Brasil 3 x 1 Costa do Marfim

Numa Copa em que ninguém tem feito nada de excepcional, as duas vitórias consecutivas da seleção brasileira são suficientes para consolidá-la entre as grandes favoritas ao título.

Contra Costa do Marfim, o Brasil melhorou muito em relação à estreia. Comprovou no segundo tempo que, jogando contra um time mais aberto e tendo a chance do contra-ataque, torna-se uma equipe fortíssima, quase mortal.

Chamam a atenção duas coisas: a efetividade do time, que costuma aproveitar muito bem quase todas as chances que cria, e o espírito de entrega e união que parece reinar no grupo. É um lugar comum, uma frase típica do pensamento dunguista, mas não há como negar a sua verdade.

Dunga que, diga-se de passagem, errou ao não substituir Kaká. O nervosismo do jogador com as seguidas entradas ríspidas dos africanos era visível. A expulsão, justa, pois Kaká deixou intencionalmente o cotovelo no peito de um adversário, estava mais do que anunciada. Apenas a comissão técnica brasileira não percebeu e perdeu o jogador para o confronto diante dos portugueses. Se ficar nisso, não haverá maiores problemas. E embora de fato não deva ocorrer nada além, à medida que a FIFA tem feito de tudo para contar com todas as estrelas nos jogos decisivos, não é absurdo pensar numa punição de dois jogos, o que poderia complicar a casa.

Destaque também para o segundo gol de Luis Fabiano, que foi, ao mesmo tempo, o mais bonito e o mais irregular do Mundial até aqui. O atacante brasileiro conseguiu, num mesmo lance, dar dois chapéus, matar duas vezes a bola com a mão e ainda concluir a jogada em gol, beneficiando-se da miopia do juiz francês.

Uma miopia que não surpreende, levando-se em conta que, historicamente, o Brasil é de longe o país mais beneficiado pela arbitragem em Copas. Foi assim em pelo menos quatro dos cinco títulos brasileiros – 62, com um pênalti não dado e um gol equivocadamente anulado da Espanha, em jogo que valia a eliminação; 70, com a não expulsão de Pelé depois de uma clara cotovelada num uruguaio, na semifinal; 94, com a inversão da falta que possibilitou a Branco fazer o 3 a 2 na Holanda, nas quartas; 2002, com a anulação de um gol absolutamente legal da Bélgica, nas oitavas, quando o jogo estava 0 a 0.

Para os marfinenses, as coisas se complicaram. Pelo andar da carruagem, é cada vez mais provável as oitavas-de-final não contarem com um africano sequer. Será triste pelo povo, mas justo pelo futebol apresentado.

No Bolão, eu me dei mal ao apostar num empate. 40 dos 43 apostadores optaram pela vitória brasileira. Dentre eles, nove acertaram em cheio. Destaque para Maurice, que chegou à vice-liderança, e Isa, que deixou a lanterna nas mãos do Ian.

Itália 1 x 1 Nova Zelândia

A Itália vai fazendo mais uma das suas famosas campanhas de primeira fase. Futebol e resultados medíocres. Normalmente, a Azzurra acaba conseguindo passar mesmo assim e engrossa na fase decisiva. Ainda acredito que é o que vai acontecer, mas, a tomar pelo jogo de hoje, ficar de fora já na próxima quinta-feira não será surpresa.

Já os All Whites, assim como o Japão, podem ser considerados boas surpresas. Não pelo futebol, que espelha toda a limitação dos jogadores. Sim pela aplicação e eficácia tática. O time não tem o que fazer a não ser defender, defender, defender e, num contra-ataque qualquer, achar um gol. E assim tem sido. Antes da Copa, as apostas eram pra saber de quanto tomariam em cada jogo. Agora, uma vitória no último jogo garante a classificação. Inegável sucesso.

No bolão, era de se esperar que todos errassem. Quase foi o que aconteceu. No entanto, Carlos, nosso glorioso Urso, demonstrou todo o seu “conhecimento” futebolístico e cravou o 1 a 1. Apenas ele, logicamente.

Paraguai 2 x 0 Eslováquia

O resultado garantiu, na prática, a classificação paraguaia às oitavas-de-final da Copa. A disputa com a Itália agora será para ver quem faz mais saldo e foge do confronto com a Holanda.

A Eslováquia é mais fraca do que se esperava. O que já ficava latente depois do empate com a frágil Nova Zelândia confirmou-se sem sombra para dúvidas após a atuação de hoje, abaixo de qualquer crítica.

Já o Paraguai tem uma seleção que, se não encanta como o rápido toque de bola chileno, apresenta um jogo sóbrio, com uma defesa segura e um ataque com definidores competentes. Falta meio-campo, mas mesmo assim será um osso duro para qualquer adversário.

Aliás, merece destaque o desempenho das seleções americanas até agora. Considerando as oito equipes do continente, apenas Honduras foi derrotada e, ainda assim, para outra seleção da América, o Chile. No mais, foram 11 jogos, com 6 vitórias e 5 empates.

No bolão, vários apostaram na vitória paraguaia, mas apenas cinco acertaram o placar. O maior destaque foi a Karen, que subiu da oitava para a terceira posição. Disputa boa também lá embaixo, onde Ian e Isa se degladiam na luta pela lanterna, vendo os outros se distanciarem.