O bolão e o casamento

Caros e caras,

É com pesar que anuncio: não teremos a atualização quase em tempo real da classificação do nosso bolão durante as quartas-de-final.

O motivo não poderia ser mais nobre. Um de nossos participantes, aliás, um dos mais competitivos até agora, Nilo Rondelli, irá se casar no próximo sábado, em Belo Horizonte, e este que vos escreve foi intimado a ser padrinho do enlace, de tal modo que terei de voar para as doces terras mineiras logo depois de Uruguai x Gana.

E justamente para não perder o jogo entre uruguaios e ganenses, partirei para o aeroporto logo depois de Holanda x Brasil. Em suma, não haverá tempo para fazer as atualizações amanhã (sexta-feira).

Tenho firmes esperanças de conseguir um computador no berço do inesquecível Itamar Franco de onde possa colocar tudo em ordem no sábado. Porém, se o pior acontecer, fica a garantia de que até o final de segunda-feira tudo estará nos conformes.

Fiquem, pois, sossegados e não se preocupem com o atraso. Não terei fugido com o dinheiro de todo mundo.

Espanha 1 x 0 Portugal

A Espanha jogou como time grande. Portugal como time pequeno. E o resultado a favor da Fúria foi mais do que justo.

O toque de bola do meio-campo espanhol é encantador. Se não consegue ser mais efetivo – e de fato não é muito -, a responsabilidade deve ser colocada no ataque, que se ressente da falta de forma de Fernando Torres. Sem conseguir ser a referência que deveria na área, El Niño deixa tudo nas costas de David Villa, que, para sorte da Espanha, faz uma grandíssima Copa, com um único pecado até agora: o pênalti perdido diante de Honduras. Não fez falta.

No único gol do jogo, Villa aparentemente está milimetricamente impedido ao receber o esplendoroso toque de calcanhar de Xaxi. Nada que chegue nem próximo ao primeiro gol argentino contra o México. O trio de arbitragem sai plenamente absolvido não apenas pela dificuldade do lance, mas porque, na dúvida – e não havia como não tê-la – a decisão deve ser favorável ao ataque. Palmas para Hector Baldassi e seus auxiliares.

Pelo lado português, louros apenas para o goleirão Eduardo, que fez outra boa atuação e, apesar de eliminado, credencia-se a figurar na seleção da Copa. Sobretudo porque, com a Jabulani em campo, cada jogo a mais traz mais chances de os arqueiros caírem em desgraça do que se consagrarem.

Nas quartas, o Paraguai deve se comportar mais ou menos da mesma forma que fizeram os lusitanos frente aos espanhois. O jogo então pode ir por dois caminhos: se a Espanha consegue abrir o placar logo no começo – como quase fez hoje -, os sulamericanos terão de sair mais ao ataque e podem ser derrotados até de forma contundente; se a retranca paraguaia funcionar no primeiro tempo, o jogo tem tudo para se complicar – como se complicou hoje – e pode acabar em prorrogação. Pênaltis não são impossíveis de se pensar.

No bolão, a maior parte dos apostadores acreditaram na Fúria. Uns poucos foram para o lado do decepcionante Cristiano Ronaldo e seus companheiros. Ficaram a ver navios.

A principal mudança provocada pelo confronto ibérico está no palpite de melhor defesa. Com apenas um gol tomado e quatro jogos realizados, Portugal tomou o lugar da Suíça como melhor retaguarda e assim acabou com as chances daqueles que haviam apostado nos suíços como defesa menos vazada. Os únicos que podem bater os portugueses, caso não tomem mais nenhum gol até o fim de suas participações, são Uruguai (duas apostas) e Paraguai (uma aposta). Em Portugal ninguém apostou.

Terminadas as oitavas, apenas seis conseguiram acertar todos os classificados: Maurice, José Augusto, Thiago, JP, Ramón e Amaury. A partir das quartas, os palpites mais divididos devem provocar mudanças variadas e significativas.

Paraguai 0 (5) x (3) 0 Japão

Uma das imagens mais comoventes da Copa o choro quase compulsivo de Gerardo Martino, técnico do Paraguai, após o término das cobranças dos pênaltis que levaram a equipe sulamericana às quartas-de-final.

Choro justificado, afinal Martino acabara de levar os guaranis ao seu melhor desempenho em Mundiais, abrindo a possibilidade não tão remota, embora eu não acredite nela, de as semifinais do torneio serem totalmente sulamericanas (Uruguai x Brasil e Argentina x Paraguai).

O Japão, mesmo desclassificado, também saiu de campo com a honra de ter realizado sua melhor campanha em Copas, o que deve diminuir a tristeza de jogadores, comissão técnica e torcedores.

Em campo, o jogo foi disparado o pior das oitavas. O Paraguai apresentava maiores condições de chegar ao gol, mas esbarrava no robusto sistema defensivo do Japão. Receoso de avançar demais e abrir muito espaço para os contra-ataques nipônicos, comprovadamente eficazes, o time sulamericano passou a ter um domínio de posse de bola insosso. O reflexo direto dessa postura paraguaia foi justamente a impossibilidade de o Japão encontrar os espaços que lhe permitiram, por exemplo, mandar a Dinamarca de volta para a Escandinávia.

No final, o 0 a 0 acabou representando bem o jogo e a prorrogação. Nos pênaltis, ambas as equipes tiveram um bom aproveitamento, mas Komano viu o azar mandar o seu chute ao travessão de Villar. 5 a 3 e classificação paraguaia.

O resultado mudou um pouco o bolão, já que alguns apostaram na passagem japonesa. O pódio, contudo, mantém-se inalterado, com Maurice, David e José Augusto. Outra coisa que se deve destacar é o desempenho magnífico de nosso amigo Nilo Rondelli. Como podem notar, Nilim está na 40ª posição, brigando duramente com Marcelo, Marquim e Ian pela lanterna. Só tem um detalhe: os três concorrentes de Nilim esqueceram de fazer a revisão dos palpites. Ele fez tudo bonitinho. Que fase!

Brasil 3 x 0 Chile

Conforme dito aqui quando houve a definição do confronto, Brasil x Chile era o duelo mais previsível das oitavas. Além da antiquíssima freguesia ante os brasileiros, os chilenos apresentavam um estilo de jogo que se encaixava perfeitamente com aquilo que o Brasil gosta, saindo ao ataque sem maiores preocupações com a frágil defesa.

E a partida de hoje foi como se previa. Com a diferença, para maior azar chileno, que a defesa andina, já deficiente, não contou com dois titulares, Ponce e Medel. Tudo acabou muito tranquilo para os comandados de Dunga, que mais uma vez se beneficiaram pela extrema efetividade com quem têm atuado, algo de que também já se falou aqui. O Brasil concretiza quase todas as oportunidades que cria e isso tende a fazer a diferença em confrontos equilibrados como os da fase final de uma Copa. Imagine então num emparelhamento já naturalmente desequilibrado para o lado tupiniquim.

Kaká fez hoje sua melhor atuação. Juan, Lucio, Gilberto Silva e Ramires também foram bem, embora o último tenha tomado o cartão amarelo que não poderia e que o tira do embate frente à Holanda. Por outro lado, Luis Fabiano e Robinho, apesar dos gols, estiveram bastante apagados e Maicon teve o seu pior desempenho.

A facilidade terminou por aqui. Na sexta-feira, contra a Holanda, tudo indica um jogo dificílimo, para ambos os lados. A Holanda de outrora seria mais um dos times que o Brasil gosta de enfrentar, partindo ao ataque e deixando os espaços que a equipe de Dunga tanto gosta e sabe aproveitar. Mas as coisas mudaram. A Holanda desta Copa tem mostrado um futebol muito mais sóbrio do que alegre e com preocupações defensivas que nunca se viu. Não enfrentou ainda um ataque próximo ao brasileiro para ter o novo sistema testado, mas, no papel, divide com a Alemanha o papel de adversário europeu mais perigoso para o Brasil, pelo jeito de jogar.

No Bolão, pouquíssimas alterações. Todos apostaram na vitória brasileira. Quatro cravaram o 3 a 0 e ficaram um pouco melhor na foto do que os demais.

Holanda 2 x 1 Eslováquia

Holandeses e eslovacos fizeram um bom jogo, mas não o suficiente para manter o nível dos quatro primeiros confrontos das oitavas. A Laranja saiu na frente ainda antes do primeiro quarto de partida, com um gol manjadíssimo de Robben, e depois disso passou mais a administrar o resultado do que qualquer outra coisa.

A tarefa acabou facilitada por uma Eslováquia que até conseguia trocar seguidos passes, mas criava pouco perigo à meta adversária. E, quando as parcas chances apareceram, ou foram bem defendidas por Stakelenburg ou desperdiçadas por Vittek e seus colegas.

Numa rápida cobrança de falta, a bola sobrou para Sneijder fazer o segundo e definir a classificação. O desconto eslovaco, num pênalti discutível que foi o último lance do jogo, serviu apenas para tirar pontos da grande maioria dos apostadores do bolão, que apostara no 2 a 0.

Posso estar enganado e, se for este o caso, as quartas virão para me desmentir, mas tenho a nítida impressão de que a Holanda ainda tem garrafa vazia pra vender nesta Copa. Em todos os jogos, os herdeiros do carrossel pareceram-me com o freio de mão puxado, fazendo o mínimo suficiente para vencer todos os seus confrontos. É esperar pra ver.

Como frisado, a grande maioria dos apostadores do bolão havia apostado num 2 a 0. Uma quase unanimidade surpreendente e que foi jogada por terra com o gol da Eslováquia. Os 2 a 1 deram a pontuação máxima (60 pontos) apenas para Roberta, JP, Renatão Seixas e Fernando. Fernando que mantém com isso o aproveitamento impressionante que vem tendo na fase final: acertou os cinco classificados e cravou três placares exatos.

Argentina 3 x 1 México

Faltava só uma arbitragem calamitosa para que a passagem italiana pelos campos da África do Sul pudesse ser classificada, em gênero, número e grau, como apocalíptica. Não falta mais.

Provavelmente invejosos da fama conquistada mais cedo por Larrionda e seus amigos uruguaios, o trio italiano não deixou por menos. Aproveitou a primeira chance que teve para encaminhar o desfecho de um jogo até então bastante equilibrado. O impedimento de Tevez no primeiro gol argentino foi flagrante, visível a olho nu de qualquer um dos quatro cantos do planeta. Apenas o italiano da bandeira e o do apito não viram.

Se para o México já seria tarefa hercúlea superar a Argentina em igualdade de condições, depois da ajudinha extra aos hermanos o negócio passou a beirar o impossível. Para completar o quadro desolador, Osorio, não satisfeito com o auxílio italiano, resolveu ele mesmo tambem dar sua parcela de contribuição, entregando numa bandeja de prata o segundo gol para Higuaín. Com 4 gols, o Washington argentino reassume isoladamente a artilharia do torneio.

O segundo tempo, com o belo terceiro dol de Tevez e o não menos bonito de Hernandez, que definiu os 3 a 1, foi apenas o complemento de um duelo que já terminara nos primeiros 45 minutos.

Com a vitória, a Argentina quebra um longo tabu. Desde as oitavas de 1990, quando venceram o Brasil por 1 a 0, os alvicelestes não ganhavam um jogo eliminatório de Copa nos 90 minutos.

No bolão, apenas o Mateus havia apostado no risco de ver a Argentina fora. Todos os demais acreditavam em Maradona e seus garotos, o que não provocou grandes alterações na classificação. Maurice segue em primeiro, comboiado por David e José Augusto.

Alemanha 4 x 1 Inglaterra

Roubo. Não há outra palavra para definir o que os srs. Jorge Larrionda (árbitro) e Mauricio Espinosa (bandeirinha) fizeram com a Inglaterra no belo jogo diante da Alemanha, em Bloemfontein. Ainda no início do jogo, antes da garfada final, houve outro lance no mímino discutível, que acabou caindo no esquecimento dada a grandiosidade da presepada que viria depois.

Em lance na intermediária, uma disputa de cabeça entre um inglês e um alemão. A bola vai para o ataque inglês, é desviada por um defensor germânico e sobra para Rooney, livre e desimpedido, rumar para o gol. Em decisão polêmica, Espinosa anotou e Larrionda confirmou um impedimento que solapou as boas chances de o English Team sair na frente.

Depois veio o pior. O toque por cobertura de Lampard, que decretaria o empate em dois gols com os alemães, ultrapassou a linha em cerca de meio metro. Um lance claro e evidente. E o fanfarrão Espinosa não estava encoberto. Não há desculpa para o erro grosseiro. Uma vergonha, como diria Boris Casoy.

E quem vier com a história de que a justiça tarda mas não falha, relembrando o histórico lance da final entre Inglaterra e Alemanha na final da Copa de 1966, quando um gol em que a bola alegadamente não entrou por completo foi validado para os ingleses, na prorrogação, estará errado. São situações incomparáveis. Aquela até hoje gera discussão. Se a bola não entrou – como parece não ter entrado – por completo, foi por centímetros. Estava quase inteira na parte de dentro do gol. Bem diferente de hoje.

Tudo isso posto, é imprescindível dizer que a Alemanha tem muito mais time do que a Inglaterra e, possivelmente, teria se classificado hoje, acontecesse o que acontecesse. O conjunto da equipe impressiona. A classe de Ozil azeita as engrenagens e a capacidade que Klose tem de crescer em Copas, além de impressionante, incrementa uma máquina dificílima de ser batida. Se passar pelo México, a Argentina sofrerá. Muito.

A saída do English Team ratifica de vez três coisas: o Grupo C da Copa era fraquíssimo; o fiasco italiano no Mundial, com Capello eliminado, torna-se definitivamente completo; e, individualmente falando, Wayne Rooney é a maior decepção do torneio. Não há contusões ou falta de ritmo que justifiquem o nível do futebol apresentado por alguém tão aclamado.

Em nosso bolão, alguns apostavam na classificação inglesa e podem se complicar um pouco daqui por diante. Outros, que estavam tristes com a classificação ganense ontem, sentem uma nova rajada de vento a favor com o êxito germânico. É assim. A cada jogo, uma nova emoção. E a gangorra sempre em ação.