Fórmula 1 na Copa

Pelo jeito nossos queridos amigos Daniel Marchi e Marcelo Cerri abandonaram de vez o projeto Fórmula (3 em) 1. Não há de ser nada. Seguimos daqui.

O GP da Valencia já seria naturalmente menos concorrido, disputado em meio à concorridíssima Copa do Mundo. Mas não precisava ser tão menos concorrido assim. Tudo bem que a pista não favorece nem um pouco ultrapassagens. Mas Kobayashi provou que era, sim, possível passar, quando voltou babando dos boxes, já no fim da prova, e se impôs sobre Alonso e Buemi. Faltou sangue nos olhos dos demais.

Webber foi um caso à parte. Saindo da segunda posição, teve uma largada horrorosa, terminou o primeiro giro em 9º e, quando começava a tentar uma improvável recuperação, encheu a traseira de Kova, provocando a entrada do safety car e as mudanças que se mantiveram quase que totalmente até a bandeira quadriculada.

Vale lembrar o que se escreveu sobre Webber aqui, duas corridas atrás, quando vencera em Mônaco e alcançara a ponta do campeonato:

Se continuar no mesmo ritmo, Webber será campeão, não há dúvidas. Mas o “se” ainda alimenta desconfianças nada irrelevantes. Primeiro, porque no ano passado, mais ou menos à mesma altura do campeonato, Webber chegou a despontar como grande rival de Button na disputa pelo título e depois se perdeu pelo caminho. Segundo, porque não é coisa simples o salto de categoria, dos bons para os campeões, do qual estamos falando.

Pois é. Não é nada simples. E parece que muito alto para Webber.

De toda forma, pelo menos no acidente de hoje, Webber foi o menos culpado. Errou mais que ele Kovalainen, que ziguezageou à frente com uma carroça. Errou mais que os dois a FIA, que permite às carroças dividirem o grid com carros que se prezam e chancela, em consequência, qualquer tragédia que venha a ocorrer por conta disso.

Outros merecem menções. Vettel, pela vitória. Button, por mais uma vez ter se mostrado a cabeça mais pensante do circo, o que é bom, mas também por ter ficado inacreditavelmente acomodado atrás de Kobayashi durante 451 voltas, o que é péssimo. Barrichello, por ter levado a frágil Williams a um quase pódio, comprovando pela enésima vez que é bom. Alonso, Massa e Ferrari, de tão apagados, nem menção merecem.

Ao contrário de Hamilton. Em Valencia, novamente o inglês nos fez lembrar grandes campeões, aqueles que tentam se utilizar de todas as brechas possíveis para ganhar segundos que façam a diferença, mesmo que a legalidade de tais brechas sejam discutíveis. Senna chegou a testar passar pelos boxes em vez de pela pista em Mônaco, quando não havia limite de velocidade nos pits, certificando-se de qual caminho seria mais rápido. Salvo engano, fez o mesmo em Donnington. Schumacher chegou a terminar corrida passando, e vencendo, também por dentro dos boxes, para cumprir uma punição e não perder o tempo que perderia se o fizesse antes, quando teria de voltar lento para a pista.

Hamilton hoje ultrapassou o safety car quando não podia. Se seguisse olimpicamente as regras, ficaria atrás do carro de segurança e exatamente à frente de Alonso, mais ou menos na oitava posição. Ao se fazer de desentendido, continuou em segundo e, mesmo punido depois com um drive thru, conseguiu voltar à pista ainda no mesmo posto.

São essas pequenas coisas que os diferenciam dos normais. Quando aprender de vez a lidar com situações de pressão, Hamilton estará definitivamente na galeria dos maiores.

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Argentina 3 x 1 México

Faltava só uma arbitragem calamitosa para que a passagem italiana pelos campos da África do Sul pudesse ser classificada, em gênero, número e grau, como apocalíptica. Não falta mais.

Provavelmente invejosos da fama conquistada mais cedo por Larrionda e seus amigos uruguaios, o trio italiano não deixou por menos. Aproveitou a primeira chance que teve para encaminhar o desfecho de um jogo até então bastante equilibrado. O impedimento de Tevez no primeiro gol argentino foi flagrante, visível a olho nu de qualquer um dos quatro cantos do planeta. Apenas o italiano da bandeira e o do apito não viram.

Se para o México já seria tarefa hercúlea superar a Argentina em igualdade de condições, depois da ajudinha extra aos hermanos o negócio passou a beirar o impossível. Para completar o quadro desolador, Osorio, não satisfeito com o auxílio italiano, resolveu ele mesmo tambem dar sua parcela de contribuição, entregando numa bandeja de prata o segundo gol para Higuaín. Com 4 gols, o Washington argentino reassume isoladamente a artilharia do torneio.

O segundo tempo, com o belo terceiro dol de Tevez e o não menos bonito de Hernandez, que definiu os 3 a 1, foi apenas o complemento de um duelo que já terminara nos primeiros 45 minutos.

Com a vitória, a Argentina quebra um longo tabu. Desde as oitavas de 1990, quando venceram o Brasil por 1 a 0, os alvicelestes não ganhavam um jogo eliminatório de Copa nos 90 minutos.

No bolão, apenas o Mateus havia apostado no risco de ver a Argentina fora. Todos os demais acreditavam em Maradona e seus garotos, o que não provocou grandes alterações na classificação. Maurice segue em primeiro, comboiado por David e José Augusto.

Alemanha 4 x 1 Inglaterra

Roubo. Não há outra palavra para definir o que os srs. Jorge Larrionda (árbitro) e Mauricio Espinosa (bandeirinha) fizeram com a Inglaterra no belo jogo diante da Alemanha, em Bloemfontein. Ainda no início do jogo, antes da garfada final, houve outro lance no mímino discutível, que acabou caindo no esquecimento dada a grandiosidade da presepada que viria depois.

Em lance na intermediária, uma disputa de cabeça entre um inglês e um alemão. A bola vai para o ataque inglês, é desviada por um defensor germânico e sobra para Rooney, livre e desimpedido, rumar para o gol. Em decisão polêmica, Espinosa anotou e Larrionda confirmou um impedimento que solapou as boas chances de o English Team sair na frente.

Depois veio o pior. O toque por cobertura de Lampard, que decretaria o empate em dois gols com os alemães, ultrapassou a linha em cerca de meio metro. Um lance claro e evidente. E o fanfarrão Espinosa não estava encoberto. Não há desculpa para o erro grosseiro. Uma vergonha, como diria Boris Casoy.

E quem vier com a história de que a justiça tarda mas não falha, relembrando o histórico lance da final entre Inglaterra e Alemanha na final da Copa de 1966, quando um gol em que a bola alegadamente não entrou por completo foi validado para os ingleses, na prorrogação, estará errado. São situações incomparáveis. Aquela até hoje gera discussão. Se a bola não entrou – como parece não ter entrado – por completo, foi por centímetros. Estava quase inteira na parte de dentro do gol. Bem diferente de hoje.

Tudo isso posto, é imprescindível dizer que a Alemanha tem muito mais time do que a Inglaterra e, possivelmente, teria se classificado hoje, acontecesse o que acontecesse. O conjunto da equipe impressiona. A classe de Ozil azeita as engrenagens e a capacidade que Klose tem de crescer em Copas, além de impressionante, incrementa uma máquina dificílima de ser batida. Se passar pelo México, a Argentina sofrerá. Muito.

A saída do English Team ratifica de vez três coisas: o Grupo C da Copa era fraquíssimo; o fiasco italiano no Mundial, com Capello eliminado, torna-se definitivamente completo; e, individualmente falando, Wayne Rooney é a maior decepção do torneio. Não há contusões ou falta de ritmo que justifiquem o nível do futebol apresentado por alguém tão aclamado.

Em nosso bolão, alguns apostavam na classificação inglesa e podem se complicar um pouco daqui por diante. Outros, que estavam tristes com a classificação ganense ontem, sentem uma nova rajada de vento a favor com o êxito germânico. É assim. A cada jogo, uma nova emoção. E a gangorra sempre em ação.