 1 a 1 no tempo normal.

Na prorrogação, as equipes apresentavam mais medo de perder do que vontade, e preparo físico, para vencer. Até que nos últimos 5 minutos Gana resolveu partir pra cima. A pressão terminou numa confusão na área, em que Suárez salvou por duas vezes seguidas o gol africano. As duas vezes em cima da linha. A segunda com a mão. O pênalti e a expulsão de Suáreaz marcavam o sofrido adeus do guerreiro Uruguai. Mas Gyan mandou a bola no travessão e a decisão se postergou um pouco mais. À disputa final da marca do pênalti chegaram um Uruguai ressuscitado e uma Gana semi-nocauteada. O resultado só poderia ser o que foi.

E ficou Gyan estatelado no chão. Chorando desesperadamente. Triste demais. Imagem mais comovente do Mundial.

Argentina 0 x 4 Alemanha

Um passeio germânico. Não houve um momento sequer em que os comandados de Maradona fizessem cócegas nos europeus. Deve ter até dado uma certa vergonha naqueles que bradavam aos quatro cantos o domínio sulamericano em gramados africanos. Como se dissera aqui, a afirmação era precipitada. Dito e feito.

A Argentina de Maradona, assim como o Brasil de Dunga, mostrou que, na hora de a onça beber água, é preciso ter um treinador à beira do campo. Coisa que D. Diego e o colega brasileiro decididamente não são. Pelo menos não ainda. Do outro lado, de modo diametralmente oposto, Joachim Löw, este sim, um grandíssimo treinador. Depois do chapeú sobre Capello, o atropelamento sobre Maradona.

Paraguai 0 x 1 Espanha

Há poucos dias, afirmou-se aqui que se a Espanha conseguisse sair logo à frente do Paraguai, deveria construir uma fácil vitória. Mas, se não fizesse no primeiro tempo, as coisas se complicariam. Foi o que aconteceu. A defesa paraguaia foi muito bem em seu objetivo de não deixar a Espanha jogar. E os ibéricos mais uma vez sentiram falta do Torres de outrora. Um pênalti perdido para cada lado – o da Espanha depois de a cobrança ser repetida, algo com o que, por princípio, não concordo – e eis que surgiu o salvador de sempre na passagem espanhola pela África: David Villa, dessa vez ajudado por uma grande jogada de Iniesta. O suficiente para a classificação inédita.

E o Paraguai saiu de campo com uma cabeça muito mais erguida do que a brasileira. Ou a argentina.

Seleção Coisas Mais das quartas: Casillas (ESP); Lahm (ALE), Friedrich (ALE), Ooijer (HOL); Khedira (ALE), Iniesta (ESP), Schweinsteiger (ALE), Sneijder (HOL), Müller (ALE); Forlán (URU), Klose (ALE). Técnico: Joachim Löw (ALE).

Jogador Coisas Mais:  Schweinsteiger (ALE)

Melhor seleção: Alemanha

Seleção Coisas Menos das quartas: Júlio Cesar (BRA); Otamendi (ARG), Demichelis (ARG), Mensah (GAN), M. Bastos (BRA); Mascherano (ARG), Felipe Melo (BRA), Cavani (URU); Tevez (ARG), Cardozo (PAR), Luis Fabiano (BRA). Técnico: a dupla Dunga (BRA)/Maradona (ARG).

Jogador Coisas Menos: Felipe Melo (BRA)

Pior seleção: Argentina

Por que não o Torneio da Consolação?

Hoje sinto um vazio. Depois de quase 20 dias com pelo menos dois jogos diários, está sendo das coisas mais difíceis sobreviver sem uma partidinha sequer da Copa. E pensar que amanhã o martírio continua…

Melhor pensar em outra coisa. Melhor pensar numa solução para os dias sem jogos. A mais simples seria distribuir os jogos das quartas diariamente, em vez de concentrá-los entre sexta e sábado. Porém, essa alternativa seria injusta com os times que jogassem depois. Teriam menos tempo de descanso. É correto, pois, fazer os jogos de adversários futuros no mesmo dia.

Mas isso não é motivo para tristeza. Há sim uma solução para os dias sem jogos. O Torneio da Consolação! Seria um certame disputado pelas seleções eliminadas ao longo das fases, para determinar cada uma das posições na Copa. Nada mais justo, afinal algumas equipes fazem campanhas piores do que outras não por serem de fato piores, mas por darem o azar de pegar grupos mais fortes pelo caminho. O Torneio da Consolação (TC) resolveria isso.

Para não obrigar os jogadores a um esforço excessivo para alguém que já perdeu as chances de título, o TC contaria com regras especiais, inspiradas nos Torneos de Verano argentinos, devidamente adaptadas em nome da emoção. Cada jogo teria 45 minutos e, em caso de empate, iria direto para a disputa de pênaltis. Se um time abrisse uma vantagem de dois gols durante o tempo regulamentar, seria imediatamente considerado vencedor por nocaute.

Com regras como essas e a tabela abaixo, construída a partir dos pontos conquistados por cada seleção na Copa, o TC seria garantia de sucesso. Confiram:

9º lugar: Japão x Estados Unidos

11º lugar: Chile x Portugal

13º lugar: Inglaterra x México

15º lugar: Coreia do Sul x Eslováquia

17º lugar: Costa do Marfim x Eslovênia

19º lugar: Suíça x África do Sul

21º lugar: Austrália x Nova Zelândia

23º lugar: Sérvia x Dinamarca

25º lugar: Grécia x Itália

27º lugar: Nigéria x Argélia

29º lugar: França x Honduras

31º lugar: Camarões x Coreia do Norte

A magnificência de alguns confrontos salta aos olhos. Japão e Estados representariam em campo a velha rixa econômica tão alimentada entre meados das décadas de 80 e 90. Inglaterra e México seria o duelo dos que poderiam ter sido e não foram. Suíça e África do Sul definiria de uma vez por todas o que é melhor: ser triste e taciturno ou alegre e extrovertido.

Austrália e Nova Zelândia faria parar toda a Oceania. Os habitantes das grandes ilhas encheriam dezenas de estádios de rugby para acompanhar a batalha. Itália e Grécia decidiriam em campo quem foi o melhor da Antiguidade. Nigéria e Argélia definiriam quem está à frente na disputa entre as Áfricas negra e branca.

Quanta diferença em relação aos tristes dias sem jogos…

Em nome da desportividade e em defesa dos indefesos seres humanos prejudicados pela falta de criatividade da FIFA, fica a partir de agora oficialmente lançada a campanha pelo Torneio da Consolação Brasil 2014.

Lutemos juntos por essa bandeira. Para que o vazio de hoje não se repita em nossas pobres almas daqui a quatro anos.

Balanço das oitavas

Antes tarde do que nunca. A Copa finalmente começou a ter cara de Copa nas oitavas-de-final. Das oito partidas, pelo menos seis foram bastante agradáveis e certamente uma, Alemanha x Inglaterra, entrou para a galeria dos maiores duelos da história dos Mundiais.

Pelo jogo desenvolvido em campo pelos alemães e, principalmente, pelas pataquadas do trio de arbitragem uruguaio, capitaneado pelo lastimável Jorge Larrionda, contra os ingleses. Pataquadas que atingiram o ápice com a não validação de um gol em que a bola ultrapassou clamorosamente a linha.

De toda forma, as falhas da arbitragem não apagam o papelão do English Team na África, menor apenas que os de Itália e França. O comando do sempre elogiado Capello passou longe, muito longe, de revestir os ingleses com o tradicional espírito de luta e de conquista dos italianos. A não ser que estejamos falando do espírito mostrado pela Itália nos gramados africanos. Este sim muito próximo do britânico. Fiasco.

No mais, Argentina, Holanda e Brasil tiveram jogos relativamente tranquilos. Nenhum deles precisou de muito esforço para superar, respectivamente, México, Eslováquia e Chile, embora os hermanos tenham contado com uma ajuda extra, e desnecessária, de Roberto Rossetti e seus auxiliares, que vieram para coroar a passagem vergonhosa dos italianos pela Copa.

Uruguai e sobretudo Gana e Paraguai se viram obrigados a suar muito mais para mandarem, pela ordem, Coreia do Sul, Estados Unidos e Japão de volta aos seus lares. Uruguai e Gana poderiam ter passado com maior folga, mas um inexplicável defensivismo alimentou os adversários e dificultou o caminho. Já o Paraguai foi incapaz de furar o eficaz sistema de destruição nipônico. O sofrimento foi até os pênaltis.

Por fim, a Espanha, contra Portugal, continuou melhorando o nível do seu jogo. O meio-campo da Fúria consegue fazer os adversários de bobos, correndo atrás de uma bola que parece fugir dos seus pés, enamorada pelo bom tratamento oferecido a ela pelos espanhois.

Nas quartas, a Espanha tem diante do Paraguai um caminho que parece mais fácil. Os outros três jogos primam pelo equilíbrio e são de prognóstico muitíssimo complicado. Holanda e Brasil terão um no outro o primeiro grande teste no Mundial. Argentina e Alemanha têm boas chances de protagonizarem outro confronto para a história das Copas. Uruguai e Gana decidem quem será a surpresa das semis.

Um último ponto merece menção, em meio ao clima de glorificação ao futebol sulamericano, com quatro representantes entre os oito melhores da Copa. Os elogios são sim plenamente justos, afinal houve até agora um único revés do subcontinente americano diante de outras regiões do globo, do Chile para a Espanha. Porém, a verdade é que o desempenho demonstrado até aqui não significa nada para o futuro do torneio.

Não significa, por exemplo e como alguns andam dizendo, que o campeão será sulamericano nem muito menos que as semifinais serão uma mini Copa América. Prova disso são os Mundiais de 1994 e 2002, nos quais o único sulamericano nas quartas era o Brasil – em 94, os outros sete eram europeus e, em 2002, eram quatro europeus, Estados Unidos, Coreia do Sul e Senegal – e o resultado todos sabemos qual foi.

Brasil e Argentina, claro, têm plenas condições de conquistarem a Copa. Assim como têm Alemanha, Espanha e até Holanda. Portanto, pés no chão.

Seleção Coisas Mais das oitavas: Kingson (GAN); Ramos (ESP), Juan (BRA), Fucile (URU); Ramires (BRA), Xavi (ESP), Prince Boateng (GAN); Ozil (ALE); Villa (ESP), Klose (ALE), Suarez (URU). Técnico: Joachim Loew (ALE).

Jogador Coisas Mais: Villa (ESP)

Melhor seleção: Alemanha

Seleção Coisas Menos das oitavas: James (ING); Osorio (MEX), Fuentes (CHI), Yong Hyung Cho (COR); Ricardo Costa (POR), Mensah (GAN), Clark (EUA), Van der Wiel (HOL); Benitez (PAR), Dong Gook Lee (COR), Rooney (ING). Técnico: Fabio Capello (ING).

Jogador Coisas Menos: Clark (EUA)

Pior seleção: Chile

Espanha 1 x 0 Portugal

A Espanha jogou como time grande. Portugal como time pequeno. E o resultado a favor da Fúria foi mais do que justo.

O toque de bola do meio-campo espanhol é encantador. Se não consegue ser mais efetivo – e de fato não é muito -, a responsabilidade deve ser colocada no ataque, que se ressente da falta de forma de Fernando Torres. Sem conseguir ser a referência que deveria na área, El Niño deixa tudo nas costas de David Villa, que, para sorte da Espanha, faz uma grandíssima Copa, com um único pecado até agora: o pênalti perdido diante de Honduras. Não fez falta.

No único gol do jogo, Villa aparentemente está milimetricamente impedido ao receber o esplendoroso toque de calcanhar de Xaxi. Nada que chegue nem próximo ao primeiro gol argentino contra o México. O trio de arbitragem sai plenamente absolvido não apenas pela dificuldade do lance, mas porque, na dúvida – e não havia como não tê-la – a decisão deve ser favorável ao ataque. Palmas para Hector Baldassi e seus auxiliares.

Pelo lado português, louros apenas para o goleirão Eduardo, que fez outra boa atuação e, apesar de eliminado, credencia-se a figurar na seleção da Copa. Sobretudo porque, com a Jabulani em campo, cada jogo a mais traz mais chances de os arqueiros caírem em desgraça do que se consagrarem.

Nas quartas, o Paraguai deve se comportar mais ou menos da mesma forma que fizeram os lusitanos frente aos espanhois. O jogo então pode ir por dois caminhos: se a Espanha consegue abrir o placar logo no começo – como quase fez hoje -, os sulamericanos terão de sair mais ao ataque e podem ser derrotados até de forma contundente; se a retranca paraguaia funcionar no primeiro tempo, o jogo tem tudo para se complicar – como se complicou hoje – e pode acabar em prorrogação. Pênaltis não são impossíveis de se pensar.

No bolão, a maior parte dos apostadores acreditaram na Fúria. Uns poucos foram para o lado do decepcionante Cristiano Ronaldo e seus companheiros. Ficaram a ver navios.

A principal mudança provocada pelo confronto ibérico está no palpite de melhor defesa. Com apenas um gol tomado e quatro jogos realizados, Portugal tomou o lugar da Suíça como melhor retaguarda e assim acabou com as chances daqueles que haviam apostado nos suíços como defesa menos vazada. Os únicos que podem bater os portugueses, caso não tomem mais nenhum gol até o fim de suas participações, são Uruguai (duas apostas) e Paraguai (uma aposta). Em Portugal ninguém apostou.

Terminadas as oitavas, apenas seis conseguiram acertar todos os classificados: Maurice, José Augusto, Thiago, JP, Ramón e Amaury. A partir das quartas, os palpites mais divididos devem provocar mudanças variadas e significativas.

Paraguai 0 (5) x (3) 0 Japão

Uma das imagens mais comoventes da Copa o choro quase compulsivo de Gerardo Martino, técnico do Paraguai, após o término das cobranças dos pênaltis que levaram a equipe sulamericana às quartas-de-final.

Choro justificado, afinal Martino acabara de levar os guaranis ao seu melhor desempenho em Mundiais, abrindo a possibilidade não tão remota, embora eu não acredite nela, de as semifinais do torneio serem totalmente sulamericanas (Uruguai x Brasil e Argentina x Paraguai).

O Japão, mesmo desclassificado, também saiu de campo com a honra de ter realizado sua melhor campanha em Copas, o que deve diminuir a tristeza de jogadores, comissão técnica e torcedores.

Em campo, o jogo foi disparado o pior das oitavas. O Paraguai apresentava maiores condições de chegar ao gol, mas esbarrava no robusto sistema defensivo do Japão. Receoso de avançar demais e abrir muito espaço para os contra-ataques nipônicos, comprovadamente eficazes, o time sulamericano passou a ter um domínio de posse de bola insosso. O reflexo direto dessa postura paraguaia foi justamente a impossibilidade de o Japão encontrar os espaços que lhe permitiram, por exemplo, mandar a Dinamarca de volta para a Escandinávia.

No final, o 0 a 0 acabou representando bem o jogo e a prorrogação. Nos pênaltis, ambas as equipes tiveram um bom aproveitamento, mas Komano viu o azar mandar o seu chute ao travessão de Villar. 5 a 3 e classificação paraguaia.

O resultado mudou um pouco o bolão, já que alguns apostaram na passagem japonesa. O pódio, contudo, mantém-se inalterado, com Maurice, David e José Augusto. Outra coisa que se deve destacar é o desempenho magnífico de nosso amigo Nilo Rondelli. Como podem notar, Nilim está na 40ª posição, brigando duramente com Marcelo, Marquim e Ian pela lanterna. Só tem um detalhe: os três concorrentes de Nilim esqueceram de fazer a revisão dos palpites. Ele fez tudo bonitinho. Que fase!