Espanha 1 x 0 Portugal

A Espanha jogou como time grande. Portugal como time pequeno. E o resultado a favor da Fúria foi mais do que justo.

O toque de bola do meio-campo espanhol é encantador. Se não consegue ser mais efetivo – e de fato não é muito -, a responsabilidade deve ser colocada no ataque, que se ressente da falta de forma de Fernando Torres. Sem conseguir ser a referência que deveria na área, El Niño deixa tudo nas costas de David Villa, que, para sorte da Espanha, faz uma grandíssima Copa, com um único pecado até agora: o pênalti perdido diante de Honduras. Não fez falta.

No único gol do jogo, Villa aparentemente está milimetricamente impedido ao receber o esplendoroso toque de calcanhar de Xaxi. Nada que chegue nem próximo ao primeiro gol argentino contra o México. O trio de arbitragem sai plenamente absolvido não apenas pela dificuldade do lance, mas porque, na dúvida – e não havia como não tê-la – a decisão deve ser favorável ao ataque. Palmas para Hector Baldassi e seus auxiliares.

Pelo lado português, louros apenas para o goleirão Eduardo, que fez outra boa atuação e, apesar de eliminado, credencia-se a figurar na seleção da Copa. Sobretudo porque, com a Jabulani em campo, cada jogo a mais traz mais chances de os arqueiros caírem em desgraça do que se consagrarem.

Nas quartas, o Paraguai deve se comportar mais ou menos da mesma forma que fizeram os lusitanos frente aos espanhois. O jogo então pode ir por dois caminhos: se a Espanha consegue abrir o placar logo no começo – como quase fez hoje -, os sulamericanos terão de sair mais ao ataque e podem ser derrotados até de forma contundente; se a retranca paraguaia funcionar no primeiro tempo, o jogo tem tudo para se complicar – como se complicou hoje – e pode acabar em prorrogação. Pênaltis não são impossíveis de se pensar.

No bolão, a maior parte dos apostadores acreditaram na Fúria. Uns poucos foram para o lado do decepcionante Cristiano Ronaldo e seus companheiros. Ficaram a ver navios.

A principal mudança provocada pelo confronto ibérico está no palpite de melhor defesa. Com apenas um gol tomado e quatro jogos realizados, Portugal tomou o lugar da Suíça como melhor retaguarda e assim acabou com as chances daqueles que haviam apostado nos suíços como defesa menos vazada. Os únicos que podem bater os portugueses, caso não tomem mais nenhum gol até o fim de suas participações, são Uruguai (duas apostas) e Paraguai (uma aposta). Em Portugal ninguém apostou.

Terminadas as oitavas, apenas seis conseguiram acertar todos os classificados: Maurice, José Augusto, Thiago, JP, Ramón e Amaury. A partir das quartas, os palpites mais divididos devem provocar mudanças variadas e significativas.

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Paraguai 0 (5) x (3) 0 Japão

Uma das imagens mais comoventes da Copa o choro quase compulsivo de Gerardo Martino, técnico do Paraguai, após o término das cobranças dos pênaltis que levaram a equipe sulamericana às quartas-de-final.

Choro justificado, afinal Martino acabara de levar os guaranis ao seu melhor desempenho em Mundiais, abrindo a possibilidade não tão remota, embora eu não acredite nela, de as semifinais do torneio serem totalmente sulamericanas (Uruguai x Brasil e Argentina x Paraguai).

O Japão, mesmo desclassificado, também saiu de campo com a honra de ter realizado sua melhor campanha em Copas, o que deve diminuir a tristeza de jogadores, comissão técnica e torcedores.

Em campo, o jogo foi disparado o pior das oitavas. O Paraguai apresentava maiores condições de chegar ao gol, mas esbarrava no robusto sistema defensivo do Japão. Receoso de avançar demais e abrir muito espaço para os contra-ataques nipônicos, comprovadamente eficazes, o time sulamericano passou a ter um domínio de posse de bola insosso. O reflexo direto dessa postura paraguaia foi justamente a impossibilidade de o Japão encontrar os espaços que lhe permitiram, por exemplo, mandar a Dinamarca de volta para a Escandinávia.

No final, o 0 a 0 acabou representando bem o jogo e a prorrogação. Nos pênaltis, ambas as equipes tiveram um bom aproveitamento, mas Komano viu o azar mandar o seu chute ao travessão de Villar. 5 a 3 e classificação paraguaia.

O resultado mudou um pouco o bolão, já que alguns apostaram na passagem japonesa. O pódio, contudo, mantém-se inalterado, com Maurice, David e José Augusto. Outra coisa que se deve destacar é o desempenho magnífico de nosso amigo Nilo Rondelli. Como podem notar, Nilim está na 40ª posição, brigando duramente com Marcelo, Marquim e Ian pela lanterna. Só tem um detalhe: os três concorrentes de Nilim esqueceram de fazer a revisão dos palpites. Ele fez tudo bonitinho. Que fase!