Fórmula (3 em) 1

Hoje excepcionalmente não contaremos com as contribuições do Marcelo e do Daniel para o blog. No GP da Turquia eles voltam.

***

Será?

por Thiago Barros Ribeiro

Aos olhos de todos os que acompanham a Fórmula 1, Mark Webber é mais um daqueles pilotos competentes, em alguns momentos até um pouco mais do que isso, mas sem a pitada a mais do talento, do brilhantismo, da estrela que constrói os campeões. Está na mesma categoria de outros bons, mas não extraordinários, pilotos da história, como Berger, Patrese, Barrichello e Coulthard.

Nas duas últimas semanas, porém, Webber se credenciou a saltar deste para o degrau acima, onde se localizam os campeões. Sobrou na pista tanto em Barcelona quanto em Mônaco. Além dos 50 pontos e da liderança do campeonato agora no bolso, o feito ganha ainda mais relevo por dois motivos: as pistas espanhola e monegasca têm nada em comum, o que mostra a versatilidade do australiano, e Vettel, o companheiro que comeu poeira em ambas, não é um piloto qualquer.

Se continuar no mesmo ritmo, Webber será campeão, não há dúvidas. Mas o “se” ainda alimenta desconfianças nada irrelevantes. Primeiro, porque no ano passado, mais ou menos à mesma altura do campeonato, Webber chegou a despontar como grande rival de Button na disputa pelo título e depois se perdeu pelo caminho. Segundo, porque não é coisa simples o salto de categoria, dos bons para os campeões, do qual estamos falando. Lembro-me apenas de dois que conseguiram realizá-lo: Jenson Button e Damon Hill. Ambos nunca tiveram pinta de campeão. Até serem campeões. Será Webber o terceiro?

Aproveitando o GP de Mônaco, e mudando totalmente o rumo da prosa, é sempre nessa pista que me lembro – e tenho a convicção de que estou certo -, por que considero Ayrton Senna o maior de todos os tempos. As ruas do principado são as únicas na Fórmula 1 que permitem a um carro constantemente mais lento chegar à frente dos mais rápidos. É, pois, a única em que o braço de um piloto pode fazer uma diferença a ponto de significar uma vitória diante de bólidos mais velozes.

Senna venceu 6 vezes em Mônaco. Em três das vitórias, levou um carro reconhecidamente inferior aos dos rivais ao primeiro posto. A Lotus de 87 e as McLaren de 92 e 93 não teriam condições de vencer não fosse Ayrton o condutor. Isso sem falar na fraca Toleman de 84, que, nas mãos de outro chofer, jamais chegaria próxima à façanha de vencer, antes da interrupção pela chuva.

Desde Ayrton, nunca mais um piloto em clara inferioridade de equipamento conseguiu vencer regularmente, como ele fazia em Mônaco. Pode ter acontecido vez ou outra, com um ou outro. Mas nunca se tornou regra como era com o brasileiro em Mônaco. Ele, o maior de todos e que tanta falta faz.

***

Em tempo, Daniel não vai escrever hoje, mas informa que a ultrapassagem de Schumacher sobre Alonso será revertida. Ao que parece, como a corrida só pode ser considerada reiniciada pra valer quando o primeiro colocado passa pela linha de chegada, e neste caso quando o primeiro colocado passou a corrida terminou, não valeu nada. Pra completar, o comissário da prova, Damon Hill, não deve ter ficado muito triste por tirar pontos de Schumacher. Alonso fica a apenas três da dupla da RedBull na disputa pelo campeonato.

Anúncios

Sobre Thiago B. Ribeiro
Thiago Barros Ribeiro tem 32 anos, é paulistano, sampaulino e, segundo as boas e más línguas, quase insuportavelmente chato. Mestre em Economia por formação, gestor público por profissão, metido a besta em esportes por paixão.

2 Responses to Fórmula (3 em) 1

  1. says:

    Bela e pertinente referência a Senna.

  2. Marcelo Cerri says:

    Não escrevi a coluna, mas deixo meus pitacos por aqui:
    Quanto à penalidade de 20 segundos recebida por Schumacher (caiu para 12º), achei um absurdo. Ele passou em bandeira verde. Houve uma grande confusão e até agora alguns dizem que a ultrapassagem foi legal. O regulamento é ambíguo nesse sentido. Quando aparece a oportunidade de ultrapassar, provavelmente o piloto não tira do bolso o regulamento, consulta um advogado… vai lá e passa! Ele fez o que qualquer um faria. Se decidiram que não foi legal. Ótimo! Devolvam a Alonso sua posição e retornem ao que era antes da ultrapassagem. Simples e justo!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: