Estados Unidos 1 (0) x (1) 1 Gana

Felizmente a torcida para que os jogos da fase final compensassem o baixo nível da primeira parece que vai funcionar. As duas partidas que abriram as oitavas de final, neste sábado, foram muitíssimo agradáveis. Bem jogadas, bem disputadas, fizeram jus a uma Copa do Mundo.

No fechamento da rodada, Gana, ao vencer os Estados Unidos na prorrogação, igualou as melhores campanhas da história africana em Mundiais (Camarões/90 e Senegal/02). Os estrelas negras mostraram mais talento, embora menos organização, do que os americanos.

Começaram o jogo a mil por hora e abriram o placar antes dos 5 minutos. Durante todo o primeiro tempo, com uma atuação excepcional de Prince Boateng, foram mais perigosos e estiveram mais próximos de ampliar do que de ceder o empate. Cometeram, porém, o mesmíssimo erro dos uruguaios no jogo anterior ao voltarem para a etapa derradeira. O recuo excessivo acabou num pênalti e no empate dos Estados Unidos.

E aqui vai um parênteses. Por que em 99% das vezes o time que sai na frente num jogo equilibrado se retrai absurdamente se, em 90% das vezes em que isso acontece, o resultado é o empate do adversário? Não seria mais razoável aproveitar que se está melhor e tentar definir o resultado enquanto é tempo ao invés de dar milho pra bode? Fecha parênteses.

Aparentemente em melhores condições físicas, Gana voltou a tomar as rédeas do jogo após o empate e fez o gol decisivo logo no início da prorrogação. Classificação merecida.

Ao contrário do jogo da manhã, em que todos apostaram no vencedor, a vitória ganense provocou importantes mudanças no bolão, já que a maioria cravara a classificação dos Estados Unidos. A mais importante delas foi a mudança na liderança, que passou do sempre líder David a Maurice Gremaud.

É tempo, ainda, de reafirmar o grande afinco com que tenho tentado conduzir essa disputa até agora tão divertida para todos nós. Não é fácil, confesso. As tentativas de aproximar o máximo possível o jogo de um mundo ideal, entre as quais o período para as revisões de palpites, nem sempre agradam a todos. Acabam sempre, em maior ou menor grau, abrindo espaço para descontentamentos aqui, sentimentos de injustiça ali.

O que tenho tentado, diante de todas as questões surgidas até aqui, é ser o mais neutro possível, buscando sempre a máxima justiça. Embora a justiça plena seja sempre impossível.

Uruguai 2 x 1 Coreia do Sul

O Uruguai quase se complicou por ter se comportado como time pequeno no início do segundo tempo. Recuou demais. Abdicou completamente do ataque. Tanto pediu que tomou o gol do empate sul-coreano, num lance de falhas. Menor de Lugano, maior de Muslera.

Depois dele, foi a vez de os asiáticos, inexplicavelmente, se intimidarem. Os celestes voltaram a atuar mais ou menos como no primeiro tempo, mostrando maior capacidade de controlar o jogo e maior capacidade de definição dos seus jogadores, sobretudo a dupla dinâmica Forlan-Suarez.

Luizito, primo distante, como podem notar pelas feições, de nosso saudoso Bussunda, foi o diferencial. Fominha aqui, precipitado acolá, já fizera o primeiro mostrando grande oportunismo e, quando o confronto começava a caminhar para a prorrogação, anotou o segundo, num lance de extrema habilidade.

Já nas quartas, melhor resultado desde 1970, o Uruguai, caso não tenha recaídas como a do começo do segundo tempo de hoje, pode ainda ir muito mais além. Potencial para isso tem.

E a Coreia sai da Copa de cabeça absolutamente erguida. Fez um jogo equilibrado e foi até melhor em vários momentos. Poderia ter empatado no final se o camisa 20 – desculpem, mas não consigo decorar os nomes – não desperdiçasse uma chance cara a cara com Muslera.

No Bolão, todos apostaram na classificação uruguaia, embora alguns tenham perdido pontos preciosos por acreditarem que o confronto se encaminharia para o tempo extra. Outros acertaram, além do classificado, o placar exato e tomaram um bom fôlego.