Campeões com justiça

A maior demonstração de que a Espanha ostenta hoje, indiscutivelmente, a melhor seleção do mundo foi dada pela Holanda, que, ciente de que não poderia fazer frente aos ibéricos na bola, optou por aquela que seria a sua única chance de êxito e que Paulo Vinícius Coelho tão bem definiu como “anti-futebol total”.

Se os laranjas terminassem a primeira etapa da final de ontem com três jogadores expulsos, não seria demais. Em escala decrescente, De Jong, Sneijder e Van Bommel fizeram o suficiente para merecerem esse destino, não fosse a condescendência do árbitro inglês Howard Webb.

Condescendência sem a qual muito provavelmente a vitória espanhola não seria tão difícil quanto foi, consolidando-se ainda durante os 90 minutos regulamentares. Mas o futebol não é feito de hipóteses e, quando Robben partiu sozinho para o gol de Casillas, o mundo inteiro viu a Holanda campeã do mundo. Como não poderia deixar de ser, eles, os deuses de futebol, também estavam assistindo à grande decisão e, para a felicidade geral de todos os amantes do esporte bretão, deixaram aquela perna direita de Casillas ali, perdida no canto direito enquanto ele saltava para o lado oposto. O correto chute de Robben desviou no pé ali devidamente esquecido pelos deuses, não entrou e o futebol sorriu. O futebol venceu.

O gol de Iniesta, nos instantes finais da prorrogação, fez justiça ao melhor futebol da Copa. Fez justiça à seleção que colocou as outras todas na roda, tocando daqui pra lá e de lá pra cá sem que os adversários se aproximassem da pelota. Uma seleção que venceria mais fácil estivesse Fernando Torres em condições de jogo. Fez justiça ao próprio Iniesta, que não merecia sair de campo como aquele que perdera os gols que faltaram para a Espanha ser campeã mundial. Merecia, sim, sair como um dos candidatos a melhor da Copa, a melhor do mundo. E assim saiu.

Espanha campeã mundial. Nada mais justo.

Quem ouviu a narração do gol de Iniesta feita por Raul Varela, na Rádio Marca, se não chegou às lágrimas absolutamente comoventes de Casillas, teve pelo menos a noção do que o título significou para os espanhóis. Fantástico.

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O bolão. Vocês não conseguiriam imaginar como esse jogo, criado sem maiores expectativas, mexeu comigo durante os 30 dias de competição na África. A ponto de criar uma afeição que, quando terminada a final, fez misturarem-se em mim uma sensação de imensa alegria, pela vitória, e uma de triste desencanto pelo fim da brincadeira. O que farei nas próximas jornadas sem ter de assistir a todos os jogos para atualizar os resultados minutos depois? Como serão os meus dias sem as dores de cabeça criadas pelas sempre presentes polêmicas de última hora? O que fazer para passar o tempo durante os quatro anos de espera até o próximo?

Antes de passar aos resultados finais, não posso deixar de agradecer àqueles que me fizeram companhia diária, sempre a postos com comentários divertidos, pertinentes, bem pensados. Represento-os aqui por Carlos Urso,  Isnardo Villaroel, Paulo Furquim, Ramón Fernandez, João Paulo e Fernando Oliveira, parceiros do primeiro ao último instante, cheios de entusiasmo, desportividade, gentileza. Obrigado.

O resultado final da Copa acabou finalizando o nosso jogo com um desequilíbio que não houve em nenhum momento da disputa. Por ter acertado campeão, vice, terceiro colocado e artilheiro, terminei a competição com 1.671 pontos, 236 à frente do segundo colocado, o professor Ramón, que terminou a incrível recuperação iniciada a partir do 39º lugar da primeira fase acertando a Espanha campeã e a Holanda vice.

Fábio Corrêa fechou o pódio, beneficiado pelo acerto exato da Alemanha em terceiro e do Uruguai em quarto. A seguir, ficou Persio naquela que provavelmente é a colocação mais ingrata, 45 pontos atrás de um lugarzinho entre os premiados.

Merece ainda destaque David Escudero, nosso colega mexicano que passou a primeira fase quase que inteira em primeiro e não terminou entre os três de cima porque acabou caindo no conto do Brasil e mudou o seu palpite inicial, Espanha campeã. A 7ª colocação foi o preço a pagar. Muito obrigado pela participação desde a América do Norte, David!

Por fim, não poderia deixar de mencionar Maurice Gremaud, que passou boa parte da fase final na frente, mas acabou perdendo fôlego na reta final, prejudicado pelos palpites de Holanda campeã e Argentina vice.

Espero vocês de volta em 2014!

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Viva España!

Espanha campeã mundial! A Copa do Mundo está nas melhores mãos possíveis. Venceu o futebol.

Diego Forlán foi coroado o melhor jogador do torneio. Parabéns à FIFA pela justíssima decisão, defendida ontem por aqui.

David Villa, Thomas Müller, Wesley Sneijder e o próprio Forlán dividiram a artilharia, com cinco gols.

Thiago Ribeiro, Ramón Fernandez e Fábio Corrêa, nesta ordem, foram os vencedores do bolão, que tanto nos animou ao longo dos últimos 30 dias.

Logo mais – se o trânsito deixar, ainda hoje – serão postadas as resenhas completas sobre a final da Copa, a Copa como um todo e, claro, o material completo e derradeiro do bolão.

Uruguai 2 x 3 Alemanha

Confirmada a tradição de jogos animadíssimos nas disputas de terceiro lugar em Copas. Provavelmente relaxados, no bom sentido, após a eliminação nas semifinais e certamente menos preocupados em perderem um duelo que já não vale tanto assim, os jogadores costumam protagonizar, no sábado que antecede o dia derradeiro do Mundial, um espetáculo na maioria das vezes melhor do que a própria final.

Em campo, a Alemanha confirmou ter uma equipe bastante superior ao Uruguai. Jogando um futebol sério e, sobretudo, solto, não encontrou muitas dificuldades para chegar sempre próxima ao gol de Muslera, que, com uma atuação desastrosa, contribuiu imensamente para os gols de Müller, primeiro do jogo, Jansen, que empatou o duelo em dois e, em menor medida, também para o tento decisivo de Khedira, ao ficar estático sobre a linha da meta enquanto a bola viajava pra lá e pra cá na pequena área.

O resultado adverso não apaga de forma alguma o belo papel do Uruguai na África. Assim como contra a Holanda, os sulamericanos lutaram muito hoje contra um adversário visivelmente mais forte e, apenas por circunstâncias, terminaram derrotados. Cavani melhorou um pouco – bem pouco – o nível medíocre do futebol apresentado ao longo da competição, fazendo o gol do 1 a 1, e Forlán assinou mais uma de suas raras obras ao virar o jogo e passar a impressão de que os uruguaios poderiam encerrar a Copa em terceiro.

Não encerraram, mas Forlán fez um torneio extraordinário. A meu ver, é até agora o melhor e, principalmente, o mais constante jogador do Mundial, não tendo passado um jogo sequer – nem o empate inaugural contra a França – da forma apagada que já caracterizou, vez ou outra, Iniesta, Xavi, Villa e Sneijder. Depois da final, é praticamente certo que um destes últimos, ou Robben, seja eleito a estrela da Copa. Fará jus, afinal será campeão, mas, fosse Forlán o escolhido, a justiça não seria menor.

Outros uruguaios que merecem menções honrosas pelo trabalho na Copa são Fucile e Oscar Tabarez, o treinador. Assim como também as merecem o treinador do lado alemão, Joachim Löw, e praticamente todos os seus comandados. Grande Alemanha.

Ah, a “Copa América” terminou com três europeus nas três primeiras posições. Não custa lembrar.

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O resultado de hoje acabou totalmente com as chances de dois apostadores que ainda nutriam expectativas de pódio no bolão, Persio e Rafael Cicco. Quem se deu melhor com a terceira posição alemã foi o Fábio Corrêa, segundo a se garantir, pelo menos, na terceira colocação de nosso ranking. Agora, é o único que ainda pode me desbancar na liderança. Para isso, precisa da Holanda campeã e de Sneijder superando Villa na artilharia.

Se não acontecer uma ou outra coisa entre essas duas, ou seja, se a Espanha for a campeã ou Villa o artilheiro, termino em primeiro. Caso aconteçam ambas, fico em segundo. Professor Ramón torce para a Espanha para ficar em segundo. Maurice será holandês desde criancinha para se garantir em terceiro.

Bolão na reta final: as chances de cada um

Passados 62 dos 64 jogos da Copa, apenas uma coisa já está definida no bolão. Aconteça o que acontecer, ninguém mais tira a lanterna de Marcelo Cerri, com seus 697 pontos. Para quem acertou em cheio o primeiro placar do torneio, entre África do Sul e México, deve ser, no mínimo, frustrante.

Na parte de cima – e um pouco mais honrosa – da tabela, seis apostadores ainda têm chances de premiação e três de serem campeões. Após um árduo trabalho de construção de todos os cenários possíveis para os jogos de sábado e domingo, vem abaixo quem são eles e um resumo das chances de cada um.

1. Thiago Ribeiro

Entro na reta final como favorito. Depois de um bom começo, que chegou a significar a liderança na segunda rodada, errei 6 dos 16 classificados para as oitavas e terminei a primeira fase em 20º. A partir daí, o desempenho foi quase perfeito: de todos os classificados das fases seguintes, errei apenas a Alemanha nas semis. O resultado foi a liderança e a folga de 85 pontos para o 2º colocado. Os palpites que ainda podem engordar minha pontuação são Espanha campeã, Holanda em segundo, Alemanha em terceiro e David Villa artilheiro. Com isso, sou o único que já garantiu uma posição no pódio, qualquer que seja a combinação de resultados. Serei campeão se:

a) A Espanha for campeã;

b) A Holanda for campeã e Villa for artilheiro.

2. Fábio Corrêa

O Fabinho teve um início discreto. Começou a aparecer a partir da terceira rodada, quando acertou boa parte dos classificados para as oitavas, terminando a primeira fase em 9º. Na fase final, os resultados que mais prejudicaram foram os de Estados Unidos x Gana e de Holanda x Brasil. Foi dos poucos a acertar a Alemanha passando pela Argentina, o que lhe garantiu a segunda posição atual, com 1.296 pontos. Os palpites que o favorecem na reta final são Espanha em segundo, Alemanha em terceiro e Uruguai em quarto.

Existe uma possibilidade de ser campeão, que é a Holanda superar a Espanha, o mesmo acontecendo com a Alemanha diante do Uruguai e, ainda, David Villa não terminar como o goleador do Mundial. Por outro lado, se o Uruguai ficar em terceiro, ficará fora do pódio.

3. Maurice Gremaud

O Maurice, pai do grande professor Amaury Gremaud, começou a se destacar e dar umas bicadas no pódio já na segunda rodada. Manteve-se relativamente constante ao longo do jogo, terminando a primeira fase em 2º lugar. Chegou à liderança ao acertar o resultado de Estados Unidos x Gana e saiu dela por apostar que a Argentina chegaria até a final. Contudo, a aposta certeira na Holanda o manteve em terceiro até aqui e ainda abre a possibilidade de título.

Será campeão no domingo se acontecer a seguinte situação: Holanda campeã, com o Uruguai em terceiro e David Villa fora da artilharia. Porém, se Casillas erguer o primeiro título espanhol, não conseguirá nem um lugarzinho entre os três melhores.

4. Ramón Fernandez

Professor Ramón foi, de longe, o apostador que mais passeou pela tabela de classificação ao longo da Copa. Terminou o primeiro dia na liderança, tendo cravado os dois placares, mas, a partir daí, colecionou uma série incrível de reveses que o levou à lanterna, depois que Estados Unidos e Inglaterra se classificaram no Grupo C. Encerrou a primeira fase em 39º e protagonizou, na fase final, a recuperação mais impressionante entre todos os jogadores.

Não pode, pela combinação de resultados e apostas, terminar como campeão, mas basta a Espanha sagrar-se campeã para garantir a segunda colocação. Em via oposta, se der Holanda, despede-se de qualquer chance.

5. Rafael de Cicco

Com um início não mais que apagado, o Rafael começou a mostrar a cara na terceira rodada, cravando a maioria dos classificados para as oitavas. Terminou, com isso, a primeira fase em 8º. Na etapa decisiva, apresentou um desempenho regular, errando logo de cara os resultados de Estados Unidos x Gana e de Alemanha x Inglaterra, e recuperando-se com o acerto das classificações holandesa e espanhola à decisão. Chega à reta final em 10º lugar e é quem pode dar o maior salto no último suspiro.

Não alcança mais a liderança, mas pode terminar em segundo ou terceiro. Se a Holanda for campeã, o Uruguai terminar em terceiro e David Villa não for o artilheiro, fica em segundo desde que faça pelo menos 12 pontos com o resultado da final, entre Holanda e Espanha. Se essa combinação entre as seleções se mantiver, mas não fizer os 12 pontos no jogo final ou Villa for o artilheiro, fecha o bolão em terceiro. Qualquer outra combinação tira Cicco do pódio.

6. Persio Bosquetti

Persio ia razoavelmente bem no bolão até que apostou na Coreia do Sul contra a Argentina e se viu num mergulho profundo. Conseguiu ainda se recuperar razoavelmente na primeira fase, chegando a beliscar o pódio e encerrando-a em 12º lugar. Na fase final, não foi brilhante, errando os resultados de Estados Unidos x Gana, Holanda x Brasil e de Argentina x Alemanha,  mas conseguiu se manter com chances graças às apostas na Espanha campeã e na Alemanha em quarto.

Pode chegar à terceira posição, e no máximo até ela, se a Espanha for a campeã e o Uruguai, o terceiro colocado. Qualquer outro desfecho deixa Persio fora do pódio.

***

É importante, por fim, frisar dois pontos:

(i) felizmente, nenhuma das poucas punições ocorridas ao longo do bolão terá qualquer efeito no resultado final da disputa. Todos os apostadores punidos não teriam chances de chegar entre os três primeiros mesmo sem nenhum ponto descontado;

(ii) a fórmula de disputa do jogo se mostra absolutamente exitosa. Sempre haverá os que discordem, vislumbrando um desempenho próprio possivelmente melhor em caso de mais ou menos períodos para revisões nos palpites, por exemplo. Fato, contudo, é que essa fórmula foi capaz de atingir os seus objetivos: permitiu aos apostadores revisarem as apostas depois de conhecerem o desempenho real de cada equipe na Copa, juntando, pois, os aspectos sorte e competência; possibilitou grandes reviravoltas ao longo da disputa, exemplificadas especialmente pelo professor Ramón; e, em linha com o espírito da Copa, foi deixando alguns pelo caminho, mas chega ao final ainda cheia de emoção. Por tudo isso, e por mais que sejam avaliadas todas as eventuais mudanças sugeridas, o modelo de 2010 já sai como favorito à reeleição em 2014.

Alemanha 0 x 1 Espanha

Para surpresa quase geral, a Espanha fez com a Alemanha mais ou menos o que fizera com Portugal, nas oitavas. Digo quase geral porque, sem querer puxar a brasa para a nossa sardinha, mas apenas sendo realista, quem leu horas atrás a prévia do jogo aqui teve acesso a uma boa porção de motivos para acreditar que a Espanha pudesse passsar à final.

E praticamente todos aqueles motivos se confirmaram. A Espanha demonstrou que tem um toque de bola muito superior ao de ingleses e argentinos; Müller fez uma falta danada aos germânicos, da mesma forma que Pedro comprovou a qualidade do banco espanhol; e del Bosque foi um rival à altura, para não falar bastante superior, a Löw.

O que ninguém poderia imaginar era que esses motivos pintassem um quadro de tamanha supremacia espanhola. O que houve foi um ataque contra defesa ameaçado em apenas uma oportunidade, numa finalização de Kroos bem defendida por Casillas. No mais, a Espanha sobrou. No primeiro tempo, não transformou essa sobra em grandes oportunidades, mas, no segundo, além da cabeçada furiosa de Puyol, poderia ter feito mais, especialmente num contra-ataque incrivelmente desperdiçado por Pedro, que, de resto, teve uma atuação próxima da perfeição.

Outro resultado que não a vitória dos espanhóis seria triste para o futebol.

Depois de hoje, a Espanha reforça o favoritismo para a final. Favoritismo que, no entanto, deve ser muito bem qualificado. A Espanha não pode, por exemplo, acreditar que a final foi hoje. Não foi. Do outro lado, há uma Holanda que ostenta a maior invencibilidade entre todas as seleções do mundo (25 jogos) e mantém impressionantes 100% de aproveitamento desde o início das Eliminatórias.

Mas isso não é o mais importante. A Holanda apresenta um estilo de jogo diferente de Portugal, Paraguai e Alemanha. Ao contrário deles, e assim como a Espanha, gosta de jogar com, e não sem, a bola. A Espanha não está acostumada a isso na Copa, o que poderá trazer-lhe muitas dificuldades. Nada, contudo, que retire o ligeiro favoritismo ibérico.

E a Espanha “amarelona” está na final. Assim como a Holanda, também “amarelona”. E o Brasil “guerreiro” ficou pelo caminho. Se o mundo não acabar até o próximo domingo, teremos, pois, uma “amarelona” campeã… mais uma na cabeça dos amantes de chavões inócuos.

No bolão, seguiu-se o mesmo caminho de ontem: não foram muitos os que pontuaram, mas os que o fizeram estão sorrindo de orelha a orelha. Faltando apenas dois jogos para a finalização do torneio, apenas alguns apostadores mantêm chances de premiação. Amanhã, teremos uma postagem esmiuçando as chances de cada um, com as possíveis combinações de resultados e tudo o mais.

Uruguai 2 x 3 Holanda

A análise feita hoje mais cedo para Uruguai x Holanda confirmava-se plenamente até os 30 minutos do primeiro tempo. A Holanda, com relativa tranquilidade, dominava o jogo e já vencia os uruguaios com um golaço de Van Bronckhorst.

A partir daí, os rumos da partida passaram por uma espécie de tornado. Talvez premidos pela tal confiança excessiva, os holandeses se deixaram submeter à marcação sulamericana e o Uruguai passou a conseguir fazer algo não propriamente típico de seu jogo: trocar passes. Numa saída pelo meio, Forlán aprontou mais uma das suas e empatou, entornando ainda mais o caldo laranja.

No segundo tempo, os celestes voltaram melhor. Chegaram a alimentar fortes expectativas de classificação à final, mas, num lance aparentemente sem futuro, Sneijder recebeu na entrada da grande área e mandou para o gol. A bola seria defendida por Muslera, mas desviou num defensor uruguaio e se tornou inalcançável. Ainda houve os que reclamassem um possível impedimento de Van Persie, que, em posição irregular, teria atrapalhado a tentativa de defesa do arqueiro celeste. Discordo do argumento. Primeiro, porque a posição de Van Persie era duvidosa e, na dúvida, deve prevalecer o ataque. Segundo, porque a presença do atacante holandês ali não alterou em nada o comportamento de Muslera no lance. Nada teria mudado se ele ali não estivesse. Muslera não chegaria na bola. Portanto, gol legal.

Os uruguaios ainda se recuperavam do baque quando veio o terceiro, em cabeçada de Robben. Tudo totalmente definido, certo? Nem tanto. Num último e honroso esforço, o Uruguai descontou com Maxi Pereira aos 46 e ainda impôs uma surpreendente pressão nos minutos finais. Quase deu.

A Holanda voltou a apresentar o jogo apenas para o gasto que a tem caracterizado na Copa. Exceção feita ao segundo tempo contra o Brasil, foi este o jogo que a garantiu numa posição que não alcançava desde 1978. Chega com pinta de azarão na final, seja quem for o rival, mas está de parabéns. Com todos os méritos.

O Uruguai ainda tem a disputa de terceiro lugar no sábado, mas desde já marca sua passagem pela África com inegáveis brilhantismo e superação. Quem poderia enxergar na pouco celebrada seleção a melhor da América do Sul na Copa? Ensinou ao Brasil como se perde bonito, se é que isso é possível. Como disse o competente Oscar Tabarez após o jogo, “se existisse uma forma de se escolher como perder, provavelmente escolheríamos o que aconteceu hoje”. Poderia Dunga dizer o mesmo?

No bolão, poucos haviam apostado na semifinal entre Holanda e Uruguai e também poucos vislumbrado a seleção laranja na final. Com isso, e em linha com a proposta idealizada pelo jogo, não muitos pontuaram com a partida de hoje, mas os que o fizeram conseguiram um bom salto na tabela de classificação. A disputa segue acirrada, mas cada vez com menos combatentes. Como a Copa.

Bolão e balanço das quartas

Pronto! Demorou, mas cá estou de volta. A viagem a BH teve lá seus percalços, é verdade, mas isso não vem ao caso. Vamos logo ao que interessa: O BOLÃO!

Dada a descomunal expectativa de todos os apostadores pelos resultados atualizados, vou inverter a ordem habitual das postagens da Copa. Primeiro passarei a evolução da classificação do bolão e depois farei um breve balanço das quartas, com pitacos sobre os jogos e as seleções.

Nenhum de nossos apostadores acertou os quatro classificados para as semifinais. Pouquíssimos acreditaram que a Holanda passaria pelo Brasil e com isso, já ao fim do primeiro jogo das quartas, eram poucos os que poderiam fazer 100%. Poucos que sucumbiram no dia seguinte, quando a Alemanha eliminou a Argentina, que praticamente monopolizava os palpites.

Cinco jogadores acertaram três dos quatro semifinalistas e subiram bastante depois de encerradas as quartas. Além disso, saem em vantagem para a reta final, com maiores possibilidades de avançar ainda mais até o dia do julgamento final: o próximo domingo.

Confiram a classificação ao final da postagem e passemos ao balanço dos jogos das quartas.

Holanda 2 x 1 Brasil

O escrete canarinho fez um primeiro tempo próximo ao ideal. Saiu na frente e poderia ter aberto mais, embora não tenha desperdiçado reais chances. No início do segundo tempo, o “melhor do mundo” Júlio César falhou e o gol não mais que fortuito da Holanda deixou, inexplicavelmente, o time brasileiro em frangalhos. Parecia haver não um empate mas sim uma goleada a ser revertida. Dali em diante o que se viu foi um baile holandês, facilitado pelo desespero de peças como Felipe Melo e Robinho. Com lances dignos daquelas peladas em que o jogo está tão fácil, mas tão fácil, que um time fica brincando diante do goleiro em vez de chutar ao gol, a Holanda poderia ter imposto ao Brasil uma humilhação nunca antes vista em Copa. O 2 a 1 ficou baratinho, baratinho.

O resultado deixa lições. 1. Comprova a opinião, entre elas a deste blog, de que a convocação de Dunga foi péssima, deixando o time absolutamente sem opções de gabarito para lutar contra um resultado adverso; 2. Deixa latente a total falta de preparo psicológico da equipe, algo não muito surpreendente para um time comandado por alguém que, quando levantou a taça do mundo, em vez de celebrar a conquista mandou todos àquele lugar. A mim ficou a nítida impressão de que todos ali estavam tão certos de que seriam campeões que, à primeira ameaça de revés, perderam o chão por completo. Inadmissível; 3. Mostra que não é o fato de fazer da preparação um circo, como em 2006, ou um quartel general, como agora, que faz um time ser campeão. Isso é o de menos. O que importa é ser o mais preparado para vencer. E isso a seleção brasileira não era; 4. Pela enésima vez, joga na cara dos pachecos que não existe lugar para afirmações levianas em Copas. A da vez era que a Holanda era fueguesa do Brasil em Mundiais. Nada mais surreal. Nos três jogos anteriores ao da última sexta, era uma vitória holandesa, uma brasileira com a ajuda da arbitragem e uma decisão nos pênaltis, mais uma vez graças ao apito amigo do Brasil, com vitória brasileira. Que freguesia é essa?

Uruguai 1 (4) x (2) 1 Gana

Jogo mais emocionante da Copa. Disparado. O modo como o duelo se desenvolveu foi curioso. Um time dominava por completo as ações durante uns 20 minutos e, de repente, sem mais nem menos, o domínio passava na mesma proporção para o outro lado. Desse jeito, o resultado só poderia ser mesmo o justo 1 a 1 no tempo normal.

Na prorrogação, as equipes apresentavam mais medo de perder do que vontade, e preparo físico, para vencer. Até que nos últimos 5 minutos Gana resolveu partir pra cima. A pressão terminou numa confusão na área, em que Suárez salvou por duas vezes seguidas o gol africano. As duas vezes em cima da linha. A segunda com a mão. O pênalti e a expulsão de Suáreaz marcavam o sofrido adeus do guerreiro Uruguai. Mas Gyan mandou a bola no travessão e a decisão se postergou um pouco mais. À disputa final da marca do pênalti chegaram um Uruguai ressuscitado e uma Gana semi-nocauteada. O resultado só poderia ser o que foi.

E ficou Gyan estatelado no chão. Chorando desesperadamente. Triste demais. Imagem mais comovente do Mundial.

Argentina 0 x 4 Alemanha

Um passeio germânico. Não houve um momento sequer em que os comandados de Maradona fizessem cócegas nos europeus. Deve ter até dado uma certa vergonha naqueles que bradavam aos quatro cantos o domínio sulamericano em gramados africanos. Como se dissera aqui, a afirmação era precipitada. Dito e feito.

A Argentina de Maradona, assim como o Brasil de Dunga, mostrou que, na hora de a onça beber água, é preciso ter um treinador à beira do campo. Coisa que D. Diego e o colega brasileiro decididamente não são. Pelo menos não ainda. Do outro lado, de modo diametralmente oposto, Joachim Löw, este sim, um grandíssimo treinador. Depois do chapeú sobre Capello, o atropelamento sobre Maradona.

Paraguai 0 x 1 Espanha

Há poucos dias, afirmou-se aqui que se a Espanha conseguisse sair logo à frente do Paraguai, deveria construir uma fácil vitória. Mas, se não fizesse no primeiro tempo, as coisas se complicariam. Foi o que aconteceu. A defesa paraguaia foi muito bem em seu objetivo de não deixar a Espanha jogar. E os ibéricos mais uma vez sentiram falta do Torres de outrora. Um pênalti perdido para cada lado – o da Espanha depois de a cobrança ser repetida, algo com o que, por princípio, não concordo – e eis que surgiu o salvador de sempre na passagem espanhola pela África: David Villa, dessa vez ajudado por uma grande jogada de Iniesta. O suficiente para a classificação inédita.

E o Paraguai saiu de campo com uma cabeça muito mais erguida do que a brasileira. Ou a argentina.

Seleção Coisas Mais das quartas: Casillas (ESP); Lahm (ALE), Friedrich (ALE), Ooijer (HOL); Khedira (ALE), Iniesta (ESP), Schweinsteiger (ALE), Sneijder (HOL), Müller (ALE); Forlán (URU), Klose (ALE). Técnico: Joachim Löw (ALE).

Jogador Coisas Mais:  Schweinsteiger (ALE)

Melhor seleção: Alemanha

Seleção Coisas Menos das quartas: Júlio Cesar (BRA); Otamendi (ARG), Demichelis (ARG), Mensah (GAN), M. Bastos (BRA); Mascherano (ARG), Felipe Melo (BRA), Cavani (URU); Tevez (ARG), Cardozo (PAR), Luis Fabiano (BRA). Técnico: a dupla Dunga (BRA)/Maradona (ARG).

Jogador Coisas Menos: Felipe Melo (BRA)

Pior seleção: Argentina