Kajuru, um exemplo (2)

As seis últimas partes da participação de Kajuru no Programa Raul Gil.

Divirtam-se, mas também pensem, muito, a respeito.

Kajuru, um exemplo (1)

Jorge Kajuru sempre se caracterizou pela polêmica de suas declarações. Declarações duras, eloquentes, dificilmente em linha com o senso comum. Destemido, Kajuru nunca se preocupou em dizer o que pensava de quem quer que fosse, mesmo que isso o marginalizasse cada vez mais.

As bombas orais acabaram por afastar Kajuru do grande círculo midiático brasileiro. As redes nacionais de televisão, todas elas, não suportaram as pressões externas para que o bocudo tivesse sua metralhadora censurada. Depois de algum tempo, Kajuru passou a ser liberado sem cortes apenas em retransmissoras regionais.

Kajuru cansou. No quadro “Pra quem você tira o chapéu”, do Programa Raul Gil de 28 de agosto último, anunciou sua aposentadoria das câmeras. Diz ter-se enojado. Razões para tal deve ter muitas.

Fica o exemplo. De caráter, destemor, desprendimento. De loucura, dirão alguns. Mas, sobretudo, o exemplo do que acontece com quem se atreve a pensar e falar o que pensa. No Brasil democrático. E ainda tem quem acredite que não existe mais censura em nosso país…

Fica também a participação, sempre marcante, de Kajuru no Programa Raul Gil. Em nove partes. As três primeiras, hoje.

Censura social

Longe se vão os tempos de censura. Hoje, por mais que aqui, ali e acolá apareçam resquícios, perigosos, de medidas limitadoras, não há como negar que a liberdade de expressão, em linhas gerais, está estabelecida.

Será mesmo? Sim e não. Por um lado, de fato a censura oficial, conforme ficou conhecida sobretudo durante o regime militar, praticamente inexiste no Brasil. Nunca um governante foi tão chacoteado em rede nacional como Lula – estão aí Casseta & Planeta, Pânico e CQC para comprovar – e pensar num mundo ou num país sem qualquer tipo de censura, ou seja, em que um governo aceitasse sem reação toda e qualquer crítica a si seria tão sem sentido como imaginar exatamente a mesma atitude de qualquer indivíduo.

Porém, outro tipo de censura ganha força incrível nos últimos anos. Trata-se do que chamo de censura social, normalmente patrocinada por grupos de interesse e/ou pretensos intelectuais. Tais grupos criam verdades que passam a gravitar com ares de absolutismo científico, contras as quais qualquer palavra merece a execração pública.

Esse tipo de censura pode ser mais perigoso do que a oficial. Enquanto esta última se expõe, mostrando claramente o seu propósito e abrindo a porta para que um Julinho da Adelaide ou O Pasquim se preparem para a canetada e até consigam driblá-la, a segunda é velada, ganha espaço na surdina e cria fatos em que as reais pretensões dos formadores de opinião ficam escondidas por baixo de um aparente caráter científico. No fim, a censura oficial torna-se dispensável, pois a própria sociedade se encarrega de refutar e marginalizar qualquer caminho diferente àquele que foi apresentado a ela como o correto, o verdadeiro.

Nos próximos dois posts, vou falar um pouco sobre duas dessas verdades fabricadas em laboratório, o dito Aquecimento Global e a dicotomia Fascismo e Comunismo.

Pensemos, sempre. Dá um pouco de trabalho, é verdade, mas é melhor do que engolir tudo o que encontramos pré-fabricado por aí e viver num mundo paralelo que pouco mais tem do que pura alienação direcionada.