Balanço Coisas Mais da Copa

O sentimento de vazio é o mesmo a cada grande evento esportivo que se encerra. Por piores ou melhores que sejam, não há Copa, não há Olimpíadas que terminem sem deixar em mim mais que uma ponta, um cordão inteiro de saudades.

A Copa do Mundo da África do Sul foi marcante e inesquecível por variados motivos. Pela alegria do povo africano em receber o evento, pouco preocupados se os resultados de suas seleções em campo eram decepcionantes. Pelas ensurdecedoras vuvuzelas que, por mais irritantes, felizmente não foram proibidas. Seria um crime retirar dos anfitriões parte de sua tradição em nome dos ouvidos alheios. Pelo polvo Paul, alemão topetudo que ficará na história como o único vidente de todos os tempos a acertar todas as suas previsões.

Dentro das quatro linhas, os 16 jogos eliminatórios da fase final melhoraram em boa medida o sofrível nível técnico da primeira etapa. Ainda assim, confesso, esperava mais. Os últimos quatro anos de futebol pelo mundo me fizeram acreditar que teríamos na África um torneio marcadamente ofensivo.

A realidade me desmentiu, com a grande maioria das seleções preocupando-se primordialmente – algumas unicamente – em lutar para que o zero inicial do adversário se mantivesse até o fim. Como sabe quem acompanha o blog, não sou daqueles que recriminam a priori a opção pela defesa. Acredito ser essa a alternativa mais eficaz para determinadas seleções, como comprovaram japoneses e neozelandeses na África. E cada um tem que buscar o futebol que lhe dê as maiores chances de sucesso. Apenas não consigo derivar encantamento e satisfação ao ver uma dessas equipes em ação. Minha torcida acaba naturalmente do outro lado.

O resultado do privilégio à defesa foi a segunda pior média de gols da história das Copas, atrás apenas, e por pouco, do Mundial da Itália, em 1990 (2,29 contra 2,21 gols por partida) e uma Copa que, embora mais divertida, patinou em nível totalmente semelhante ao de 2006.

A grande e reconfortante diferença foi que, ao contrário de 2006, em que a retranca italiana saiu merecidamente premiada, ficou com o título uma das poucas seleções que buscou o gol em todos os momentos. O toque de bola espanhol sempre teve como objetivo furar fortes bloqueios adversários, sempre tomou a iniciativa de um ataque que, se não conseguiu marcar gols de sobra – de fato, e paradoxalmente, a ofensiva espanhola concretizou o mínimo necessário para a conquista, tendo em seus oito gols o pior ataque entre todos os campeões, desde 1930 -, mostrou ao mundo que a glória é possível para times que preferem construir a destruir.

Escolher os melhores e piores do torneio não foi tarefa fácil. Após uma pré-seleção, restaram 20 jogadores em cada grupo e o corte a partir daí foi doloroso, principalmente entre os melhores.

Comecemos pelos piores, cuja seleção terminou num 3-5-2. O goleiro não poderia ser outro que não o inglês Green, que precisou de apenas 45 minutos e um galináceo dos mais gordos para conseguir a cadeira cativa. Os três zagueiros de dar calafrio em defunto são o norte-coreano Ri Kwang-Chon, o grego Vyntra e o argentino Demichelis. Na ala direita, adaptado, pois não poderia deixar de integrar tão valoroso time, aparece o hermano Jonas Gutiérrez. Fazem-lhe companhia no meio o lutador, no sentido literal do termo, Kaita (Nigéria), o atrapalhado Clark (EUA), o sonolento Jorgensen (Dinamarca) e, claro, o troglodita Felipe Melo. O ataque dos pesadelos vem com Anelka (França), que pelo desempenho fora de campo ganha também o título de jogador Coisas Menos da Copa, e Mario Gomez (Alemanha).

Alguém adivinha o treinador desse brilhante conjunto? Raymond Domenech, por óbvio.

Ainda entre as lástimas, a França sai como a pior seleção da Copa e a Itália e Wayne Rooney, respectivamente, como as maiores decepções coletiva e individual. O jogo Coisas Menos foi Brasil x Portugal. Venceu a árdua disputa com Inglaterra x Argélia e Paraguai x Nova Zelândia porque, em teoria, seria disputado por duas boas seleções. Para ser pior, só mesmo se fosse arbitrado pelo lamentável Jorge Larrionda, único uruguaio que conseguiu tirar um pouco do brilho de seu país na Copa.

Do lado oposto, a seleção dos melhores é um combinado dos quatro finalistas, começando com o espanhol Casillas. E aqui cabe uma explicação sobre o critério de escolha aplicado. Ao contrário de alguns, acredito sim ter mais peso o comportamento dos jogadores em momentos decisivos do que em jogos iniciais. É por isso que o goleiro escolhido foi Casillas, que, apesar de um tanto inseguro aqui e acolá, foi brilhante em momentos fundamentais das quartas, segurando o pênalti do paraguaio Cardozo, e da final, impedindo dois gols quase certos de Robben, em detrimento do português Eduardo, mais consistente enquanto esteve em campo.

A defesa apresenta dois jogadores esforçados nas laterais, já que não houve qualquer um que se destacasse pela habilidade. Sergio Ramos (Espanha) ganhou por uma cabeça a posição de Lahm (Alemanha) na direita e o uruguaio Fucile reinou soberano na absolutamente carente lateral-esquerda. O miolo de zaga, também sem fortes concorrentes, é o da seleção alemã, com os competentes Friedrich e Mertesacker. No meio, aparecem os dois meias espanhóis que todos gostariam de ter, Xavi e Iniesta, acompanhados pelo holandês Sneijder e pelo alemão Müller, que também leva o título de revelação da Copa. Fecham o escrete David Villa e Diego Forlán, jogador Coisas Mais do Mundial.

Vicente del Bosque, treinador campeão, ganhou a acirrada disputa com Joachim Löw (Alemanha) e Oscar Tabarez (Uruguai) para treinar as estrelas. E Tiago (Portugal), Ayew e Boateng (Gana), Schweinsteiger, Özil e Klose (Alemanha) ficam de fora. Pesarosamente.

A melhor seleção da Copa foi a campeã Espanha, a surpresa, o Uruguai, e o Jogo Coisas Mais da Copa, Alemanha x Inglaterra, um 4 a 1 infelizmente manchado pelo já citado e famigerado Jorge Larrionda.

Diego Forlán, o craque da Copa. Orgulho celeste e do glorioso Atletico de Madrid

Seleção Coisas Mais da Copa: Casillas (ESP); Ramos (ESP), Mertesacker (ALE), Friedrich (ALE), Fucile (URU); Xavi (ESP), Iniesta (ESP), Sneijder (HOL), Müller (ALE); Villa (ESP), Forlán (URU). Técnico: Vicente del Bosque (ESP).

Jogador Coisas Mais da Copa: Diego Forlán (URU)

Jogo Coisas Mais da Copa: Alemanha 4 x 1 Inglaterra (oitavas-de-final)

Melhor seleção da Copa: Espanha

Jogador revelação da Copa: Thomas Müller (ALE)

Seleção surpresa da Copa: Uruguai

Seleção Coisas Menos da Copa: Green (ING); Ri Kwang-Chon (CNO), Vyntra (GRE), Demichelis (ARG); Gutierrez (ARG), Kaita (NIG), Felipe Melo (BRA), Clark (EUA), Jorgensen (DIN); Anelka (FRA), Gomez (ALE). Técnico: Raymond Domenech (FRA).

Jogador Coisas Menos da Copa: Anelka (FRA)

Jogo Coisas Menos da Copa: Brasil 0 x 0 Portugal (3ª rodada da 1ª fase)

Pior seleção da Copa: França

Jogador decepção da Copa: Wayne Rooney (ING)

Seleção decepção da Copa: Itália

Campeões com justiça

A maior demonstração de que a Espanha ostenta hoje, indiscutivelmente, a melhor seleção do mundo foi dada pela Holanda, que, ciente de que não poderia fazer frente aos ibéricos na bola, optou por aquela que seria a sua única chance de êxito e que Paulo Vinícius Coelho tão bem definiu como “anti-futebol total”.

Se os laranjas terminassem a primeira etapa da final de ontem com três jogadores expulsos, não seria demais. Em escala decrescente, De Jong, Sneijder e Van Bommel fizeram o suficiente para merecerem esse destino, não fosse a condescendência do árbitro inglês Howard Webb.

Condescendência sem a qual muito provavelmente a vitória espanhola não seria tão difícil quanto foi, consolidando-se ainda durante os 90 minutos regulamentares. Mas o futebol não é feito de hipóteses e, quando Robben partiu sozinho para o gol de Casillas, o mundo inteiro viu a Holanda campeã do mundo. Como não poderia deixar de ser, eles, os deuses de futebol, também estavam assistindo à grande decisão e, para a felicidade geral de todos os amantes do esporte bretão, deixaram aquela perna direita de Casillas ali, perdida no canto direito enquanto ele saltava para o lado oposto. O correto chute de Robben desviou no pé ali devidamente esquecido pelos deuses, não entrou e o futebol sorriu. O futebol venceu.

O gol de Iniesta, nos instantes finais da prorrogação, fez justiça ao melhor futebol da Copa. Fez justiça à seleção que colocou as outras todas na roda, tocando daqui pra lá e de lá pra cá sem que os adversários se aproximassem da pelota. Uma seleção que venceria mais fácil estivesse Fernando Torres em condições de jogo. Fez justiça ao próprio Iniesta, que não merecia sair de campo como aquele que perdera os gols que faltaram para a Espanha ser campeã mundial. Merecia, sim, sair como um dos candidatos a melhor da Copa, a melhor do mundo. E assim saiu.

Espanha campeã mundial. Nada mais justo.

Quem ouviu a narração do gol de Iniesta feita por Raul Varela, na Rádio Marca, se não chegou às lágrimas absolutamente comoventes de Casillas, teve pelo menos a noção do que o título significou para os espanhóis. Fantástico.

***

O bolão. Vocês não conseguiriam imaginar como esse jogo, criado sem maiores expectativas, mexeu comigo durante os 30 dias de competição na África. A ponto de criar uma afeição que, quando terminada a final, fez misturarem-se em mim uma sensação de imensa alegria, pela vitória, e uma de triste desencanto pelo fim da brincadeira. O que farei nas próximas jornadas sem ter de assistir a todos os jogos para atualizar os resultados minutos depois? Como serão os meus dias sem as dores de cabeça criadas pelas sempre presentes polêmicas de última hora? O que fazer para passar o tempo durante os quatro anos de espera até o próximo?

Antes de passar aos resultados finais, não posso deixar de agradecer àqueles que me fizeram companhia diária, sempre a postos com comentários divertidos, pertinentes, bem pensados. Represento-os aqui por Carlos Urso,  Isnardo Villaroel, Paulo Furquim, Ramón Fernandez, João Paulo e Fernando Oliveira, parceiros do primeiro ao último instante, cheios de entusiasmo, desportividade, gentileza. Obrigado.

O resultado final da Copa acabou finalizando o nosso jogo com um desequilíbio que não houve em nenhum momento da disputa. Por ter acertado campeão, vice, terceiro colocado e artilheiro, terminei a competição com 1.671 pontos, 236 à frente do segundo colocado, o professor Ramón, que terminou a incrível recuperação iniciada a partir do 39º lugar da primeira fase acertando a Espanha campeã e a Holanda vice.

Fábio Corrêa fechou o pódio, beneficiado pelo acerto exato da Alemanha em terceiro e do Uruguai em quarto. A seguir, ficou Persio naquela que provavelmente é a colocação mais ingrata, 45 pontos atrás de um lugarzinho entre os premiados.

Merece ainda destaque David Escudero, nosso colega mexicano que passou a primeira fase quase que inteira em primeiro e não terminou entre os três de cima porque acabou caindo no conto do Brasil e mudou o seu palpite inicial, Espanha campeã. A 7ª colocação foi o preço a pagar. Muito obrigado pela participação desde a América do Norte, David!

Por fim, não poderia deixar de mencionar Maurice Gremaud, que passou boa parte da fase final na frente, mas acabou perdendo fôlego na reta final, prejudicado pelos palpites de Holanda campeã e Argentina vice.

Espero vocês de volta em 2014!

Viva España!

Espanha campeã mundial! A Copa do Mundo está nas melhores mãos possíveis. Venceu o futebol.

Diego Forlán foi coroado o melhor jogador do torneio. Parabéns à FIFA pela justíssima decisão, defendida ontem por aqui.

David Villa, Thomas Müller, Wesley Sneijder e o próprio Forlán dividiram a artilharia, com cinco gols.

Thiago Ribeiro, Ramón Fernandez e Fábio Corrêa, nesta ordem, foram os vencedores do bolão, que tanto nos animou ao longo dos últimos 30 dias.

Logo mais – se o trânsito deixar, ainda hoje – serão postadas as resenhas completas sobre a final da Copa, a Copa como um todo e, claro, o material completo e derradeiro do bolão.

Uruguai 2 x 3 Alemanha

Confirmada a tradição de jogos animadíssimos nas disputas de terceiro lugar em Copas. Provavelmente relaxados, no bom sentido, após a eliminação nas semifinais e certamente menos preocupados em perderem um duelo que já não vale tanto assim, os jogadores costumam protagonizar, no sábado que antecede o dia derradeiro do Mundial, um espetáculo na maioria das vezes melhor do que a própria final.

Em campo, a Alemanha confirmou ter uma equipe bastante superior ao Uruguai. Jogando um futebol sério e, sobretudo, solto, não encontrou muitas dificuldades para chegar sempre próxima ao gol de Muslera, que, com uma atuação desastrosa, contribuiu imensamente para os gols de Müller, primeiro do jogo, Jansen, que empatou o duelo em dois e, em menor medida, também para o tento decisivo de Khedira, ao ficar estático sobre a linha da meta enquanto a bola viajava pra lá e pra cá na pequena área.

O resultado adverso não apaga de forma alguma o belo papel do Uruguai na África. Assim como contra a Holanda, os sulamericanos lutaram muito hoje contra um adversário visivelmente mais forte e, apenas por circunstâncias, terminaram derrotados. Cavani melhorou um pouco – bem pouco – o nível medíocre do futebol apresentado ao longo da competição, fazendo o gol do 1 a 1, e Forlán assinou mais uma de suas raras obras ao virar o jogo e passar a impressão de que os uruguaios poderiam encerrar a Copa em terceiro.

Não encerraram, mas Forlán fez um torneio extraordinário. A meu ver, é até agora o melhor e, principalmente, o mais constante jogador do Mundial, não tendo passado um jogo sequer – nem o empate inaugural contra a França – da forma apagada que já caracterizou, vez ou outra, Iniesta, Xavi, Villa e Sneijder. Depois da final, é praticamente certo que um destes últimos, ou Robben, seja eleito a estrela da Copa. Fará jus, afinal será campeão, mas, fosse Forlán o escolhido, a justiça não seria menor.

Outros uruguaios que merecem menções honrosas pelo trabalho na Copa são Fucile e Oscar Tabarez, o treinador. Assim como também as merecem o treinador do lado alemão, Joachim Löw, e praticamente todos os seus comandados. Grande Alemanha.

Ah, a “Copa América” terminou com três europeus nas três primeiras posições. Não custa lembrar.

***

O resultado de hoje acabou totalmente com as chances de dois apostadores que ainda nutriam expectativas de pódio no bolão, Persio e Rafael Cicco. Quem se deu melhor com a terceira posição alemã foi o Fábio Corrêa, segundo a se garantir, pelo menos, na terceira colocação de nosso ranking. Agora, é o único que ainda pode me desbancar na liderança. Para isso, precisa da Holanda campeã e de Sneijder superando Villa na artilharia.

Se não acontecer uma ou outra coisa entre essas duas, ou seja, se a Espanha for a campeã ou Villa o artilheiro, termino em primeiro. Caso aconteçam ambas, fico em segundo. Professor Ramón torce para a Espanha para ficar em segundo. Maurice será holandês desde criancinha para se garantir em terceiro.

Bolão na reta final: as chances de cada um

Passados 62 dos 64 jogos da Copa, apenas uma coisa já está definida no bolão. Aconteça o que acontecer, ninguém mais tira a lanterna de Marcelo Cerri, com seus 697 pontos. Para quem acertou em cheio o primeiro placar do torneio, entre África do Sul e México, deve ser, no mínimo, frustrante.

Na parte de cima – e um pouco mais honrosa – da tabela, seis apostadores ainda têm chances de premiação e três de serem campeões. Após um árduo trabalho de construção de todos os cenários possíveis para os jogos de sábado e domingo, vem abaixo quem são eles e um resumo das chances de cada um.

1. Thiago Ribeiro

Entro na reta final como favorito. Depois de um bom começo, que chegou a significar a liderança na segunda rodada, errei 6 dos 16 classificados para as oitavas e terminei a primeira fase em 20º. A partir daí, o desempenho foi quase perfeito: de todos os classificados das fases seguintes, errei apenas a Alemanha nas semis. O resultado foi a liderança e a folga de 85 pontos para o 2º colocado. Os palpites que ainda podem engordar minha pontuação são Espanha campeã, Holanda em segundo, Alemanha em terceiro e David Villa artilheiro. Com isso, sou o único que já garantiu uma posição no pódio, qualquer que seja a combinação de resultados. Serei campeão se:

a) A Espanha for campeã;

b) A Holanda for campeã e Villa for artilheiro.

2. Fábio Corrêa

O Fabinho teve um início discreto. Começou a aparecer a partir da terceira rodada, quando acertou boa parte dos classificados para as oitavas, terminando a primeira fase em 9º. Na fase final, os resultados que mais prejudicaram foram os de Estados Unidos x Gana e de Holanda x Brasil. Foi dos poucos a acertar a Alemanha passando pela Argentina, o que lhe garantiu a segunda posição atual, com 1.296 pontos. Os palpites que o favorecem na reta final são Espanha em segundo, Alemanha em terceiro e Uruguai em quarto.

Existe uma possibilidade de ser campeão, que é a Holanda superar a Espanha, o mesmo acontecendo com a Alemanha diante do Uruguai e, ainda, David Villa não terminar como o goleador do Mundial. Por outro lado, se o Uruguai ficar em terceiro, ficará fora do pódio.

3. Maurice Gremaud

O Maurice, pai do grande professor Amaury Gremaud, começou a se destacar e dar umas bicadas no pódio já na segunda rodada. Manteve-se relativamente constante ao longo do jogo, terminando a primeira fase em 2º lugar. Chegou à liderança ao acertar o resultado de Estados Unidos x Gana e saiu dela por apostar que a Argentina chegaria até a final. Contudo, a aposta certeira na Holanda o manteve em terceiro até aqui e ainda abre a possibilidade de título.

Será campeão no domingo se acontecer a seguinte situação: Holanda campeã, com o Uruguai em terceiro e David Villa fora da artilharia. Porém, se Casillas erguer o primeiro título espanhol, não conseguirá nem um lugarzinho entre os três melhores.

4. Ramón Fernandez

Professor Ramón foi, de longe, o apostador que mais passeou pela tabela de classificação ao longo da Copa. Terminou o primeiro dia na liderança, tendo cravado os dois placares, mas, a partir daí, colecionou uma série incrível de reveses que o levou à lanterna, depois que Estados Unidos e Inglaterra se classificaram no Grupo C. Encerrou a primeira fase em 39º e protagonizou, na fase final, a recuperação mais impressionante entre todos os jogadores.

Não pode, pela combinação de resultados e apostas, terminar como campeão, mas basta a Espanha sagrar-se campeã para garantir a segunda colocação. Em via oposta, se der Holanda, despede-se de qualquer chance.

5. Rafael de Cicco

Com um início não mais que apagado, o Rafael começou a mostrar a cara na terceira rodada, cravando a maioria dos classificados para as oitavas. Terminou, com isso, a primeira fase em 8º. Na etapa decisiva, apresentou um desempenho regular, errando logo de cara os resultados de Estados Unidos x Gana e de Alemanha x Inglaterra, e recuperando-se com o acerto das classificações holandesa e espanhola à decisão. Chega à reta final em 10º lugar e é quem pode dar o maior salto no último suspiro.

Não alcança mais a liderança, mas pode terminar em segundo ou terceiro. Se a Holanda for campeã, o Uruguai terminar em terceiro e David Villa não for o artilheiro, fica em segundo desde que faça pelo menos 12 pontos com o resultado da final, entre Holanda e Espanha. Se essa combinação entre as seleções se mantiver, mas não fizer os 12 pontos no jogo final ou Villa for o artilheiro, fecha o bolão em terceiro. Qualquer outra combinação tira Cicco do pódio.

6. Persio Bosquetti

Persio ia razoavelmente bem no bolão até que apostou na Coreia do Sul contra a Argentina e se viu num mergulho profundo. Conseguiu ainda se recuperar razoavelmente na primeira fase, chegando a beliscar o pódio e encerrando-a em 12º lugar. Na fase final, não foi brilhante, errando os resultados de Estados Unidos x Gana, Holanda x Brasil e de Argentina x Alemanha,  mas conseguiu se manter com chances graças às apostas na Espanha campeã e na Alemanha em quarto.

Pode chegar à terceira posição, e no máximo até ela, se a Espanha for a campeã e o Uruguai, o terceiro colocado. Qualquer outro desfecho deixa Persio fora do pódio.

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É importante, por fim, frisar dois pontos:

(i) felizmente, nenhuma das poucas punições ocorridas ao longo do bolão terá qualquer efeito no resultado final da disputa. Todos os apostadores punidos não teriam chances de chegar entre os três primeiros mesmo sem nenhum ponto descontado;

(ii) a fórmula de disputa do jogo se mostra absolutamente exitosa. Sempre haverá os que discordem, vislumbrando um desempenho próprio possivelmente melhor em caso de mais ou menos períodos para revisões nos palpites, por exemplo. Fato, contudo, é que essa fórmula foi capaz de atingir os seus objetivos: permitiu aos apostadores revisarem as apostas depois de conhecerem o desempenho real de cada equipe na Copa, juntando, pois, os aspectos sorte e competência; possibilitou grandes reviravoltas ao longo da disputa, exemplificadas especialmente pelo professor Ramón; e, em linha com o espírito da Copa, foi deixando alguns pelo caminho, mas chega ao final ainda cheia de emoção. Por tudo isso, e por mais que sejam avaliadas todas as eventuais mudanças sugeridas, o modelo de 2010 já sai como favorito à reeleição em 2014.

Seleção Coisas Mais (e Menos) das semifinais

É difícil fazer uma seleção dos melhores da rodada tendo apenas dois jogos para avaliar. É ingrato fazer uma seleção dos piores tendo como base as quatro melhores seleções da Copa. Em verdade, nenhum deles está entre os piores. De toda forma, em nome da tradição criada desde o dia 11 de junho, vamos a elas.

Seleção Coisas Mais das semifinais: Casillas (ESP); Ramos (ESP), Mertesacker (ALE), Puyol (ESP), Van Bronckhorst (HOL); Xavi (ESP), Iniesta (ESP), Sneijder (HOL), Pedro (ESP); Kuyt (HOL), Forlán (URU). Técnico: Vicente del Bosque (ESP).

Jogador Coisas Mais: Puyol (ESP)

Melhor seleção: Espanha

Seleção Coisas Menos das semifinais: Stekelenburg (HOL); Maxi Pereira (URU), Boulahrouz (HOL), Godin (URU), Cáceres (URU); Van Bommel (HOL), Alonso (ESP), Schweinsteiger (ALE), Özil (ALE); Van Persie (HOL), Gomez (ALE). Técnico: Joachim Löw (ALE).

Jogador Coisas Menos: Cáceres (URU)

Pior seleção: Alemanha

As próximas seleções serão as últimas, considerando toda a Copa.

Alemanha 0 x 1 Espanha

Para surpresa quase geral, a Espanha fez com a Alemanha mais ou menos o que fizera com Portugal, nas oitavas. Digo quase geral porque, sem querer puxar a brasa para a nossa sardinha, mas apenas sendo realista, quem leu horas atrás a prévia do jogo aqui teve acesso a uma boa porção de motivos para acreditar que a Espanha pudesse passsar à final.

E praticamente todos aqueles motivos se confirmaram. A Espanha demonstrou que tem um toque de bola muito superior ao de ingleses e argentinos; Müller fez uma falta danada aos germânicos, da mesma forma que Pedro comprovou a qualidade do banco espanhol; e del Bosque foi um rival à altura, para não falar bastante superior, a Löw.

O que ninguém poderia imaginar era que esses motivos pintassem um quadro de tamanha supremacia espanhola. O que houve foi um ataque contra defesa ameaçado em apenas uma oportunidade, numa finalização de Kroos bem defendida por Casillas. No mais, a Espanha sobrou. No primeiro tempo, não transformou essa sobra em grandes oportunidades, mas, no segundo, além da cabeçada furiosa de Puyol, poderia ter feito mais, especialmente num contra-ataque incrivelmente desperdiçado por Pedro, que, de resto, teve uma atuação próxima da perfeição.

Outro resultado que não a vitória dos espanhóis seria triste para o futebol.

Depois de hoje, a Espanha reforça o favoritismo para a final. Favoritismo que, no entanto, deve ser muito bem qualificado. A Espanha não pode, por exemplo, acreditar que a final foi hoje. Não foi. Do outro lado, há uma Holanda que ostenta a maior invencibilidade entre todas as seleções do mundo (25 jogos) e mantém impressionantes 100% de aproveitamento desde o início das Eliminatórias.

Mas isso não é o mais importante. A Holanda apresenta um estilo de jogo diferente de Portugal, Paraguai e Alemanha. Ao contrário deles, e assim como a Espanha, gosta de jogar com, e não sem, a bola. A Espanha não está acostumada a isso na Copa, o que poderá trazer-lhe muitas dificuldades. Nada, contudo, que retire o ligeiro favoritismo ibérico.

E a Espanha “amarelona” está na final. Assim como a Holanda, também “amarelona”. E o Brasil “guerreiro” ficou pelo caminho. Se o mundo não acabar até o próximo domingo, teremos, pois, uma “amarelona” campeã… mais uma na cabeça dos amantes de chavões inócuos.

No bolão, seguiu-se o mesmo caminho de ontem: não foram muitos os que pontuaram, mas os que o fizeram estão sorrindo de orelha a orelha. Faltando apenas dois jogos para a finalização do torneio, apenas alguns apostadores mantêm chances de premiação. Amanhã, teremos uma postagem esmiuçando as chances de cada um, com as possíveis combinações de resultados e tudo o mais.