Boçalidade sem limites

Fernando Anitelli é o líder d´O Teatro Mágico, projeto que mistura circo (?), música (??), poesia (???) e teatro (????). Com passagens psico-poéticas que chegam à profundidade de algo como “os opostos se distraem e os dispostos se atraem”, Anitelli e seus parceiros de trupe vêm, nos últimos anos, arrebanhando um bom punhado de admiradores, a maioria concentrada na Grande São Paulo.

Confesso que nunca fui muito com a cara do tal Teatro Mágico e que, dadas as características do grupo, se tivesse de apostar em alguma orientação política, cravaria o petismo – sim, o petismo é uma orientação política, talvez e tristemente a única que siga fielmente os seus princípios, no Brasil. Mas não tinha nada contra o trabalho da turma. Até ler a entrevista que Anitelli concedeu ao PT Macro Osasco e ser apresentado a um nível de boçalidade quase que inacreditável.

Tomei a liberdade de selecionar os “melhores” trechos de Anitelli, com comentários próprios em vermelho. Pensei em indicar também os atentados à língua portuguesa, mas faltaria espaço:

Macro Osasco em Contato: Eleições 2010. Qual foi a repercussão que o grupo sentiu ao colocar o apoio a Dilma Roussef no twitter do Teatro Mágico?
Fernando Anitelli
: Foi muito boa, tranquila. Eu tenho uma visão já conhecida, bem progressista, de esquerda (começa o show). No meu ponto de vista, a Dilma é a pessoa que melhor se enquadra nesse momento, para dar continuidade pra esse motor que foi colocado, que o governo Lula conseguiu fazer dialogando (dialogando? que tipo de diálogo?), fazendo as modificações coerentes. Governar um país, fazer esse país chegar como chegou lá fora, ter tentáculos pra conseguir caminhar e se organizar (pensei que para caminhar e se organizar fossem necessários pés e raciocínio, mas, em tempos de polvo Paul…). A estrutura que o governo Lula já conseguiu colocar, só a Dilma é capaz de continuar, ela já esta inserida nisso.

Macro Osasco em Contato: É consenso de o grupo todo apoiar a Dilma e o PT?
Fernando Anitelli
: O que a gente não vai deixar é ninguém [do grupo] apoiar o Serra. “Serra não! Não me venha falar de Serra”. O Teatro Mágico tem uma diversificação política dentro dele, mas sempre para a esquerda (ah tá, agora sim entendi qual é o diálogo a que se refere: um pergunta e o outro concorda). Quem não pensa assim, não está de acordo com a nossa direção, com a nossa meta, inclusive com a nossa meta artístico-política. Mesmo assim continuamos caminhando (apesar da censura interna?). Temos a posição anti-Serra enquanto projeto. Até porque ele boicota há três anos, politicamente, a participação do Teatro Mágico na virada cultural. É coisa da Secretaria de Cultura pedir e eles boicotarem mesmo (mas quem boicota, afinal, Serra, a Secretaria da Cultura ou eles? E quem seriam eles? O polvo Paul e seus tentáculos?).

Seria cômico não fosse trágico.

Fico a pensar o que é pior: impor patrulha ideológica, achar que o Serra é de direita ou saber que milhares de pessoas são influenciadas pelas ideias de alguém que se encaixa nos dois pontos anteriores.

Sobre Thiago B. Ribeiro
Thiago Barros Ribeiro tem 32 anos, é paulistano, sampaulino e, segundo as boas e más línguas, quase insuportavelmente chato. Mestre em Economia por formação, gestor público por profissão, metido a besta em esportes por paixão.

One Response to Boçalidade sem limites

  1. Chague says:

    Além de trágico, mágico… Aliás “Teatro Mágico” aí em Brasilia não falta: mentem e somem com o dinheiro público….

    Abraço,
    Chague

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: