Bolão e balanço das quartas

Pronto! Demorou, mas cá estou de volta. A viagem a BH teve lá seus percalços, é verdade, mas isso não vem ao caso. Vamos logo ao que interessa: O BOLÃO!

Dada a descomunal expectativa de todos os apostadores pelos resultados atualizados, vou inverter a ordem habitual das postagens da Copa. Primeiro passarei a evolução da classificação do bolão e depois farei um breve balanço das quartas, com pitacos sobre os jogos e as seleções.

Nenhum de nossos apostadores acertou os quatro classificados para as semifinais. Pouquíssimos acreditaram que a Holanda passaria pelo Brasil e com isso, já ao fim do primeiro jogo das quartas, eram poucos os que poderiam fazer 100%. Poucos que sucumbiram no dia seguinte, quando a Alemanha eliminou a Argentina, que praticamente monopolizava os palpites.

Cinco jogadores acertaram três dos quatro semifinalistas e subiram bastante depois de encerradas as quartas. Além disso, saem em vantagem para a reta final, com maiores possibilidades de avançar ainda mais até o dia do julgamento final: o próximo domingo.

Confiram a classificação ao final da postagem e passemos ao balanço dos jogos das quartas.

Holanda 2 x 1 Brasil

O escrete canarinho fez um primeiro tempo próximo ao ideal. Saiu na frente e poderia ter aberto mais, embora não tenha desperdiçado reais chances. No início do segundo tempo, o “melhor do mundo” Júlio César falhou e o gol não mais que fortuito da Holanda deixou, inexplicavelmente, o time brasileiro em frangalhos. Parecia haver não um empate mas sim uma goleada a ser revertida. Dali em diante o que se viu foi um baile holandês, facilitado pelo desespero de peças como Felipe Melo e Robinho. Com lances dignos daquelas peladas em que o jogo está tão fácil, mas tão fácil, que um time fica brincando diante do goleiro em vez de chutar ao gol, a Holanda poderia ter imposto ao Brasil uma humilhação nunca antes vista em Copa. O 2 a 1 ficou baratinho, baratinho.

O resultado deixa lições. 1. Comprova a opinião, entre elas a deste blog, de que a convocação de Dunga foi péssima, deixando o time absolutamente sem opções de gabarito para lutar contra um resultado adverso; 2. Deixa latente a total falta de preparo psicológico da equipe, algo não muito surpreendente para um time comandado por alguém que, quando levantou a taça do mundo, em vez de celebrar a conquista mandou todos àquele lugar. A mim ficou a nítida impressão de que todos ali estavam tão certos de que seriam campeões que, à primeira ameaça de revés, perderam o chão por completo. Inadmissível; 3. Mostra que não é o fato de fazer da preparação um circo, como em 2006, ou um quartel general, como agora, que faz um time ser campeão. Isso é o de menos. O que importa é ser o mais preparado para vencer. E isso a seleção brasileira não era; 4. Pela enésima vez, joga na cara dos pachecos que não existe lugar para afirmações levianas em Copas. A da vez era que a Holanda era fueguesa do Brasil em Mundiais. Nada mais surreal. Nos três jogos anteriores ao da última sexta, era uma vitória holandesa, uma brasileira com a ajuda da arbitragem e uma decisão nos pênaltis, mais uma vez graças ao apito amigo do Brasil, com vitória brasileira. Que freguesia é essa?

Uruguai 1 (4) x (2) 1 Gana

Jogo mais emocionante da Copa. Disparado. O modo como o duelo se desenvolveu foi curioso. Um time dominava por completo as ações durante uns 20 minutos e, de repente, sem mais nem menos, o domínio passava na mesma proporção para o outro lado. Desse jeito, o resultado só poderia ser mesmo o justo 1 a 1 no tempo normal.

Na prorrogação, as equipes apresentavam mais medo de perder do que vontade, e preparo físico, para vencer. Até que nos últimos 5 minutos Gana resolveu partir pra cima. A pressão terminou numa confusão na área, em que Suárez salvou por duas vezes seguidas o gol africano. As duas vezes em cima da linha. A segunda com a mão. O pênalti e a expulsão de Suáreaz marcavam o sofrido adeus do guerreiro Uruguai. Mas Gyan mandou a bola no travessão e a decisão se postergou um pouco mais. À disputa final da marca do pênalti chegaram um Uruguai ressuscitado e uma Gana semi-nocauteada. O resultado só poderia ser o que foi.

E ficou Gyan estatelado no chão. Chorando desesperadamente. Triste demais. Imagem mais comovente do Mundial.

Argentina 0 x 4 Alemanha

Um passeio germânico. Não houve um momento sequer em que os comandados de Maradona fizessem cócegas nos europeus. Deve ter até dado uma certa vergonha naqueles que bradavam aos quatro cantos o domínio sulamericano em gramados africanos. Como se dissera aqui, a afirmação era precipitada. Dito e feito.

A Argentina de Maradona, assim como o Brasil de Dunga, mostrou que, na hora de a onça beber água, é preciso ter um treinador à beira do campo. Coisa que D. Diego e o colega brasileiro decididamente não são. Pelo menos não ainda. Do outro lado, de modo diametralmente oposto, Joachim Löw, este sim, um grandíssimo treinador. Depois do chapeú sobre Capello, o atropelamento sobre Maradona.

Paraguai 0 x 1 Espanha

Há poucos dias, afirmou-se aqui que se a Espanha conseguisse sair logo à frente do Paraguai, deveria construir uma fácil vitória. Mas, se não fizesse no primeiro tempo, as coisas se complicariam. Foi o que aconteceu. A defesa paraguaia foi muito bem em seu objetivo de não deixar a Espanha jogar. E os ibéricos mais uma vez sentiram falta do Torres de outrora. Um pênalti perdido para cada lado – o da Espanha depois de a cobrança ser repetida, algo com o que, por princípio, não concordo – e eis que surgiu o salvador de sempre na passagem espanhola pela África: David Villa, dessa vez ajudado por uma grande jogada de Iniesta. O suficiente para a classificação inédita.

E o Paraguai saiu de campo com uma cabeça muito mais erguida do que a brasileira. Ou a argentina.

Seleção Coisas Mais das quartas: Casillas (ESP); Lahm (ALE), Friedrich (ALE), Ooijer (HOL); Khedira (ALE), Iniesta (ESP), Schweinsteiger (ALE), Sneijder (HOL), Müller (ALE); Forlán (URU), Klose (ALE). Técnico: Joachim Löw (ALE).

Jogador Coisas Mais:  Schweinsteiger (ALE)

Melhor seleção: Alemanha

Seleção Coisas Menos das quartas: Júlio Cesar (BRA); Otamendi (ARG), Demichelis (ARG), Mensah (GAN), M. Bastos (BRA); Mascherano (ARG), Felipe Melo (BRA), Cavani (URU); Tevez (ARG), Cardozo (PAR), Luis Fabiano (BRA). Técnico: a dupla Dunga (BRA)/Maradona (ARG).

Jogador Coisas Menos: Felipe Melo (BRA)

Pior seleção: Argentina

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Sobre Thiago B. Ribeiro
Thiago Barros Ribeiro tem 32 anos, é paulistano, sampaulino e, segundo as boas e más línguas, quase insuportavelmente chato. Mestre em Economia por formação, gestor público por profissão, metido a besta em esportes por paixão.

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