Leonardo fala como integrante da Seleção

Leonardo está exatamente neste momento falando ao vivo no SporTV. A primeira coisa que o ex-jogador afirmou foi não ter sido procurado pela CBF para assumir o cargo de treinador da seleção brasileira.

Polido e educado como sempre, Leo tenta não dar bandeira. Mas, se meu feeling está aguçado, deixa o subconsciente se manifestar. O modo de falar é de quem, no mínimo, fará parte da comissão técnica. Do “projeto” para 2014. Seria extremamente bem-vindo.

Aguardemos.

Uruguai 2 x 3 Holanda

A análise feita hoje mais cedo para Uruguai x Holanda confirmava-se plenamente até os 30 minutos do primeiro tempo. A Holanda, com relativa tranquilidade, dominava o jogo e já vencia os uruguaios com um golaço de Van Bronckhorst.

A partir daí, os rumos da partida passaram por uma espécie de tornado. Talvez premidos pela tal confiança excessiva, os holandeses se deixaram submeter à marcação sulamericana e o Uruguai passou a conseguir fazer algo não propriamente típico de seu jogo: trocar passes. Numa saída pelo meio, Forlán aprontou mais uma das suas e empatou, entornando ainda mais o caldo laranja.

No segundo tempo, os celestes voltaram melhor. Chegaram a alimentar fortes expectativas de classificação à final, mas, num lance aparentemente sem futuro, Sneijder recebeu na entrada da grande área e mandou para o gol. A bola seria defendida por Muslera, mas desviou num defensor uruguaio e se tornou inalcançável. Ainda houve os que reclamassem um possível impedimento de Van Persie, que, em posição irregular, teria atrapalhado a tentativa de defesa do arqueiro celeste. Discordo do argumento. Primeiro, porque a posição de Van Persie era duvidosa e, na dúvida, deve prevalecer o ataque. Segundo, porque a presença do atacante holandês ali não alterou em nada o comportamento de Muslera no lance. Nada teria mudado se ele ali não estivesse. Muslera não chegaria na bola. Portanto, gol legal.

Os uruguaios ainda se recuperavam do baque quando veio o terceiro, em cabeçada de Robben. Tudo totalmente definido, certo? Nem tanto. Num último e honroso esforço, o Uruguai descontou com Maxi Pereira aos 46 e ainda impôs uma surpreendente pressão nos minutos finais. Quase deu.

A Holanda voltou a apresentar o jogo apenas para o gasto que a tem caracterizado na Copa. Exceção feita ao segundo tempo contra o Brasil, foi este o jogo que a garantiu numa posição que não alcançava desde 1978. Chega com pinta de azarão na final, seja quem for o rival, mas está de parabéns. Com todos os méritos.

O Uruguai ainda tem a disputa de terceiro lugar no sábado, mas desde já marca sua passagem pela África com inegáveis brilhantismo e superação. Quem poderia enxergar na pouco celebrada seleção a melhor da América do Sul na Copa? Ensinou ao Brasil como se perde bonito, se é que isso é possível. Como disse o competente Oscar Tabarez após o jogo, “se existisse uma forma de se escolher como perder, provavelmente escolheríamos o que aconteceu hoje”. Poderia Dunga dizer o mesmo?

No bolão, poucos haviam apostado na semifinal entre Holanda e Uruguai e também poucos vislumbrado a seleção laranja na final. Com isso, e em linha com a proposta idealizada pelo jogo, não muitos pontuaram com a partida de hoje, mas os que o fizeram conseguiram um bom salto na tabela de classificação. A disputa segue acirrada, mas cada vez com menos combatentes. Como a Copa.

Uruguai x Holanda: prévia

De um lado, um time que já chegou mais longe até do que os mais otimistas poderiam apostar. Este é o Uruguai, que planejava como ponto máximo de sua passagem pela África uma honrosa aparição nas quartas. E chegou às semifinais. Claro, em sonhos nunca se deixa de acreditar no impossível, mas, com os pés fincados na realidade, chegar entre os quatro melhores era muita areia para o caminhãozinho celeste.

Do outro, uma equipe que não se cansou de afirmar, antes da Copa, que não poderia haver outro objetivo para uma seleção que ostenta a maior invencibilidade do mundo atual que não o título mundial. Esta é a Holanda. Vista com desconfiança pela maioria, menosprezada no duelo diante do Brasil, a Laranja passou quatro jogos e meio com um jogo não além do medíocre suficiente. Apenas na etapa derradeira do confronto com os brasileiros, quando foi preciso, mostrou o futebol ainda guardado. As garrafas vazias para vender de que se falara aqui, as quais poucos acreditaram que pudessem existir. Existiam.

O contexto indica, pois, que o confronto de logo mais deverá opor um Uruguai satisfeito com sua campanha a uma Holanda sedenta pela glória que sempre bateu na trave. Some-se a isso o fato de que os dois desfalques uruguaios, Suárez e Lugano, fazem uma falta imensamente maior ao time sulamericano do que De Jong e, principalmente, Van der Wiel, as ausências holandesas, fazem aos europeus. Sem Suárez, o ótimo Forlán não deverá ter com quem desenvolver suas jogadas decisivas e, sem Lugano, a defesa uruguaia perde o seu xerife, que comanda e mantém aos berros os soldados sempre a postos.

Por fim, é sempre importante destacar o moral que se conquista ao se eliminar o Brasil de uma Copa. Bem ou mal, a seleção brasileira é sempre vista como um gigante do futebol. Quando um time consegue prostrá-la, como fez a Holanda, a confiança vai às alturas e tende a ajudar nos próximos degraus.

O único risco é a confiança crescer tanto a ponto de se tornar excessiva, transformando-se num salto 15. Não acredito. A aposta é em vitória holandesa no tempo normal.

Bolão e balanço das quartas

Pronto! Demorou, mas cá estou de volta. A viagem a BH teve lá seus percalços, é verdade, mas isso não vem ao caso. Vamos logo ao que interessa: O BOLÃO!

Dada a descomunal expectativa de todos os apostadores pelos resultados atualizados, vou inverter a ordem habitual das postagens da Copa. Primeiro passarei a evolução da classificação do bolão e depois farei um breve balanço das quartas, com pitacos sobre os jogos e as seleções.

Nenhum de nossos apostadores acertou os quatro classificados para as semifinais. Pouquíssimos acreditaram que a Holanda passaria pelo Brasil e com isso, já ao fim do primeiro jogo das quartas, eram poucos os que poderiam fazer 100%. Poucos que sucumbiram no dia seguinte, quando a Alemanha eliminou a Argentina, que praticamente monopolizava os palpites.

Cinco jogadores acertaram três dos quatro semifinalistas e subiram bastante depois de encerradas as quartas. Além disso, saem em vantagem para a reta final, com maiores possibilidades de avançar ainda mais até o dia do julgamento final: o próximo domingo.

Confiram a classificação ao final da postagem e passemos ao balanço dos jogos das quartas.

Holanda 2 x 1 Brasil

O escrete canarinho fez um primeiro tempo próximo ao ideal. Saiu na frente e poderia ter aberto mais, embora não tenha desperdiçado reais chances. No início do segundo tempo, o “melhor do mundo” Júlio César falhou e o gol não mais que fortuito da Holanda deixou, inexplicavelmente, o time brasileiro em frangalhos. Parecia haver não um empate mas sim uma goleada a ser revertida. Dali em diante o que se viu foi um baile holandês, facilitado pelo desespero de peças como Felipe Melo e Robinho. Com lances dignos daquelas peladas em que o jogo está tão fácil, mas tão fácil, que um time fica brincando diante do goleiro em vez de chutar ao gol, a Holanda poderia ter imposto ao Brasil uma humilhação nunca antes vista em Copa. O 2 a 1 ficou baratinho, baratinho.

O resultado deixa lições. 1. Comprova a opinião, entre elas a deste blog, de que a convocação de Dunga foi péssima, deixando o time absolutamente sem opções de gabarito para lutar contra um resultado adverso; 2. Deixa latente a total falta de preparo psicológico da equipe, algo não muito surpreendente para um time comandado por alguém que, quando levantou a taça do mundo, em vez de celebrar a conquista mandou todos àquele lugar. A mim ficou a nítida impressão de que todos ali estavam tão certos de que seriam campeões que, à primeira ameaça de revés, perderam o chão por completo. Inadmissível; 3. Mostra que não é o fato de fazer da preparação um circo, como em 2006, ou um quartel general, como agora, que faz um time ser campeão. Isso é o de menos. O que importa é ser o mais preparado para vencer. E isso a seleção brasileira não era; 4. Pela enésima vez, joga na cara dos pachecos que não existe lugar para afirmações levianas em Copas. A da vez era que a Holanda era fueguesa do Brasil em Mundiais. Nada mais surreal. Nos três jogos anteriores ao da última sexta, era uma vitória holandesa, uma brasileira com a ajuda da arbitragem e uma decisão nos pênaltis, mais uma vez graças ao apito amigo do Brasil, com vitória brasileira. Que freguesia é essa?

Uruguai 1 (4) x (2) 1 Gana

Jogo mais emocionante da Copa. Disparado. O modo como o duelo se desenvolveu foi curioso. Um time dominava por completo as ações durante uns 20 minutos e, de repente, sem mais nem menos, o domínio passava na mesma proporção para o outro lado. Desse jeito, o resultado só poderia ser mesmo o justo 1 a 1 no tempo normal.

Na prorrogação, as equipes apresentavam mais medo de perder do que vontade, e preparo físico, para vencer. Até que nos últimos 5 minutos Gana resolveu partir pra cima. A pressão terminou numa confusão na área, em que Suárez salvou por duas vezes seguidas o gol africano. As duas vezes em cima da linha. A segunda com a mão. O pênalti e a expulsão de Suáreaz marcavam o sofrido adeus do guerreiro Uruguai. Mas Gyan mandou a bola no travessão e a decisão se postergou um pouco mais. À disputa final da marca do pênalti chegaram um Uruguai ressuscitado e uma Gana semi-nocauteada. O resultado só poderia ser o que foi.

E ficou Gyan estatelado no chão. Chorando desesperadamente. Triste demais. Imagem mais comovente do Mundial.

Argentina 0 x 4 Alemanha

Um passeio germânico. Não houve um momento sequer em que os comandados de Maradona fizessem cócegas nos europeus. Deve ter até dado uma certa vergonha naqueles que bradavam aos quatro cantos o domínio sulamericano em gramados africanos. Como se dissera aqui, a afirmação era precipitada. Dito e feito.

A Argentina de Maradona, assim como o Brasil de Dunga, mostrou que, na hora de a onça beber água, é preciso ter um treinador à beira do campo. Coisa que D. Diego e o colega brasileiro decididamente não são. Pelo menos não ainda. Do outro lado, de modo diametralmente oposto, Joachim Löw, este sim, um grandíssimo treinador. Depois do chapeú sobre Capello, o atropelamento sobre Maradona.

Paraguai 0 x 1 Espanha

Há poucos dias, afirmou-se aqui que se a Espanha conseguisse sair logo à frente do Paraguai, deveria construir uma fácil vitória. Mas, se não fizesse no primeiro tempo, as coisas se complicariam. Foi o que aconteceu. A defesa paraguaia foi muito bem em seu objetivo de não deixar a Espanha jogar. E os ibéricos mais uma vez sentiram falta do Torres de outrora. Um pênalti perdido para cada lado – o da Espanha depois de a cobrança ser repetida, algo com o que, por princípio, não concordo – e eis que surgiu o salvador de sempre na passagem espanhola pela África: David Villa, dessa vez ajudado por uma grande jogada de Iniesta. O suficiente para a classificação inédita.

E o Paraguai saiu de campo com uma cabeça muito mais erguida do que a brasileira. Ou a argentina.

Seleção Coisas Mais das quartas: Casillas (ESP); Lahm (ALE), Friedrich (ALE), Ooijer (HOL); Khedira (ALE), Iniesta (ESP), Schweinsteiger (ALE), Sneijder (HOL), Müller (ALE); Forlán (URU), Klose (ALE). Técnico: Joachim Löw (ALE).

Jogador Coisas Mais:  Schweinsteiger (ALE)

Melhor seleção: Alemanha

Seleção Coisas Menos das quartas: Júlio Cesar (BRA); Otamendi (ARG), Demichelis (ARG), Mensah (GAN), M. Bastos (BRA); Mascherano (ARG), Felipe Melo (BRA), Cavani (URU); Tevez (ARG), Cardozo (PAR), Luis Fabiano (BRA). Técnico: a dupla Dunga (BRA)/Maradona (ARG).

Jogador Coisas Menos: Felipe Melo (BRA)

Pior seleção: Argentina