Beber o defunto

Por Daniel Marchi

Conforme uma antiga tradição interiorana, praticamente já extinta, para se suportar uma longa madrugada de velório as pessoas consumiam pequenas doses de aguardente, sempre cabisbaixas e sem algazarra. Dizia-se que os presentes estavam velando e “bebendo” o defunto. Este era, mais ou menos, o clima do pódio do GP da Alemanha. As champanhes jorravam e os sorrisos amarelos se abriam apenas para cumprir um protocolo. E só.

De fato, a prova não merecia o dito velório. Uma largada bem interessante e disputas apertadas  vinham compondo um bom roteiro. De modo entusiasmado discutíamos o consumo de pneus, a técnica de pilotagem de acada um, etc etc. Dada a dificuldade do campeonato e a intensidade da corrida, já aguardávamos o verdadeiro carnaval que o vencedor faria depois da quadriculada.

Mas não houve carnaval. Não aconteceu porque a Ferrari resolveu, de novo, apequenar-se. A dobradinha aconteceu e os pontos estão no bolso, a despeito de os admiradores do automobilismo (e pior, da equipe também!) vislumbrarem aquele pódio e sussurrarem ao término de uma profunda respiração: que merda.

Ah… mas e o defunto, quem é? Escolham.
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Vida longa aos iconoclastas

Quando se fala em iconoclasmo, o primeiro significado que surge à mente é o de oposição ao culto de imagens religiosas ou mesmo o de destruição dessas imagens. A ideia das próximas linhas vai além, trabalhando com uma definição que considera iconoclasta todo aquele que se rebela contra verdades socialmente estabelecidas e que, na realidade, têm de verdade pouco ou nada mais do que o nome fantasia.

São essas malfadadas verdades que, criadas de um instante para outro ou cultivadas por anos a fio, dispensam os indivíduos da árdua tarefa de pensar. Tiram-lhes o livre arbítrio e trabalham para que tudo fique sempre, e se possível cada vez mais, ao gosto dos poucos que definem o rumo das coisas. Como a racionalidade humana é muito mais limitada do que se consegue imaginar, são raros os que surgem a questioná-las. São eles, os iconoclastas. Quase sempre colocados à margem, sob algum rótulo depreciativo. Quanto menos ouvidos, melhor.

Num mundo em que ficou estabelecido que ser “de esquerda” é ser “do bem” e ser “de direita” é ser “do mal”, num Brasil em que os três (dois?) reais candidatos à presidência da República têm fortíssimos traços socialistas, iconoclasta é aquele que se atreve a falar mal da esquerda, das atrocidades por ela cometidas ao longo da História. Iconoclasta é aquele que mostra várias ocasiões em que políticas econômicas à direita se mostraram melhores do que suas parceiras de esquerda.

Seguindo na Economia, em que os grupos ideológicos dominantes se dividem grosso modo entre aqueles que acreditam ser possível matematizar todo o comportamento humano – ortodoxos – e os que creem que o todo poderoso Estado deve intervir mais e mais em nossas vidas para garantir o bem-estar – heterodoxos -, é iconoclasta quem brada contra ambas as coisas. Quem se diverte com o absurdo argumentativo tanto de uma linha quanto de outra.

Talvez o campo mais profícuo para as verdades pouco, por assim dizer, científicas, no Brasil seja o esporte. É um tal de certezas absolutas pra cá e pra lá que chega a assustar os menos avisados. Em tempos de Copa do Mundo, tem-se o auge. É sempre nessa época que se percebe que é absolutamente impossível o Brasil perder um torneio por, simplesmente, ser pior na bola. Não, isso não. Falar isso é ser iconoclasta. Se o Brasil perdeu, logicamente, é porque aconteceu alguma coisa errada fora das quatro linhas: a convocação, as baladas noturnas, a concentração exagerada, á água batizada, o resultado armado pelas duas maiores rivais entre fabricantes de material esportivo. Elementar.

A última dessas verdades, iniciada por Zico e que vem tomando corpo nos últimos dias, é a de que o título brasileiro do ano passado fez mal ao Flamengo. Os jogadores a partir de então teriam se sentido capazes de tudo e os descalabros tomaram a escala crescente que culminou no famigerado caso Bruno.

Uma grande falácia. Qualquer um que acompanha mais ou menos de perto a realidade dos clubes brasileiros sabe que, se há entre eles um que se destaca por nos últimos anos ter sido absolutamente permissivo para com os seus atletas, tendo se tornado até uma espécie de refúgio para jogadores menos afeitos a treinamentos e concentrações, este é o Clube de Regatas do Flamengo. O título brasileiro de 2009 não foi o causador de qualquer atitude pouco profissional, pra não dizer pouco inteligente, de nenhum atleta rubro-negro. Foi, sim, um acidente em meio à profusão desse tipo de atitude, que nunca teria ocorrido não fosse a incrível incompetência alheia para conquistar a taça.

Diante de tantos desatinos soltados aos quatro ventos e cantados em prosa e verso em sua inócua verdade, não há outra coisa a fazer senão dar vivas aos iconoclastas. Às poucas ilhas que aparecem aqui e ali para colocar pontos de interrogação em afirmações tão peremptórias quanto vazias.

A eles, vida longa!

Ricardo Gomes na Seleção!

Por toda a sua brilhante trajetória como treinador, por todas as indiscutíveis glórias dirigindo equipes na França e no Brasil, por todas as sacadas táticas capazes de deixar os times que dirige léguas à frente de todos os rivais, por todo o garbo e elegância com que se veste e se porta à beira do campo…

E, sobretudo, por todo o bem que desejo ao São Paulo Futebol Clube, inicio a campanha:

Ricardo Gomes na Seleção!

Que o outro Ricardo, o doutor Teixeira, ouça-me.

Ranking das Copas

Terminada a Copa da África, é hora de atualizar o ranking histórico dos Mundiais, que faço por conta e critérios próprios desde a competição de 1998, na França.

É importante mencionar, antes de qualquer coisa, que existem algumas controvérsias sobre as quais muitas vezes nem mesmo a FIFA se manifesta de forma absolutamente conclusiva quando o assunto é a classificação final dos torneios.

Uma delas se refere aos jogos que se decidem em prorrogações ou mesmo aos jogos extras que eram disputados em tempos antigos para decidirem classificações. Alguns acreditam que, tanto num quanto noutro caso, a pontuação do tempo extra deva ser considerada. Assim, uma equipe que vence apenas na prorrogação deve contabilizar os pontos de uma vitória e não de um empate e, da mesma forma, se duas equipes foram obrigadas a fazer um jogo extra para decidirem uma vaga, devem obter os pontos de ambos os duelos.

Outros, eu entre eles, enxergam distorções nesse sistema e por isso defendem que, em nenhuma situação, eventuais pontos provenientes de tempos suplementares sejam considerados para efeitos de classificação das seleções, posto que apenas existiram para resolver um caso de empate. Considerar, pois, resultados de prorrogações tenderia a dar uma injusta vantagem às seleções que as disputaram em relação a outras que, mais efetivas, conseguiram resolver as coisas nos 90 minutos. Tal distorção se transformaria em aberração quando transportada ao caso dos jogos extras: uma equipe vencedora num deles acabaria fazendo mais pontos do que outra, que não precisou de desempate para seguir adiante.

Adotando o critério considerado mais adequado e partindo, assim, dos resultados apenas dos tempos normais de jogo, foram elaboradas as classificações dos oito primeiros em cada Copa e concedida a seguinte pontuação:

Campeão: 120 pontos

Vice: 80 pontos

3º colocado: 50 pontos

4º colocado: 40 pontos

5º colocado: 20 pontos

6º colocado: 15 pontos

7º colocado: 10 pontos

8º colocado: 5 pontos

O resultado é o ranking abaixo, com 40 seleções, no qual o Brasil, pentacampeão, duas vezes vice e duas terceiro, aparece em primeiro, com 1.010 pontos, acompanhado de perto, porém, pela Alemanha, que, apesar de “apenas” três conquistas, coleciona quatro vices e outras quatro terceiras posições, 975 pontos.

A Itália, apesar de tetracampeã, fica bem atrás dos alemães, com 760 pontos, por ter apenas dois vices e uma terceira posição em seu currículo. Argentina e Uruguai vêm a seguir, e bastante abaixo, com seus bicampeonatos. Os uruguaios ultrapassaram os franceses graças ao quarto lugar conquistado em território africano.

O terceiro vice-campeonato de sua história colocou a Holanda como a melhor entre os não campeões, em sétimo e à frente de duas já laureadas: a Inglaterra, em nono, e a recém chegada Espanha, em décimo. Antes delas, aparece a outra não campeã de destaque, Suécia, com um vice, dois terceiros e um quarto lugar.

Em casos de igualdade, os critérios de desempate, pela ordem, foram: (i) melhor classificação conseguida em uma Copa; (ii) número de participações em Copas; (iii) número de vitórias em Copas. Com eles, curiosamente, apenas duas seleções se mantiveram empatadas, as Irlandas, no 35º lugar.

Confiram a classificação completa.

Balanço Coisas Mais da Copa

O sentimento de vazio é o mesmo a cada grande evento esportivo que se encerra. Por piores ou melhores que sejam, não há Copa, não há Olimpíadas que terminem sem deixar em mim mais que uma ponta, um cordão inteiro de saudades.

A Copa do Mundo da África do Sul foi marcante e inesquecível por variados motivos. Pela alegria do povo africano em receber o evento, pouco preocupados se os resultados de suas seleções em campo eram decepcionantes. Pelas ensurdecedoras vuvuzelas que, por mais irritantes, felizmente não foram proibidas. Seria um crime retirar dos anfitriões parte de sua tradição em nome dos ouvidos alheios. Pelo polvo Paul, alemão topetudo que ficará na história como o único vidente de todos os tempos a acertar todas as suas previsões.

Dentro das quatro linhas, os 16 jogos eliminatórios da fase final melhoraram em boa medida o sofrível nível técnico da primeira etapa. Ainda assim, confesso, esperava mais. Os últimos quatro anos de futebol pelo mundo me fizeram acreditar que teríamos na África um torneio marcadamente ofensivo.

A realidade me desmentiu, com a grande maioria das seleções preocupando-se primordialmente – algumas unicamente – em lutar para que o zero inicial do adversário se mantivesse até o fim. Como sabe quem acompanha o blog, não sou daqueles que recriminam a priori a opção pela defesa. Acredito ser essa a alternativa mais eficaz para determinadas seleções, como comprovaram japoneses e neozelandeses na África. E cada um tem que buscar o futebol que lhe dê as maiores chances de sucesso. Apenas não consigo derivar encantamento e satisfação ao ver uma dessas equipes em ação. Minha torcida acaba naturalmente do outro lado.

O resultado do privilégio à defesa foi a segunda pior média de gols da história das Copas, atrás apenas, e por pouco, do Mundial da Itália, em 1990 (2,29 contra 2,21 gols por partida) e uma Copa que, embora mais divertida, patinou em nível totalmente semelhante ao de 2006.

A grande e reconfortante diferença foi que, ao contrário de 2006, em que a retranca italiana saiu merecidamente premiada, ficou com o título uma das poucas seleções que buscou o gol em todos os momentos. O toque de bola espanhol sempre teve como objetivo furar fortes bloqueios adversários, sempre tomou a iniciativa de um ataque que, se não conseguiu marcar gols de sobra – de fato, e paradoxalmente, a ofensiva espanhola concretizou o mínimo necessário para a conquista, tendo em seus oito gols o pior ataque entre todos os campeões, desde 1930 -, mostrou ao mundo que a glória é possível para times que preferem construir a destruir.

Escolher os melhores e piores do torneio não foi tarefa fácil. Após uma pré-seleção, restaram 20 jogadores em cada grupo e o corte a partir daí foi doloroso, principalmente entre os melhores.

Comecemos pelos piores, cuja seleção terminou num 3-5-2. O goleiro não poderia ser outro que não o inglês Green, que precisou de apenas 45 minutos e um galináceo dos mais gordos para conseguir a cadeira cativa. Os três zagueiros de dar calafrio em defunto são o norte-coreano Ri Kwang-Chon, o grego Vyntra e o argentino Demichelis. Na ala direita, adaptado, pois não poderia deixar de integrar tão valoroso time, aparece o hermano Jonas Gutiérrez. Fazem-lhe companhia no meio o lutador, no sentido literal do termo, Kaita (Nigéria), o atrapalhado Clark (EUA), o sonolento Jorgensen (Dinamarca) e, claro, o troglodita Felipe Melo. O ataque dos pesadelos vem com Anelka (França), que pelo desempenho fora de campo ganha também o título de jogador Coisas Menos da Copa, e Mario Gomez (Alemanha).

Alguém adivinha o treinador desse brilhante conjunto? Raymond Domenech, por óbvio.

Ainda entre as lástimas, a França sai como a pior seleção da Copa e a Itália e Wayne Rooney, respectivamente, como as maiores decepções coletiva e individual. O jogo Coisas Menos foi Brasil x Portugal. Venceu a árdua disputa com Inglaterra x Argélia e Paraguai x Nova Zelândia porque, em teoria, seria disputado por duas boas seleções. Para ser pior, só mesmo se fosse arbitrado pelo lamentável Jorge Larrionda, único uruguaio que conseguiu tirar um pouco do brilho de seu país na Copa.

Do lado oposto, a seleção dos melhores é um combinado dos quatro finalistas, começando com o espanhol Casillas. E aqui cabe uma explicação sobre o critério de escolha aplicado. Ao contrário de alguns, acredito sim ter mais peso o comportamento dos jogadores em momentos decisivos do que em jogos iniciais. É por isso que o goleiro escolhido foi Casillas, que, apesar de um tanto inseguro aqui e acolá, foi brilhante em momentos fundamentais das quartas, segurando o pênalti do paraguaio Cardozo, e da final, impedindo dois gols quase certos de Robben, em detrimento do português Eduardo, mais consistente enquanto esteve em campo.

A defesa apresenta dois jogadores esforçados nas laterais, já que não houve qualquer um que se destacasse pela habilidade. Sergio Ramos (Espanha) ganhou por uma cabeça a posição de Lahm (Alemanha) na direita e o uruguaio Fucile reinou soberano na absolutamente carente lateral-esquerda. O miolo de zaga, também sem fortes concorrentes, é o da seleção alemã, com os competentes Friedrich e Mertesacker. No meio, aparecem os dois meias espanhóis que todos gostariam de ter, Xavi e Iniesta, acompanhados pelo holandês Sneijder e pelo alemão Müller, que também leva o título de revelação da Copa. Fecham o escrete David Villa e Diego Forlán, jogador Coisas Mais do Mundial.

Vicente del Bosque, treinador campeão, ganhou a acirrada disputa com Joachim Löw (Alemanha) e Oscar Tabarez (Uruguai) para treinar as estrelas. E Tiago (Portugal), Ayew e Boateng (Gana), Schweinsteiger, Özil e Klose (Alemanha) ficam de fora. Pesarosamente.

A melhor seleção da Copa foi a campeã Espanha, a surpresa, o Uruguai, e o Jogo Coisas Mais da Copa, Alemanha x Inglaterra, um 4 a 1 infelizmente manchado pelo já citado e famigerado Jorge Larrionda.

Diego Forlán, o craque da Copa. Orgulho celeste e do glorioso Atletico de Madrid

Seleção Coisas Mais da Copa: Casillas (ESP); Ramos (ESP), Mertesacker (ALE), Friedrich (ALE), Fucile (URU); Xavi (ESP), Iniesta (ESP), Sneijder (HOL), Müller (ALE); Villa (ESP), Forlán (URU). Técnico: Vicente del Bosque (ESP).

Jogador Coisas Mais da Copa: Diego Forlán (URU)

Jogo Coisas Mais da Copa: Alemanha 4 x 1 Inglaterra (oitavas-de-final)

Melhor seleção da Copa: Espanha

Jogador revelação da Copa: Thomas Müller (ALE)

Seleção surpresa da Copa: Uruguai

Seleção Coisas Menos da Copa: Green (ING); Ri Kwang-Chon (CNO), Vyntra (GRE), Demichelis (ARG); Gutierrez (ARG), Kaita (NIG), Felipe Melo (BRA), Clark (EUA), Jorgensen (DIN); Anelka (FRA), Gomez (ALE). Técnico: Raymond Domenech (FRA).

Jogador Coisas Menos da Copa: Anelka (FRA)

Jogo Coisas Menos da Copa: Brasil 0 x 0 Portugal (3ª rodada da 1ª fase)

Pior seleção da Copa: França

Jogador decepção da Copa: Wayne Rooney (ING)

Seleção decepção da Copa: Itália

Campeões com justiça

A maior demonstração de que a Espanha ostenta hoje, indiscutivelmente, a melhor seleção do mundo foi dada pela Holanda, que, ciente de que não poderia fazer frente aos ibéricos na bola, optou por aquela que seria a sua única chance de êxito e que Paulo Vinícius Coelho tão bem definiu como “anti-futebol total”.

Se os laranjas terminassem a primeira etapa da final de ontem com três jogadores expulsos, não seria demais. Em escala decrescente, De Jong, Sneijder e Van Bommel fizeram o suficiente para merecerem esse destino, não fosse a condescendência do árbitro inglês Howard Webb.

Condescendência sem a qual muito provavelmente a vitória espanhola não seria tão difícil quanto foi, consolidando-se ainda durante os 90 minutos regulamentares. Mas o futebol não é feito de hipóteses e, quando Robben partiu sozinho para o gol de Casillas, o mundo inteiro viu a Holanda campeã do mundo. Como não poderia deixar de ser, eles, os deuses de futebol, também estavam assistindo à grande decisão e, para a felicidade geral de todos os amantes do esporte bretão, deixaram aquela perna direita de Casillas ali, perdida no canto direito enquanto ele saltava para o lado oposto. O correto chute de Robben desviou no pé ali devidamente esquecido pelos deuses, não entrou e o futebol sorriu. O futebol venceu.

O gol de Iniesta, nos instantes finais da prorrogação, fez justiça ao melhor futebol da Copa. Fez justiça à seleção que colocou as outras todas na roda, tocando daqui pra lá e de lá pra cá sem que os adversários se aproximassem da pelota. Uma seleção que venceria mais fácil estivesse Fernando Torres em condições de jogo. Fez justiça ao próprio Iniesta, que não merecia sair de campo como aquele que perdera os gols que faltaram para a Espanha ser campeã mundial. Merecia, sim, sair como um dos candidatos a melhor da Copa, a melhor do mundo. E assim saiu.

Espanha campeã mundial. Nada mais justo.

Quem ouviu a narração do gol de Iniesta feita por Raul Varela, na Rádio Marca, se não chegou às lágrimas absolutamente comoventes de Casillas, teve pelo menos a noção do que o título significou para os espanhóis. Fantástico.

***

O bolão. Vocês não conseguiriam imaginar como esse jogo, criado sem maiores expectativas, mexeu comigo durante os 30 dias de competição na África. A ponto de criar uma afeição que, quando terminada a final, fez misturarem-se em mim uma sensação de imensa alegria, pela vitória, e uma de triste desencanto pelo fim da brincadeira. O que farei nas próximas jornadas sem ter de assistir a todos os jogos para atualizar os resultados minutos depois? Como serão os meus dias sem as dores de cabeça criadas pelas sempre presentes polêmicas de última hora? O que fazer para passar o tempo durante os quatro anos de espera até o próximo?

Antes de passar aos resultados finais, não posso deixar de agradecer àqueles que me fizeram companhia diária, sempre a postos com comentários divertidos, pertinentes, bem pensados. Represento-os aqui por Carlos Urso,  Isnardo Villaroel, Paulo Furquim, Ramón Fernandez, João Paulo e Fernando Oliveira, parceiros do primeiro ao último instante, cheios de entusiasmo, desportividade, gentileza. Obrigado.

O resultado final da Copa acabou finalizando o nosso jogo com um desequilíbio que não houve em nenhum momento da disputa. Por ter acertado campeão, vice, terceiro colocado e artilheiro, terminei a competição com 1.671 pontos, 236 à frente do segundo colocado, o professor Ramón, que terminou a incrível recuperação iniciada a partir do 39º lugar da primeira fase acertando a Espanha campeã e a Holanda vice.

Fábio Corrêa fechou o pódio, beneficiado pelo acerto exato da Alemanha em terceiro e do Uruguai em quarto. A seguir, ficou Persio naquela que provavelmente é a colocação mais ingrata, 45 pontos atrás de um lugarzinho entre os premiados.

Merece ainda destaque David Escudero, nosso colega mexicano que passou a primeira fase quase que inteira em primeiro e não terminou entre os três de cima porque acabou caindo no conto do Brasil e mudou o seu palpite inicial, Espanha campeã. A 7ª colocação foi o preço a pagar. Muito obrigado pela participação desde a América do Norte, David!

Por fim, não poderia deixar de mencionar Maurice Gremaud, que passou boa parte da fase final na frente, mas acabou perdendo fôlego na reta final, prejudicado pelos palpites de Holanda campeã e Argentina vice.

Espero vocês de volta em 2014!

Viva España!

Espanha campeã mundial! A Copa do Mundo está nas melhores mãos possíveis. Venceu o futebol.

Diego Forlán foi coroado o melhor jogador do torneio. Parabéns à FIFA pela justíssima decisão, defendida ontem por aqui.

David Villa, Thomas Müller, Wesley Sneijder e o próprio Forlán dividiram a artilharia, com cinco gols.

Thiago Ribeiro, Ramón Fernandez e Fábio Corrêa, nesta ordem, foram os vencedores do bolão, que tanto nos animou ao longo dos últimos 30 dias.

Logo mais – se o trânsito deixar, ainda hoje – serão postadas as resenhas completas sobre a final da Copa, a Copa como um todo e, claro, o material completo e derradeiro do bolão.