Torneio da Consolação no Torero

O texto da postagem anterior, sobre o Torneio da Consolação, foi publicado pelo José Roberto Torero em seu blog (http://blogdotorero.blog.uol.com.br/).

Autor, entre outros, do ótimo O Chalaça, Torero achou adequada a ideia do Torneio da Consolação para lidar com problemas de abstinência como os que vêm sendo sentidos por mim e por um conhecido, o Sr. Alaor, cujo caso está devidamente relatado no Blog do Torero.

Torero torna-se assim o primeiro famoso a entrar na campanha Torneio da Consolação Brasil 2014 e concede mais uma grande honra ao Coisas Mais.

Por que não o Torneio da Consolação?

Hoje sinto um vazio. Depois de quase 20 dias com pelo menos dois jogos diários, está sendo das coisas mais difíceis sobreviver sem uma partidinha sequer da Copa. E pensar que amanhã o martírio continua…

Melhor pensar em outra coisa. Melhor pensar numa solução para os dias sem jogos. A mais simples seria distribuir os jogos das quartas diariamente, em vez de concentrá-los entre sexta e sábado. Porém, essa alternativa seria injusta com os times que jogassem depois. Teriam menos tempo de descanso. É correto, pois, fazer os jogos de adversários futuros no mesmo dia.

Mas isso não é motivo para tristeza. Há sim uma solução para os dias sem jogos. O Torneio da Consolação! Seria um certame disputado pelas seleções eliminadas ao longo das fases, para determinar cada uma das posições na Copa. Nada mais justo, afinal algumas equipes fazem campanhas piores do que outras não por serem de fato piores, mas por darem o azar de pegar grupos mais fortes pelo caminho. O Torneio da Consolação (TC) resolveria isso.

Para não obrigar os jogadores a um esforço excessivo para alguém que já perdeu as chances de título, o TC contaria com regras especiais, inspiradas nos Torneos de Verano argentinos, devidamente adaptadas em nome da emoção. Cada jogo teria 45 minutos e, em caso de empate, iria direto para a disputa de pênaltis. Se um time abrisse uma vantagem de dois gols durante o tempo regulamentar, seria imediatamente considerado vencedor por nocaute.

Com regras como essas e a tabela abaixo, construída a partir dos pontos conquistados por cada seleção na Copa, o TC seria garantia de sucesso. Confiram:

9º lugar: Japão x Estados Unidos

11º lugar: Chile x Portugal

13º lugar: Inglaterra x México

15º lugar: Coreia do Sul x Eslováquia

17º lugar: Costa do Marfim x Eslovênia

19º lugar: Suíça x África do Sul

21º lugar: Austrália x Nova Zelândia

23º lugar: Sérvia x Dinamarca

25º lugar: Grécia x Itália

27º lugar: Nigéria x Argélia

29º lugar: França x Honduras

31º lugar: Camarões x Coreia do Norte

A magnificência de alguns confrontos salta aos olhos. Japão e Estados representariam em campo a velha rixa econômica tão alimentada entre meados das décadas de 80 e 90. Inglaterra e México seria o duelo dos que poderiam ter sido e não foram. Suíça e África do Sul definiria de uma vez por todas o que é melhor: ser triste e taciturno ou alegre e extrovertido.

Austrália e Nova Zelândia faria parar toda a Oceania. Os habitantes das grandes ilhas encheriam dezenas de estádios de rugby para acompanhar a batalha. Itália e Grécia decidiriam em campo quem foi o melhor da Antiguidade. Nigéria e Argélia definiriam quem está à frente na disputa entre as Áfricas negra e branca.

Quanta diferença em relação aos tristes dias sem jogos…

Em nome da desportividade e em defesa dos indefesos seres humanos prejudicados pela falta de criatividade da FIFA, fica a partir de agora oficialmente lançada a campanha pelo Torneio da Consolação Brasil 2014.

Lutemos juntos por essa bandeira. Para que o vazio de hoje não se repita em nossas pobres almas daqui a quatro anos.

Balanço das oitavas

Antes tarde do que nunca. A Copa finalmente começou a ter cara de Copa nas oitavas-de-final. Das oito partidas, pelo menos seis foram bastante agradáveis e certamente uma, Alemanha x Inglaterra, entrou para a galeria dos maiores duelos da história dos Mundiais.

Pelo jogo desenvolvido em campo pelos alemães e, principalmente, pelas pataquadas do trio de arbitragem uruguaio, capitaneado pelo lastimável Jorge Larrionda, contra os ingleses. Pataquadas que atingiram o ápice com a não validação de um gol em que a bola ultrapassou clamorosamente a linha.

De toda forma, as falhas da arbitragem não apagam o papelão do English Team na África, menor apenas que os de Itália e França. O comando do sempre elogiado Capello passou longe, muito longe, de revestir os ingleses com o tradicional espírito de luta e de conquista dos italianos. A não ser que estejamos falando do espírito mostrado pela Itália nos gramados africanos. Este sim muito próximo do britânico. Fiasco.

No mais, Argentina, Holanda e Brasil tiveram jogos relativamente tranquilos. Nenhum deles precisou de muito esforço para superar, respectivamente, México, Eslováquia e Chile, embora os hermanos tenham contado com uma ajuda extra, e desnecessária, de Roberto Rossetti e seus auxiliares, que vieram para coroar a passagem vergonhosa dos italianos pela Copa.

Uruguai e sobretudo Gana e Paraguai se viram obrigados a suar muito mais para mandarem, pela ordem, Coreia do Sul, Estados Unidos e Japão de volta aos seus lares. Uruguai e Gana poderiam ter passado com maior folga, mas um inexplicável defensivismo alimentou os adversários e dificultou o caminho. Já o Paraguai foi incapaz de furar o eficaz sistema de destruição nipônico. O sofrimento foi até os pênaltis.

Por fim, a Espanha, contra Portugal, continuou melhorando o nível do seu jogo. O meio-campo da Fúria consegue fazer os adversários de bobos, correndo atrás de uma bola que parece fugir dos seus pés, enamorada pelo bom tratamento oferecido a ela pelos espanhois.

Nas quartas, a Espanha tem diante do Paraguai um caminho que parece mais fácil. Os outros três jogos primam pelo equilíbrio e são de prognóstico muitíssimo complicado. Holanda e Brasil terão um no outro o primeiro grande teste no Mundial. Argentina e Alemanha têm boas chances de protagonizarem outro confronto para a história das Copas. Uruguai e Gana decidem quem será a surpresa das semis.

Um último ponto merece menção, em meio ao clima de glorificação ao futebol sulamericano, com quatro representantes entre os oito melhores da Copa. Os elogios são sim plenamente justos, afinal houve até agora um único revés do subcontinente americano diante de outras regiões do globo, do Chile para a Espanha. Porém, a verdade é que o desempenho demonstrado até aqui não significa nada para o futuro do torneio.

Não significa, por exemplo e como alguns andam dizendo, que o campeão será sulamericano nem muito menos que as semifinais serão uma mini Copa América. Prova disso são os Mundiais de 1994 e 2002, nos quais o único sulamericano nas quartas era o Brasil – em 94, os outros sete eram europeus e, em 2002, eram quatro europeus, Estados Unidos, Coreia do Sul e Senegal – e o resultado todos sabemos qual foi.

Brasil e Argentina, claro, têm plenas condições de conquistarem a Copa. Assim como têm Alemanha, Espanha e até Holanda. Portanto, pés no chão.

Seleção Coisas Mais das oitavas: Kingson (GAN); Ramos (ESP), Juan (BRA), Fucile (URU); Ramires (BRA), Xavi (ESP), Prince Boateng (GAN); Ozil (ALE); Villa (ESP), Klose (ALE), Suarez (URU). Técnico: Joachim Loew (ALE).

Jogador Coisas Mais: Villa (ESP)

Melhor seleção: Alemanha

Seleção Coisas Menos das oitavas: James (ING); Osorio (MEX), Fuentes (CHI), Yong Hyung Cho (COR); Ricardo Costa (POR), Mensah (GAN), Clark (EUA), Van der Wiel (HOL); Benitez (PAR), Dong Gook Lee (COR), Rooney (ING). Técnico: Fabio Capello (ING).

Jogador Coisas Menos: Clark (EUA)

Pior seleção: Chile

Espanha 1 x 0 Portugal

A Espanha jogou como time grande. Portugal como time pequeno. E o resultado a favor da Fúria foi mais do que justo.

O toque de bola do meio-campo espanhol é encantador. Se não consegue ser mais efetivo – e de fato não é muito -, a responsabilidade deve ser colocada no ataque, que se ressente da falta de forma de Fernando Torres. Sem conseguir ser a referência que deveria na área, El Niño deixa tudo nas costas de David Villa, que, para sorte da Espanha, faz uma grandíssima Copa, com um único pecado até agora: o pênalti perdido diante de Honduras. Não fez falta.

No único gol do jogo, Villa aparentemente está milimetricamente impedido ao receber o esplendoroso toque de calcanhar de Xaxi. Nada que chegue nem próximo ao primeiro gol argentino contra o México. O trio de arbitragem sai plenamente absolvido não apenas pela dificuldade do lance, mas porque, na dúvida – e não havia como não tê-la – a decisão deve ser favorável ao ataque. Palmas para Hector Baldassi e seus auxiliares.

Pelo lado português, louros apenas para o goleirão Eduardo, que fez outra boa atuação e, apesar de eliminado, credencia-se a figurar na seleção da Copa. Sobretudo porque, com a Jabulani em campo, cada jogo a mais traz mais chances de os arqueiros caírem em desgraça do que se consagrarem.

Nas quartas, o Paraguai deve se comportar mais ou menos da mesma forma que fizeram os lusitanos frente aos espanhois. O jogo então pode ir por dois caminhos: se a Espanha consegue abrir o placar logo no começo – como quase fez hoje -, os sulamericanos terão de sair mais ao ataque e podem ser derrotados até de forma contundente; se a retranca paraguaia funcionar no primeiro tempo, o jogo tem tudo para se complicar – como se complicou hoje – e pode acabar em prorrogação. Pênaltis não são impossíveis de se pensar.

No bolão, a maior parte dos apostadores acreditaram na Fúria. Uns poucos foram para o lado do decepcionante Cristiano Ronaldo e seus companheiros. Ficaram a ver navios.

A principal mudança provocada pelo confronto ibérico está no palpite de melhor defesa. Com apenas um gol tomado e quatro jogos realizados, Portugal tomou o lugar da Suíça como melhor retaguarda e assim acabou com as chances daqueles que haviam apostado nos suíços como defesa menos vazada. Os únicos que podem bater os portugueses, caso não tomem mais nenhum gol até o fim de suas participações, são Uruguai (duas apostas) e Paraguai (uma aposta). Em Portugal ninguém apostou.

Terminadas as oitavas, apenas seis conseguiram acertar todos os classificados: Maurice, José Augusto, Thiago, JP, Ramón e Amaury. A partir das quartas, os palpites mais divididos devem provocar mudanças variadas e significativas.

Paraguai 0 (5) x (3) 0 Japão

Uma das imagens mais comoventes da Copa o choro quase compulsivo de Gerardo Martino, técnico do Paraguai, após o término das cobranças dos pênaltis que levaram a equipe sulamericana às quartas-de-final.

Choro justificado, afinal Martino acabara de levar os guaranis ao seu melhor desempenho em Mundiais, abrindo a possibilidade não tão remota, embora eu não acredite nela, de as semifinais do torneio serem totalmente sulamericanas (Uruguai x Brasil e Argentina x Paraguai).

O Japão, mesmo desclassificado, também saiu de campo com a honra de ter realizado sua melhor campanha em Copas, o que deve diminuir a tristeza de jogadores, comissão técnica e torcedores.

Em campo, o jogo foi disparado o pior das oitavas. O Paraguai apresentava maiores condições de chegar ao gol, mas esbarrava no robusto sistema defensivo do Japão. Receoso de avançar demais e abrir muito espaço para os contra-ataques nipônicos, comprovadamente eficazes, o time sulamericano passou a ter um domínio de posse de bola insosso. O reflexo direto dessa postura paraguaia foi justamente a impossibilidade de o Japão encontrar os espaços que lhe permitiram, por exemplo, mandar a Dinamarca de volta para a Escandinávia.

No final, o 0 a 0 acabou representando bem o jogo e a prorrogação. Nos pênaltis, ambas as equipes tiveram um bom aproveitamento, mas Komano viu o azar mandar o seu chute ao travessão de Villar. 5 a 3 e classificação paraguaia.

O resultado mudou um pouco o bolão, já que alguns apostaram na passagem japonesa. O pódio, contudo, mantém-se inalterado, com Maurice, David e José Augusto. Outra coisa que se deve destacar é o desempenho magnífico de nosso amigo Nilo Rondelli. Como podem notar, Nilim está na 40ª posição, brigando duramente com Marcelo, Marquim e Ian pela lanterna. Só tem um detalhe: os três concorrentes de Nilim esqueceram de fazer a revisão dos palpites. Ele fez tudo bonitinho. Que fase!

Brasil 3 x 0 Chile

Conforme dito aqui quando houve a definição do confronto, Brasil x Chile era o duelo mais previsível das oitavas. Além da antiquíssima freguesia ante os brasileiros, os chilenos apresentavam um estilo de jogo que se encaixava perfeitamente com aquilo que o Brasil gosta, saindo ao ataque sem maiores preocupações com a frágil defesa.

E a partida de hoje foi como se previa. Com a diferença, para maior azar chileno, que a defesa andina, já deficiente, não contou com dois titulares, Ponce e Medel. Tudo acabou muito tranquilo para os comandados de Dunga, que mais uma vez se beneficiaram pela extrema efetividade com quem têm atuado, algo de que também já se falou aqui. O Brasil concretiza quase todas as oportunidades que cria e isso tende a fazer a diferença em confrontos equilibrados como os da fase final de uma Copa. Imagine então num emparelhamento já naturalmente desequilibrado para o lado tupiniquim.

Kaká fez hoje sua melhor atuação. Juan, Lucio, Gilberto Silva e Ramires também foram bem, embora o último tenha tomado o cartão amarelo que não poderia e que o tira do embate frente à Holanda. Por outro lado, Luis Fabiano e Robinho, apesar dos gols, estiveram bastante apagados e Maicon teve o seu pior desempenho.

A facilidade terminou por aqui. Na sexta-feira, contra a Holanda, tudo indica um jogo dificílimo, para ambos os lados. A Holanda de outrora seria mais um dos times que o Brasil gosta de enfrentar, partindo ao ataque e deixando os espaços que a equipe de Dunga tanto gosta e sabe aproveitar. Mas as coisas mudaram. A Holanda desta Copa tem mostrado um futebol muito mais sóbrio do que alegre e com preocupações defensivas que nunca se viu. Não enfrentou ainda um ataque próximo ao brasileiro para ter o novo sistema testado, mas, no papel, divide com a Alemanha o papel de adversário europeu mais perigoso para o Brasil, pelo jeito de jogar.

No Bolão, pouquíssimas alterações. Todos apostaram na vitória brasileira. Quatro cravaram o 3 a 0 e ficaram um pouco melhor na foto do que os demais.

Holanda 2 x 1 Eslováquia

Holandeses e eslovacos fizeram um bom jogo, mas não o suficiente para manter o nível dos quatro primeiros confrontos das oitavas. A Laranja saiu na frente ainda antes do primeiro quarto de partida, com um gol manjadíssimo de Robben, e depois disso passou mais a administrar o resultado do que qualquer outra coisa.

A tarefa acabou facilitada por uma Eslováquia que até conseguia trocar seguidos passes, mas criava pouco perigo à meta adversária. E, quando as parcas chances apareceram, ou foram bem defendidas por Stakelenburg ou desperdiçadas por Vittek e seus colegas.

Numa rápida cobrança de falta, a bola sobrou para Sneijder fazer o segundo e definir a classificação. O desconto eslovaco, num pênalti discutível que foi o último lance do jogo, serviu apenas para tirar pontos da grande maioria dos apostadores do bolão, que apostara no 2 a 0.

Posso estar enganado e, se for este o caso, as quartas virão para me desmentir, mas tenho a nítida impressão de que a Holanda ainda tem garrafa vazia pra vender nesta Copa. Em todos os jogos, os herdeiros do carrossel pareceram-me com o freio de mão puxado, fazendo o mínimo suficiente para vencer todos os seus confrontos. É esperar pra ver.

Como frisado, a grande maioria dos apostadores do bolão havia apostado num 2 a 0. Uma quase unanimidade surpreendente e que foi jogada por terra com o gol da Eslováquia. Os 2 a 1 deram a pontuação máxima (60 pontos) apenas para Roberta, JP, Renatão Seixas e Fernando. Fernando que mantém com isso o aproveitamento impressionante que vem tendo na fase final: acertou os cinco classificados e cravou três placares exatos.