O bolão e o casamento

Caros e caras,

É com pesar que anuncio: não teremos a atualização quase em tempo real da classificação do nosso bolão durante as quartas-de-final.

O motivo não poderia ser mais nobre. Um de nossos participantes, aliás, um dos mais competitivos até agora, Nilo Rondelli, irá se casar no próximo sábado, em Belo Horizonte, e este que vos escreve foi intimado a ser padrinho do enlace, de tal modo que terei de voar para as doces terras mineiras logo depois de Uruguai x Gana.

E justamente para não perder o jogo entre uruguaios e ganenses, partirei para o aeroporto logo depois de Holanda x Brasil. Em suma, não haverá tempo para fazer as atualizações amanhã (sexta-feira).

Tenho firmes esperanças de conseguir um computador no berço do inesquecível Itamar Franco de onde possa colocar tudo em ordem no sábado. Porém, se o pior acontecer, fica a garantia de que até o final de segunda-feira tudo estará nos conformes.

Fiquem, pois, sossegados e não se preocupem com o atraso. Não terei fugido com o dinheiro de todo mundo.

O pequeno é forte

Deu tudo certo. O pequeno Samp, com seus 11 anos, enfrentou a sala de cirurgia como se estivesse na flor da idade. Ainda está meio avariado e com um daqueles abajoures na cabeça, mas em breve voltará aos tempos áureos.

Recesso findo.

Samp

Tenho várias coisas para escrever. Quero falar da total incompetência estratégica do PSDB nas últimas eleições presidenciais, que beirou a burrice e, parece, está por se repetir em 2010. Quero falar de Lula, a quem considero um gênio, embora esteja longe de ser seu eleitor. Quero falar do absurdo das cotas raciais. Quero falar do fato de a seleção brasileira ter sido flagrantemente beneficiada pela arbitragem em todas as Copas que venceu. E tantas outras coisas quero falar.

E vou falar. Mas não hoje. Não nos próximos dias. Falta-me por estes dias a inspiração necessária. Todo o meu ser está concentrado em gerar forças positivas ao Samp, meu cãozinho, meu filho, que passará por uma grande prova na próxima terça-feira.

Peço desculpas aos poucos leitores que me acompanham. O recesso será breve. E peço, sobretudo, a torcida de todos pelo pequeno.

A Teoria da Bacia

Hoje vou apresentar um pensamento que comecei a desenvolver já há longa data e que, com o passar do tempo, entremeado por algumas conquistas amorosas e outras tantas decepções do mesmo tipo, transformou-se em teoria. A Teoria da Bacia.

Embora seja uma ferramenta poderosa para todos aqueles, e aquelas, interessados em conquistar o ser desejado, trata-se de uma simples aplicação de leis elementares da Física a relacionamentos amorosos. Vamos a ela.

Imaginem vocês uma bacia cheia d’água. Dela se aproxima um Sujeito A que, abruptamente, tenta puxar, com as mãos, a bacia com a água para junto de si. O Sujeito A consegue a bacia, porém, a água, seguindo princípio fundamental da Física, vai para o lado oposto, afastando-se do Sujeito A.

Imaginem agora outro elemento, chamemos de Sujeito B, que também se aproxima da mesma bacia e, ao invés de tentar trazê-la para perto, desfere um potente chute tentando mandar a bacia cheia d’água para longe dele. Assim como ocorrera com o Sujeito A, o Sujeito B consegue realizar apenas parte de seu objetivo, já que a bacia vai para longe, mas a água, devido à força do chute, volta contra ele, molhando o seu estimado corpo.

Como poderão verificar ao fazerem em casa o experimento, as situações acima se aplicam a qualquer pessoa que queira se passar pelos sujeitos A ou B, independente de raça, religião, índice de massa corporal ou time de futebol do coração.

Mas não se repetem apenas com os sujeitos, as bacias e a água. Na verdade, a água dentro da bacia é uma alegoria perfeita do comportamento que nós, seres ditos racionais, temos sempre que nos deparamos com alguma situação amorosa. Homem ou mulher, todos se enquadram na Teoria da Bacia*: se o nosso par nos enche de carinho, demonstra toda a sua afeição com mimos os mais variados, ou seja, se tenta trazer a bacia para perto de si, o que fazemos? Vamos imediatamente para o lado oposto e nos afastamos da pobre alma amante, como a água; ao contrário, se o pretendido, ou pretendida, comporta-se como um verdadeiro pulha, ignorando nosso carinho, não honrando os compromissos mais elementares como atender ligações telefônicas e até mesmo esquece nossa data de aniversário, ou seja, se o distinto enfia um bico bem dado na bacia, para que ela suma no horizonte, o que fazemos? Tal como a água, derramamo-nos sobre o troglodita, tentamos de todas as formas conquistar o coração do brucutu, não enxergando que o único meio adequado para conseguir a conquista seria justamente devolver o chute na bacia, com potência no mínimo semelhante.  

Por outro lado, o mesmo que chuta a bacia hoje e se ensopa com a água que volta em sua direção, amanhã tenta trazer a bacia para si e vê a água ir embora sorrateira. O mais interessante é que, mesmo tendo conhecimento da teoria e sabendo, portanto, que o comportamento mais racional e eficaz seria agradar (trazer a bacia para perto) justamente quem queremos ver longe e menosprezar (chutar a bacia) quem desejamos conquistar, fazemos sempre o oposto.

E continuaremos fazendo até o fim dos tempos, ao mesmo tempo em que provamos por A+B que existe alguma racionalidade na raça humana…

* Importante ressaltar que o caso geral da Teoria da Bacia enquadra-se aos homens e mulheres que gravitam em torno da média nas diferentes características pessoais (beleza, situação financeira, fama etc.), podendo não se aplicar perfeitamente a casos especiais. Especificamente, em relação à beleza, a teoria se aplica totalmente aos muito belos, mas não aos muito feios, que, contrariando as leis da Física, sempre tenderão a se derramar em direção aos pretendentes, independente de serem chutados os agradados. Já em relação à situação financeira, não se aplica totalmente nem aos muito ricos nem aos muito pobres. Os primeiros conseguirão trazer o ser desejado para perto independente do seu modo de ação e os segundos dificilmente conseguirão o intento, mesmo desferindo na bacia chute mais potente que a patada atômica de Pepe ou Rivellino. Há ainda os casos de interações, como muito feio e muito rico ao mesmo tempo. Resumindo grosseiramente a análise que seria extensa, em casos como esse a situação financeira tende a ser dominante sobre a beleza física.