Ranking Internacional dos Clubes Brasileiros

Depois do ranking geral dos clubes brasileiros, com o São Paulo como líder, e do ranking nacional, pontuado pelo Palmeiras, é hora de apresentar a classificação histórica das equipes nacionais levando em conta apenas os torneios internacionais.

Fazem parte da contabilização todos os campeonatos além-fronteiras disputados pelos tupiniquins. O de maior pontuação é o Mundial de Clubes, que oferece 60 pontos ao campeão. Dadas as características desse torneio, que facilitam a chegada dos times europeus e sulamericanos à final – torcedores do Internacional que não me leiam – não são concedidos pontos ao vice.

Os demais torneios considerados são a Libertadores (50 pontos ao campeão, 25 ao vice), Copa Sulamericana, Supercopa dos Campeões da Libertadores, Copa Mercosul (todos com 30 pontos ao campeão e 15 ao vice), Copa Conmebol (20 pontos ao campeão, 10 ao vice) e Recopa Sulamericana (20 pontos ao vencedor).

O São Paulo, com três Mundiais, três Libertadores, duas Recopas, uma Supercopa e uma Conmebol, domina a classificação, com 510 pontos, 230 à frente do vice-líder Cruzeiro, campeão mundial, bi da Libertadores e da Supercopa e campeão da Recopa. O impressionante desempenho tricolor nos certames internacionais é o que tem garantido a liderança dos paulistas no ranking geral.

Santos, Internacional e Grêmio aparecem logo atrás dos celestes mineiros, numa acirrada disputa, com apenas 45 pontos separando o 2º do 5º colocado. Entre eles, merece destaque o Colorado, que, até 2006, tinha apenas os pontos de um vice da Libertadores e, desde então, colecionou duas Libertadores, uma Recopa, uma Sulamericana e um Mundial.

Mais atrás, aparecem Flamengo e Palmeiras, ambos com 185 pontos. Outros nove times conseguiram pelo menos um vice internacional e aparecem na lista. Destaque para o Goiás, mais novo integrante do grupo, com o vice da Sulamericana deste ano, e para o CSA, de Alagoas, vice-campeão da Conmebol de 1999.

Confiram a classificação completa.

 

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Ranking Nacional dos Clubes Brasileiros

Na última postagem, apresentei o Ranking dos Clubes Brasileiros, que considera todos os campeonatos estaduais, regionais, nacionais e internacionais já disputados pelos times brasileiros e tem como líder geral o São Paulo Futebol Clube, quase 200 pontos à frente do segundo colocado, o Cruzeiro.

Agora, é hora de trazer às claras as classificações segmentadas por tipo de competição. A primeira é o Ranking Nacional, que engloba apenas torneios brasileiros inter-regionais. Mais especificamente, os certames abrangidos são Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil, Torneio Roberto Gomes Pedrosa, Taça Brasil e Copa dos Campeões.

O Campeonato Brasileiro e o Robertão, que, em 1967, foi a origem de um sistema de disputa para além de simples jogos eliminatórios, destacam-se por conferirem a maior pontuação aos campeões (40 pontos) e por premiarem até o quarto colocado. A Taça Brasil, primeira competição nacional disputada no Brasil, entre 1959 e 1968, reunindo campeões estaduais, e a Copa do Brasil, que nasceu em 1989 sob a mesma inspiração da Taça e se expandiu para chegar ao que é hoje, contemplam os campeões com 30 pontos. A Copa dos Campeões foi disputada apenas três vezes, entre os campeões regionais, e oferece 18 pontos aos primeiros.

O Palmeiras, com quatro Campeonatos Brasileiros, dois Robertões, duas Taças Brasil e uma Copa do Brasil como principais conquistas, ainda lidera a classificação, a despeito dos últimos anos de vacas magras, com 448 pontos. Logo depois, aparece o Santos, também com nove conquistas nacionais (dois Brasileiros, um Robertão, uma Copa do Brasil e cinco Taças Brasil, à época do reinado Pelé) e 420 pontos. Embora com mais pontos de vices, terceiras e quartas colocações, o alvinegro praiano perde para o alviverde devido à menor pontuação dada à Taça Brasil em comparação ao Brasileiro e ao Roberto Gomes Pedrosa, torneios de maior dificuldade.

O São Paulo, líder geral, aparece em terceiro, graças quase que somente ao seu brilhante desempenho em Brasileiros: seis conquistas, cinco vices, três terceiras e duas quartas colocações, que perfazem 380 de seus 404 pontos. Corinthians, tetra brasileiro e tri da Copa do Brasil (400 pontos), Flamengo, hexa brasileiro e bi da Copa do Brasil (398 pontos), Cruzeiro, tetra da Copa do Brasil, campeão brasileiro e da Taça Brasil (379 pontos),  Internacional, tri brasileiro e campeão da Copa do Brasil (360 pontos) e Grêmio, bi brasileiro e tetra da Copa do Brasil (345 pontos) completam os oito mais bem classificados.

Outros 25 times têm, ao menos, um vice-campeonato de competição nacional e completam a classificação abaixo.

Ranking dos Clubes Brasileiros de Futebol

O Ranking dos Clubes Brasileiros de Futebol surgiu em 2001, em meio a devaneios mentais e estatísticos com o objetivo de chegar a uma fórmula que conseguisse classificar da forma mais precisa possível os clubes brasileiros de futebol, de acordo com as glórias de cada um.

A grande questão que se colocava era encontrar um jeito de relativizar a problemática, e por que não injusta, vantagem dos times mais antigos do Brasil, que, por terem disputado mais campeonatos ao longo de sua história, poderiam aparecer classificados à frente de equipes mais jovens, ainda que estas apresentassem melhor desempenho tendo em vista o número de certames disputados.

Embora esse aspecto se fizesse relevante apenas em relação aos campeonatos estaduais, disputados no Brasil desde o início do século XX – antes, portanto, da fundação de alguns dos principais clubes tupiniquins -, era algo que tendia a viciar os rankings geralmente elaborados, que privilegiavam sempre e apenas o número absoluto de títulos, sem qualquer menção à produtividade das equipes.

Depois de algumas horas e outros tantos neurônios perdidos, fez-se a luz e surgiu a fórmula de classificação para os torneios estaduais, que será mais bem detalhada – assim como outras características do sistema – ao longo dos próximos dias, quando serão apresentados um a um os rankings parciais que geram a classificação geral.

Por ora, vale dizer que: (i) a classificação considera todos os torneios oficiais nacionais e internacionais disputados pelos clubes brasileiros; (ii) via de regra, a pontuação premia campeões e vices. As exceções são o Campeonato Brasileiro e o seu precursor, Torneio Roberto Gomes Pedrosa, em que os quatro primeiros colocados são premiados, e o Mundial de Clubes, em que apenas o campeão pontua; (iii) apenas os campeonatos estaduais necessitaram da tal relativização produtiva – todos os demais torneios oficiais nacionais e internacionais passaram a ser disputados com todos os grandes clubes já em vida.

O quadro abaixo traz a pontuação estabelecida para cada torneio.

Para figurar na classificação geral, um clube precisa, pelo menos, ter participado de duas finais, considerando torneios nacionais ou internacionais, com ao menos uma conquista nesses torneios. Isso não significa que o clube não será listado nas classificações parciais. Apenas minimiza o risco de clubes com muitas vitórias estaduais, porém pouca relevância nacional, aparecerem falsamente bem colocados no ranking geral dos melhores do Brasil.

Mediante esse critério, 16 clubes integram o Ranking Geral dos Clubes Brasileiros de Futebol. O São Paulo destaca-se na liderança, com 1.133,38 pontos e uma folga conseguida nos últimos anos graças à Libertadores e ao Mundial de 2005 e ao tricampeonato brasileiro 2006/08. Em segundo, vem o Cruzeiro, seguido por Palmeiras, que chegou a pontuar a classificação mas perdeu espaço nos últimos anos, e Flamengo.

A seguir, dois clubes que evoluíram bastante no ranking nas últimas temporadas, Santos e Internacional. O Santos, além da Copa do Brasil deste ano, tem, no currículo dos anos 2000, dois Brasileiros e um vice da Libertadores. Já o clube gaúcho cresceu com o título mundial de 2006 e das Libertadores de 2006 e deste ano.

O Grêmio acompanha de perto o arqui-rival, fechando um quinteto separado por menos de 70 pontos. O Corinthians fecha o clube dos oito melhores. Pela ordem, Vasco, Atlético Mineiro, Fluminense, Bahia, Botafogo, Sport, Atlético Paranaense e Guarani completam a lista.

Confiram a classificação completa. Divirtam-se e esperem as classificações segmentadas – nacional, internacional e estaduais – nos próximos dias.

Como um campeão deve ser

Com arrasadores 3 sets a 0 sobre Cuba, o vôlei masculino brasileiro conquistou, domingo passado, o tricampeonato mundial (2002, 2006, 2010), na Itália. O título, além de confirmar a equipe dirigida por Bernardinho como um dos maiores fenômenos da história do esporte – desde 2001, somam-se ao tri mundial oito títulos da Liga Mundial e o campeonato olímpico de 2004 – teve para mim um gosto especial, por jogar por terra o abominável espírito politicamente correto que tem reinado entre nós.

Estávamos na segunda fase do torneio, o jogo era contra a Bulgária e o regulamento esdrúxulo patrocinado pela Federação Internacional de Vôlei premiaria a equipe derrotada com um grupo mais fácil na fase seguinte, longe dos fortes cubanos e perto das relativamente inexpressivas República Tcheca e Alemanha.

Como verdadeiros campeões, os jogadores brasileiros decidiram, apoiados por Bernardinho, a única coisa racional que um time em busca da conquista poderia decidir. Entregaram o jogo para os búlgaros. Saíram de quadra defenestrados em três sets, vaiados por quase todo o ginásio italiano e achincalhados por uma boa porção de analistas brasileiros – em geral, os mesmos que meses atrás condenaram a Ferrari por querer o título do Mundial de Pilotos de Fórmula 1 e, por isso, ordenar uma troca de posições entre Felipe Massa e Fernando Alonso, no GP da Alemanha.

O campeonato seguiu. O Brasil passou com dificuldades pelos tchecos e trucidou alemães, italianos e, por fim, os pobres – em todos os sentidos – soldados de Fidel. A final foi muito mais tranquila do que se imaginava, sobretudo tendo em vista que Cuba derrotara o Brasil na primeira fase do Mundial. A maioria dos críticos curvou-se aos méritos da maior equipe nacional de todos os tempos em todas as modalidades, mas ainda houve os que insistissem no pseudo-moralismo, enxergando na facilidade da vitória sobre Cuba a prova de que a “entregada” para os búlgaros fora desnecessária e manchara o triunfo.

Um bando de falastrões que provavelmente nunca competiram na vida. Se o tivessem feito, saberiam que o moralismo é bonito para quem, do alto de uma confortável posição, ama a retórica, mas de nenhuma valia para quem está na arena de disputa, sedento pela vitória a qualquer preço, desde que dentro das regras. Foi o que fizeram Bernardinho e seus comandados. De fato, possivelmente terminassem como campeões mesmo vencendo a Bulgária e antecipando o confronto com Cuba. Mas qual seria o sentido de se expor a um considerável risco de nem sequer chegar às semifinais se havia um outro caminho, muito mais aprazível, aberto?

O que os hipócritas precisam aprender, de uma vez por todas, é que competições existem para ser vencidas, para além de disputadas. E isso ninguém no Brasil sabe fazer melhor do que Bernardinho e seus garotos. Levanto-me, pois, e os aplaudo com entusiasmo, triste por serem exceção e não regra num país que homenageia a fraqueza em detrimento do mérito.

Passar vergonha ou arrombar os cofres?

A Copa está prestes a começar – para mim só começa depois do pontapé inicial para o primeiro jogo – e uma coisa já é certa e visível: os estádios construídos pelos sulafricanos são belíssimos, exuberantes.

Perto deles, qualquer arena brasileira passa uma vergonha de se esconder debaixo da mesa. E, com isso, acabam-se as esperanças dos mais preocupados com as contas públicas de que, quando realizados em países distantes do primeiro mundo – casos da África e do Brasil – os Mundiais pudessem ter um jeitão mais modesto, condizente com a realidade local.

A ostentação africana coloca um peso do tamanho de um elefante marfinense nas costas do Brasil. Fica agora absolutamente claro, por exemplo, que não seria uma pequena reforma no Morumbi – aliás, que papelão protagonizado pelo São Paulo Futebol Clube nos últimos dias – que deixaria o estádio tricolor pronto para receber o evento à altura africana.

Sobram então duas opções: seguirmos o caminho indicado pela dura realidade de nosso país, sendo menos esbanjadores do que os irmãos da África e apresentando arenas que tragam alguns degraus abaixo o nível estético da Copa ou construirmos variadas obras arquitetônicas inacessíveis e incapazes de falar a mesma língua de nosso pobre povo, utilizando para isso o dinheiro desse mesmo pobre povo.

A primeira opção, mais sensata, sem dúvida arranharia a imagem brasileira frente a milhões de pessoas mundo afora, descortinando a elas a nossa verdade. Deixaria com vergonha o ilustre presidente do comitê organizador do evento. A segunda, totalmente descolada do real, faria o mundo ignorante admirar e louvar a capacidade brasileira de criar obras tão belas e grandiosas, como faz agora com a África. Para os turistas e o comitê organizador, maravilhoso; para o povo, nem tanto.

Tenho a resoluta certeza de que o ilustre presidente de nosso comitê organizador não vai, de forma alguma, passar vergonha. Melhor parecer do que ser. Segurem as calças.

Até a página 10

Como diz o jargão político, os Estados Unidos desautorizaram o alardeado acordo que, depois de horas e mais horas perdidas de negociação, Brasil, Irã e Turquia vieram a público anunciar na última segunda-feira e que seria, segundo os entusiasmados mediadores turcos e brasileiros, a solução para as rusgas entre o Irã, com seu programa nuclear, e os poderosos do Ocidente.

Com ele, os pobres e tolos negociadores acreditavam piamente que não apenas as sanções econômicas pensadas pelos Estados Unidos contra o Irã seriam deixadas na gaveta mas também, e mais importante para eles, que Brasil e Turquia ganhavam nova projeção internacional, revestidos da força necessária para passarem a protagonizar a cena mundial.

Pois no dia seguinte veio a bofetada yankee. Os Estados Unidos abriram a gaveta e propuseram suas sanções ao Conselho de Segurança da ONU. As “potências” emergentes, como gostam de ser chamados Brasil e Turquia, tiveram de sentir o gosto amargo de sua total irrelevância mundial.

A choradeira dos nanicos tupiniquins foi enorme. O choro dos que acreditam em fadas, duendes, mula-sem-cabeça e saci-pererê.

Ora, o gesto estadunidense não é inesperado para qualquer um que tenha o mínimo senso analítico em relação à posição central e absoluta que os Estados Unidos dão a si mesmos quando o assunto é o mundo. As crianças querem brincar de gente grande? “Ok, eu deixo vocês darem uma volta com o meu carro, tá bom, meninos?”, responde o titio Sam. As crianças eufóricas acreditam então que vão poder sair à noite, aprontar todas por aí e voltar quando bem entenderem. Tomam o seu banho, preparam-se para a balada de suas vidas e, na hora do vamos ver, titio Sam dá a elas o controle do Playstation para brincarem de carrinho de corrida. Afinal, ele não prometeu que elas andariam num carro de verdade.

Foi mais ou menos o que fizeram os Estados Unidos ao “incentivarem” a conversa da diplomacia turco-brasileira com os aiatolás. Eles não tinham o que perder com ela. Se desse errado, seria a prova da incompetência alheia. Se ameaçasse dar certo, eles entravam, como entraram, em cena para mostrar quem manda no galinheiro.

É importante ficar claro que essa posição não é singular aos Estados Unidos, mas comum a todos os países que, em qualquer época, estiveram em posição de liderança global. Quem está no trono não quer sair dele e não vai deixar que uns pequenos metidos a besta venham cantar de galo em suas bandas. Tomará atitudes para manter o clube fechado em torno de si e será apoiado nessas atitudes por todos aqueles que de alguma forma fazem parte do clube e não querem correr o risco de perder o seu lugar para “emergentes”.

Quer mandar um monte dos seus à morte em alguma missão de paz numa ilhota da Ásia ou da América Central? Quer oferecer gás gratuito a um vizinho que toma as empresas de seu próprio país? Quer doar milhões de dólares a um país devastado por uma catástrofe, tornando-se o garoto mais solidário do planeta e posando de bonitinho? Pode fazer tudo isso, pode até mesmo ser presidente da ONU ou do Banco Mundial, mas esteja certo de que nada disso vai alterar sua posição no campo de batalha. O general vai apenas rir de sua inocência, que não o afeta, ou até o ajuda, sem ter nada em troca. E se quiser ir além, o Dom Quixote vai ficar com cara de bobo.

Um país só sai da posição de coadjuvante para a de potência mundial sob alguma drástica e traumática transformação político-econômica, em geral trazida à baila em meio e após um conflito bélico. Ninguém trilha esse caminho sendo bonzinho. Essa é a História. Quem a nega, além de um romântico otimista, é ignorante.

Relato de Marte

Se um marciano desavisado caísse de paraquedas em nosso Brasil varonil nesta malfadada semana e tivesse como único meio de se conectar à realidade alheia um aparelho de TV com os canais abertos, voltaria para o seu pátrio planeta com um relato inusitado sobre as bandas desconhecidas.

A pobre criatura verdolenga ficaria certamente muito bem impressionada com a mania de justiça do povo além-espaço. Diria aos seus conterrâneos (ou seria comarcianos?) que esse negócio de deixar julgamentos a cargo de juízes preparados para tal e afastados de interferências externas era coisa de planeta atrasado. Que, no planeta azul do futuro, toda a sociedade estava preparada para fazer justiça, tanto que um aparelho eletrônico transmitia 24 horas por dia imagens de julgamentos capazes de engajar toda uma sociedade.

Concluiria com razão o bom cabeçudinho que o planeta vizinho estava tão à frente que conseguira resolver todos os pepinos que o seu pobre Marte ainda enfrentava a duras penas. Saúde, educação, segurança, tudo uma belezinha.

Segurança principalmente. Os colegas de longe eram de tal forma eficientes neste quesito que prenderam todos os responsáveis pelos delitos e, agora, preocupavam-se apenas em estabelecer as penas finais, naqueles que pareciam ser os dois últimos casos a se resolver no admirável planeta distante: uma dupla acusada de atirar um semelhante menor do alto de uma estrutura de concreto e um outro mais nebuloso, aparentemente um crime mais sério e coletivo, já que várias pessoas eram mantidas presas enquanto julgadas e a transmissão contava com um vasto e tecnológico repertório de reconstituições que auxiliavam a desvendar o mistério, fosse qual fosse.

O verdinho também reservaria bom espaço de seu relato àquele que pareceu ser o comandante da nave azul. Um sujeito alto, magro, cabelo fortemente acinzentado e um par de pequenas peças finas e transparentes à frente dos olhos, desconhecidas em Marte. Apesar de não entender nada do que o referido sujeito falava, era certo que suas palavras eram de uma sabedoria inefável. Todo aquele povo parava à frente dos aparelhos transmissores para ouvir atentamente os ensinamentos e, por fim, emocionava-se com a sentença daquele que indubitavelmente era o principal julgamento. O réu condenado, então, abandonava a sala do tribunal e partia aos prantos para algum triste destino que o pequeno verde não conseguira identificar, certamente por estar a anos-luz daquela sociedade tão avançada.

A conclusão do escriba marciano, ipsis litteris:

Um povo a se imitar. Uma fonte de inspiração para que Marte, um dia quiçá, possa gozar de tamanha tranquilidade e altivez, a ponto de toda a sociedade, unida e esclarecida, ser capaz de definir as derradeiras soluções para a paz etérea.