Aquecimento global?

Ele é a maior preocupação mundial nos últimos tempos. Sim, o aquecimento global provocado pelo homem em sua insana – e geradora de catastróficas emissões de gases poluentes (mais especificamente dióxido de carbono – CO2) – busca pela riqueza nos levará ao apocalipse.

O recente encontro para discussão do futuro climático do planeta, realizado em Copenhague, provou de uma vez por todas que, se todos os países não se apressarem a diminuir drasticamente suas emissões, a temperatura irá aumentar e aumentar até que todo o gelo das calotas polares se derreta e toda a raça humana suma do mapa em meio ao caos climático. O culpado? O homem. Não fosse ele com suas indústrias poluentes, tudo seria mais azul, o clima seria mais ameno e o ser humano poderia existir pra sempre.

Os parágrafos anteriores poderiam resumir o noticiário de grandes meios midiáticos nos últimos meses. Por ocasião do encontro de Copenhague, virou febre a apresentação do famigerado gráfico que mostra a evolução da temperatura nos últimos anos e a relaciona às emissões de CO2, ou seja, ao maligno espírito humano de devastação, naquelas modernas telas sensíveis ao toque – que, aliás, não existiriam não fosse essa malfadada vontade humana de avançar na industrialização.

Um belo festival, sem dúvida, mas uma notícia-saci, de uma perna só. Qualquer um que já teve contato com a boa forma de se fazer jornalismo sabe que uma das lições básicas é sempre ouvir os dois lados (ou as duas pernas) da notícia. Salvo raríssimas exceções, porém, parece que neste caso ou houve um inédito caso de “esquecimento global” ou a censura social citada no post anterior atuou em sua plenitude.

Duvido da primeira opção. Fico com a segunda. Não é segredo que defender a preservação do clima atualmente é o que de mais politicamente correto pode existir. É bonito e amável defender os ursos pandas e polares, os golfinhos e o verde, da mesma forma que é inadmissível não ser contra a poluição. O que poderia ser mais negativo para a imagem de um jornalista, de um formador de opinião, do que aparecer por aí falando que, no caso do aquecimento global, o buraco é mais embaixo, ou melhor, o buraco é outro? Que mais ou menos emissões provocadas pela ação humana em nada alterariam o rumo do clima mundial? De um lado, este sujeito seria visto como inimigo público da natureza (e, portanto, seria um mau sujeito); de outro, seria o mensageiro do juízo final, pois, colocando a culpa no homem, pelo menos basta reduzir as emissões que tudo estará a salvo. Já se o “culpado” for, por exemplo, o Sol…

Melhor e mais cômodo enfatizar a importância do verde, a maldade e a ganância do homem e… esquecer de verificar se isso aplica-se de fato ao caso. Fique claro desde já que não tenho nada contra o verde, detesto respirar o ar aroma fumaça da cidade de São Paulo e acho um absurdo completo a matança de determinadas espécies que às vezes recebemos em nossas caixas postais. Porém, acho que cada caso é um caso e tenho apreço pelos fatos. Vamos a alguns deles sobre o “aquecimento global”.

1. Hoje a Terra está de fato mais quente do que 100 ou 200 anos atrás. Uma diferença mínima, na casa de 1ºC, mas está. Porém, nossa temperatura atual é menor do que na Idade Média e praticamente a metade da observada na Era dos Dinossauros. Não sabia que os medievais e principalmente os dinos possuíam uma indústria emissora de gases poluentes tão desenvolvida!

2. De fato, pode haver uma relação entre CO2 na atmosfera e aquecimento. Mas nada autoriza a se fazer uma relação de causalidade do CO2 para o aquecimento. Muitos cientistas, aliás, defendem que o aumento de CO2 é uma resposta ao e não uma causa do aquecimento.

3. Vamos, porém, por amor ao debate, como gostam de dizer os advogados, assumir que o aumento de CO2 cause sim o aquecimento. Pois bem, ainda assim o homem pouco poderia fazer para evitar o pior, pois, segundo pesquisas, contribui com pouco menos de 4% das emissões, sendo o restante de responsabilidade da própria natureza. Ah, agora se explicam as temperaturas maiores do período Jurássico, quando a concentração de CO2 no ar era quase 10 vezes maior do que a atual…

4. É cada vez mais forte a corrente (mais forte não significa mais divulgada) que defende a hipótese de que o responsável pelas mudanças climáticas, sejam elas para mais ou para menos, é… advinhem? O Sol! Sim, o Astro-Rei tem, de tempos em tempos, picos e vales de atividade que acabam por se refletir na temperatura terráquea. E mais, de acordo com essa linha, provavelmente nos próximos tempos haverá um período de resfriamento, e não aquecimento global.

Agora me digam, o que é mais plausível e menos arrogante? Imaginar que o Sol é o principal responsável pelas mudanças climáticas e que não há muito o que se fazer a não ser tentar se preparar o máximo possível para elas ou que o homem, que apareceu outro dia por essas bandas, tem o poder de mudar todo o andamento de um planeta que está aí há bilhões de anos e, não bastasse isso, pode também utilizar seu magnânimo poder para evitar indefinidamente sua própria extinção?

Em tempo: ao contrário dos pesquisadores que defendem com ardor a responsabilidade do homem sobre o aquecimento global, não tenho o menor problema em divulgar minhas fontes para este post. É só pedir.

Com a colaboração de Daniel Marchi para os fatos.

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Sobre Thiago B. Ribeiro
Thiago Barros Ribeiro tem 32 anos, é paulistano, sampaulino e, segundo as boas e más línguas, quase insuportavelmente chato. Mestre em Economia por formação, gestor público por profissão, metido a besta em esportes por paixão.

8 Responses to Aquecimento global?

  1. Marcelo Cerri says:

    Não podemos nos esquecer do caso do derretimento da geleiras do Himaláia. O IPCC causou grande alarde ao anunciar que tais geleiras, de onde nascem muitos rios importantes da Ásia, estavam desaparecendo e que deveríamos fazer algo para evitar uma grende catástrofe que levaria milhões de asiáticos é à fome. Poi bem, há alguns meses descobre-se que as cordilheiras continuam frias como sempre, com suas geleiras firmes e fortes. Resta-nos a pergunta: por que o IPCC inventou dados? Qual era a intenção daqueles cientistas?

    Abaixo, entrevista interessante com o chefe do IPCC sobre o caso:
    http://www.economist.com/science-technology/displaystory.cfm?story_id=15473066

  2. Marcelo Cerri says:

    Entrevista interessante sobre o caso:

  3. Vanessa N. Roma says:

    Concordo q se fala muita bobagem em relação ao aquecimento global, que, assim como a glaciação, são fenômenos naturais e cíclicos. Sim, a extinção das espécies tbm é um fato natural. Poderia uma espécie existir “para sempre”. Mas nenhum argumento nos ausenta da responsabilidade ética de zelar pela qualidade de vida no planeta.

    Parabéns pelo blog!

    • Thiago says:

      Concordo plenamente, Vanessa, e não disse o oposto. Apenas é preciso lembrar que o conceito de qualidade de vida é variável de pessoa pra pessoa. Uns preferem cheirar fumaça, ficar horas no engarrafamento e ter acesso a todas as fanfarronices tecnológicas que se possa imaginar. Outros preferem uma vida mais pacata, um ar menos poluído ao custo de menos possibilidades de entretenimento. Um resumo grosseiro, mas cada grupo desse exemplo julga ter uma qualidade de vida superior à do outro.

      Obrigado pelo comentário e continue por aqui!

  4. Com todo seu brilhantismo, Olavo nos ajuda a entender o assunto.

  5. Marcelo Cerri says:

    Vale muito a pena ver esse documentário. É um pouco longo. São nove vídeos com muitos detalhes impressionantes, que explicam inclusive o motivo de tantos cientistas manipularem desonestamente os dados existentes.

  6. Foca says:

    Ricky,

    Parabéns pelo blog e por este post. Tenho 2 comentários:

    1) Acho prematuro defender a unhas e dentes tanto a posição a favor como a contra a responsabilidade humana no aquecimento global. Eu sou mais a favor, como está explicitamente neste post, analisar as “forças ocultas” por trás de argumentos prós e contras. Só não custa lembrar que a bandeira da ecologia (que na minha opinião é válida) foi trazida mais fortemente à política nos anos 70 por alguns partidos sociais-democratas europeus (Suécia e Alemanha por exemplo) num momento onde a pressão para o fim do welfare state forçou estes partidos a procurar novas bandeiras. Só então eles se preocuparam com as árvores.

    2) Discordo inteiramente da sua resposta à Vanessa. Que coisa mais Friedmaniana! Poluição e engarrafamento além de fazerem mal a saúde física e mental, não são pré-condições de avanço tecnológico. Um exemplo que agrada aos liberais de plantão: os países comunistas no pós-guerra poluíram relativamente muito mais do que o mundo capitalista e nem por isso eram mais avançados tecnologicamente.

    • Thiago says:

      Ricky, você por aqui!
      Obrigado pelas palavras. Respeito-as, mas acho que não leu a parte de minha resposta à Vanessa em que ressalto tratar-se de um “resumo grosseiro” apenas para mostrar que o que é qualidade de vida pra você pode não ser pra mim.

      Concordo plenamente com seu exemplo dos comunistas. De fato, poluir não é pré-condição para se desenvolver. Um país pode poluir pra caramba e continuar no limbo. Agora, pra você me convencer de que a poluição não é uma consequência (não causa) natural do progresso vai ser um pouco mais difícil…

      Obrigado também por me colocar junto a Friedman, um dos grandes.

      Abraço. Gostei da visita. Comente sempre!

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